Para Nietzsche, não era pelo fato
de Deus haver deixado de ser crível, mas devido a maneira fluente com que a
ciência se encaixou no mesmo espaço fundamental e segundo ele, ninguém percebeu
a sutileza desse acontecimento da Modernidade, exceto Heine e Hegel. De maneira
alguma Nietzsche é um niilista passivo, para ele, a morte de Deus foi o maior
evento cultural dos tempos modernos, que permite aos “Espíritos Livres” criarem
valores. “Deus está morto” deve ser compreendido, também, como não existindo um
único princípio que explique a gênese do universo. Embora tenha deixado
ambiguidades sobre a transvaloração, o que permitiu diversas interpretações de
sua obra, ele não argumentou a favor da “Morte de Deus”, o que de fato ocorre é
um relato, conforme Gaia Ciência §125, §343 e no prólogo do Zaratustra.
2025 YEARS OF THE INAUTHENTIC CALENDAR! WELCOME TO THE HIGHWAY OF THINKING IN MULTIPLE WAYS.AN OUTSIDER ! UP TO THE TOP!
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EVITAR EQUÍVOCOS SOBRE A "MORTE DE DEUS"
AMBIGUIDADES DA MODERNIDADE
Se por um lado no mundo moderno
encontramos um espaço que nos promete grandes possiblidades de alegria,
autonomia, aventuras, crescimento e transformações, ao mesmo tempo, ocorrem
ameaças de se destruir tudo o que construímos; os ambientes e as nossas experiências
cruzam todas as fronteiras étnicas, geográficas, sociais, religiosas. É certo
afirmar que há uma certa união, todavia, essa união é paradoxal, porque existe
nessa união uma desunião, devido as constantes renovações, mudanças, guerras,
gerando ambiguidade e angústia. No poema, A Segunda Vinda, Yeats mostra essa
fragmentação: “Tudo esboroa; o centro não se sustém. A pura anarquia avança
sobre o mundo.”(Poemas, Cia das Letras.p.92.).
Para Baudelaire: “A modernidade é
o transitório, o efêmero, o contingente, é a metade da arte, sendo a outra
metade o eterno e o imutável”(A Modernidade, Ed. Nova Aguilar, p.859). Podemos
concluir que a vida moderna é pela ambivalência, pelo fugidio, pelo efêmero, e
ser moderno é tomar parte de um mundo onde, como disse Marx, “tudo que é sólido
se desmancha no ar”. A transitoriedade moderna, não apenas envolve uma ruptura
com as épocas anteriores, ela também, envolve rupturas e fragmentações internas
tornando-se um conflito crônico que se intensificou de maneira aguda, ao ponto
de abarcar toda a extensão da existência, se estendendo até a contemporaneidade
e isso, sem dúvida, nos impele à criação de novas formas onde um problema é
suprimido por outro novo, e um conflito por outro, havendo a incorporação do
elemento trágico como luta em um sentido absoluto, abrangendo as oposições
entre luta e paz de modo relativo, em um movimento que nunca para.
CONSCIÊNCIA GLOBAL PLANETÁRIA
Podemos conceituar consciência
planetária um sentimento que conduz ao conhecimento vital da interdependência e
da unidade essencial da humanidade, como também, a adoção consciente da ética e
de seus comportamentos que implicam em um imperativo básico da sobrevivência e
melhoramento da vida humana na Terra. Um indivíduo dotado de consciência
planetária reconhece o seu papel no processo evolutivo e age responsavelmente à
luz desta percepção, essa orientação que visa melhorar as condições da vida tem
de começar a partir de cada um de nós; somente então, é que poderemos ser
responsáveis e agentes eficazes na mudança e transformação da nossa sociedade
como um todo. A mudança deverá ocorrer a nível individual com a tomada
crescente da consciência global planetária e se expandir progressivamente e
ascendentemente.
ULTRAMETABOLISMO - A CHAVE PARA PERDA DE PESO SAUDÁVEL
Faz-se necessário perceber que,
se nós acumulamos um excesso de calorias durante muitos anos, não será possível
restabelecer as coisas em um curto espaço de tempo. Pessoas que esperam
fórmulas miraculosas são presas fáceis para os vendedores de suplementos ou até
mesmo de regimes “revolucionários”. Nenhum suplemento fará o trabalho de perder
peso por nós, nosso melhor arsenal contra os quilos a mais, além de bons
conhecimentos sobre nutrição, é a nossa força de vontade em perseverar em nossa
meta de se alimentar, corretamente, ao longo de nossas vidas. É necessário,
também, saber que, apenas, em um primeiro momento, todos os regimes são
eficazes para perder peso. Todavia, nós não devemos confundir perda de peso com
perda de gordura. Nem todas as perdas de peso são induzidas por uma redução das
reservas de gordura. Temos que saber que uma restrição calórica reduzirá o
nosso peso de modo mecânico, através do esvaziamento progressivo do aparelho
digestório e, porque a retenção de água se tornará menor por causa da diminuição
das nossas reservas de glicogênio, que retém água em nossos músculos, tendo
como consequência um catabolismo, onde há perda de músculos ao invés de perda
de gordura. Recentes pesquisas mostraram que menos de um terço das gorduras
mobilizadas são efetivamente oxidadas; portanto, o fator limitante está na
oxidação das gorduras que voltam para o nosso tecido adiposo. Para haver uma
efetiva utilização da gordura corporal é necessário aumentar a nossa capacidade
oxidativa, acelerando nosso metabolismo para haver uma diminuição do apetite,
porque a dificuldade para queimar gordura está associada a uma diminuição
metabólica, através de um maior armazenamento de gorduras o que acarreta um
aumento do nosso apetite. Para tal é necessário fazer três refeições ao
longo do dia; fazendo isso, nosso corpo irá queimar mais
gordura com a prática diária ou regular de uma atividade física aeróbica
aumentando progressivamente a nossa capacidade oxidativa dos músculos, também,
é necessário acelerar nosso metabolismo através de uma alimentação rica em
proteínas de excelente valor biológico, gorduras saudáveis, carboidratos de
lenta absorção de açúcar, fibras e hidratação adequada. Podemos usar, também,
um termogênico para auxiliar na aceleração metabólica. O processo de aquisição
e manutenção de um Ultrametabolismo corporal, ocorrerá a partir de uns noventa
dias e irá requerer nossa perseverança em manter tanto a atividade quanto uma
alimentação adequada.
PARADOXO DA FILOSOFIA
A filosofia traz consigo uma incerteza imortal porque ela se
sucede ao longo de milhares de anos, e sua história nunca termina!
DAR AUTENTICIDADE A NOSSAS VIDAS
Nietzsche em um Fragmento Póstumo
nos ensina como devemos dar um peso ontológico ao mundo e por conseguinte a
nossa vida, “Imprimir ao devir caráter de ser, eis a mais alta forma da vontade
de potência”. Na Terceira consideração extemporânea, ele afirma que para tal,
devemos assumir por nossa conta a responsabilidade diante de nossa existência,
“Temos de assumir diante de nós mesmos a responsabilidade por nossa existência,
por conseguinte, queremos agir como verdadeiros timoneiros desta vida e não
permitir que nossa existência pareça uma contingência privada de pensamento.”
Nietzsche in: Schopenhauer Educador.
A TAREFA DOS FILÓSOFOS
Na Genealogia da moral, Nietzsche
escreveu de modo enfático em que consiste a tarefa dos filósofos através de
todas as ciências, "Todas as ciências devem preparar ao filósofo a sua tarefa,
que consiste em resolver o problema dos valores, em determinar a hierarquia dos
valores."(GM, 17, nota, p.66, Vozes de bolso).
ÉMILE DURKHEIM E O SUICÍDIO
Émile Durkheim se fundamentou em
muitos dados estatísticos para fazer um estudo sociológico do suicídio, mostrando
a relação entre anomia, ou seja, a ausência de normas e o índice de suicídio
como forte indicador deste, principalmente, em uma sociedade ou em grupo social
na era industrial. Por anomia ele compreendia o desregramento (hybris) moral da
sociedade, pois os indivíduos não sabiam que normas ou regras seguir. Para ele,
o índice de suicídio em determinada sociedade é inversamente proporcional ao
grau de integração, quer dizer, das relações dos indivíduos nas estruturas
familiares, religiosas e políticas dessa sociedade. As crises sociais carregam
em si grande risco de anomias e, portanto, têm grande risco de haver altos
índices de suicídio, muito embora, progridam financeira e economicamente.
Durkheim ficou bastante
impressionado com os altos índices de suicídio ocorridos na época industrial,
concluindo que nas sociedades tradicionais, onde a estabilidade era muito mais
coesa, havia uma certa imunidade com relação ao suicídio.
Enfim, Durkheim concluiu que o
suicídio é um fato social normal, no entanto, o alto índice de sua taxa é que o
torna patológico. Desse modo, o fato social normal é aquele que favorece a
integração social e o fato social patológico é excepcional, pondo em risco a
integração social. Para ele, havia quatro tipos básicos de suicídio: o egoístico,
o altruístico, anômico e o fatalista. Os dois primeiros eram consequências,
respectivamente, da subintegração e da superintegração entre o indivíduo e a
sociedade. O anômico deve-se a um desregramento moral, e o fatalista a um
hiper-regulação moral da sociedade, oprimindo o indivíduo.
1) Sociologia - A. Giddens, Ed. Artmed, R.G. do Sul,4ª ed.,2005.
2) Enciclopédia Luso-Brasileira de Filosofia, Lisboa/Paulo, s/d
3) Dicionário de Sociologia, JZE, R.de janeiro,1997.
PACIÊNCIA E SERENIDADE
Eis duas virtudes essenciais a
todo instante, principalmente, no nosso mundo hodierno onde predomina valores
de “animais de rebanho”, valores imediatistas para fins de mercado. O
pensamento que faz cálculos, é o pensamento tal como foi concebido o conceito
de Razão (RATIO) pela nossa cultura ocidental, é a antiga forma que os
filósofos contemporâneos chamam de Razão Instrumental. Essa forma de pensamento
é dominante em nossa cultura, ele nunca “para”; daí a vantagem da cultura
oriental que valoriza a meditação, que traz a paciência e a serenidade. O
pensamento que calcula, de forma nenhuma é um pensamento reflexivo, meditativo,
criador. O pensamento precisa transpor as barreiras do mero cálculo, para
atingir outro nível de pensamento, ou seja, o pensamento que medita e reflete
sobre o valor das coisas que nos afeta. Para, assim, direcionarmos nossas
vidas, criando sempre valores novos.
LIBERDADE GREGA TRÁGICA
Os gregos da época trágica, pensavam que a liberdade humana
se manifestaria na luta (Agón) para superar as regras imutáveis da natureza
(Physis), que foram fixadas pelos deuses.
A CRÍTICA DE NIETZSCHE A NOÇÃO DE FUNDAMENTO
No que diz respeito a Nietzsche, a crítica à metafísica se deixa perceber através do conceito da “morte de Deus” e seus desdobramentos.
No aforismo 108 da Gaia Ciência,
Nietzsche nos adverte que os homens têm que não apenas saber que Deus está
morto, quer dizer, que o fim da maneira metafísica de pensar baseado na
oposição entre aparência e realidade, verdade e falsidade, bem e mal etc.,
sejam desconsiderados, tendo em vista que com o esfacelamento da racionalidade
medieval e com a ascensão da racionalidade científica moderna, temos como
consequência a ausência de um fundamento ou horizonte organizador de nossa
cultura, gerando um total esvaziamento dos valores que até então vigoravam no
seio do pensamento. Também, vencer a sombra dessa morte que é o ponto máximo do
niilismo ativo, sem o qual não poderia ocorrer a “transvaloração de todos os
valores”, quer dizer, sem a morte de Deus, a ideia de uma instância
transcendente e ideal continuará agindo em nossa forma de pensar, levando-nos a
nos submeter, ao criar valores, a essa “sombra da morte de Deus”, ou seja, a
essa esfera ilusória.
No aforismo 109 da Gaia Ciência,
Nietzsche critica o caráter antropomórfico do conhecimento no que se refere à
interpretação moral do mundo a partir da racionalidade filosófica ocidental,
que compreendia o mundo ora como uma máquina (Descartes), ora como um ser vivo
(Romantismo), ora como Autoconservação (Espinosa) etc., tendo em vista que tais
abordagens levam a uma limitação através da antropomorfização, gerando
dogmatismos no conhecimento. A nova tarefa segundo Nietzsche seria livrar os
seres humanos de um conhecimento puramente ideal e dogmático e convidar a
filosofia a se desvencilhar completamente da sombra da morte de Deus
“Desdivinizando a natureza” e “Começar a naturalizar os seres humanos”.
Todavia, ele nos adverte para não haver um dogmatismo com relação ao conceito
de natureza, para não cair num círculo vicioso, e antropomorfiza-la novamente;
e para isso quando ele escreveu: “De nova maneira descoberta e redimida” mostra
muito bem a abertura para novas possibilidades no conhecimento, para encontrar
a partir de sua naturalização um outro ponto de vista para redimir o Homem do
peso de toda tradição filosófica ocidental que acreditava em um conhecimento
objetivo, ou seja, que a verdade poderia ser descoberta e não criada, como
também em um único princípio.
No aforismo 110 da Gaia Ciência,
Nietzsche mostra que para a conservação da espécie foi necessário que houvesse
entre os homens convenções, sem as quais a vida teria se tornado muito mais
difícil, ou até mesmo impossível. A verdade, não é procurada sendo um bem em
si, mas, pelo que há de vantajosa para a conservação da espécie, neste sentido,
a verdade seria uma “ficção útil”; para tal, foi preciso acreditar “que existem
coisas iguais”, “que o nosso querer é livre”, etc.
No aforismo 111 da Gaia Ciência,
Nietzsche percebe que o pensamento lógico surgiu do ilógico, e que a partir
disso à questão do fundamento do conhecimento torna-se um problema, no sentido
de que a base do lógico é ilógica, tendo em vista que não há nada igual a nada,
idêntico; ele nos adverte que essas noções lógicas como, por exemplo, o
conceito de identidade, surgiu para os homens agirem no mundo de maneira
prática, e não para conhecer as coisas em si mesmas. Desta forma, para
Nietzsche o conhecimento tem um contexto natural, social e convencional, e a
objetividade deve ser considerada uma função prática da subjetividade.
No aforismo 112 da Gaia Ciência,
o princípio de causalidade recebe uma abordagem influenciada por David Hume;
Nietzsche, coloca a sustentabilidade da causalidade em questão, a partir da
consideração de que as percepções habituais dos fenômenos não trazem em si
quaisquer garantias quanto à previsão de que eles voltarão a se repetir. O
cerne da crítica reside em que não há uma estrutura causal subjacente à
realidade, mas apenas a constatação, reforçada pelo costume, de uma sequência
espaço-temporal que não tem nada de necessário, e daí a tarefa inútil da
ambição filosófica de explicar de modo definitivo, o funcionamento do mundo,
pois apenas:
“Um intelecto que visse causa e
efeito como continuum, e não, à nossa maneira, como arbitrário esfacelamento e
divisão, que enxergasse o fluxo do acontecer — rejeitaria a noção de causa e
efeito e negaria qualquer condicional idade” (Nietzsche F.W. A Gaia Ciência-Ed.
Cia das Letras).
Assim, fica claro que para ele
não há um determinismo entre causa e efeito, desta forma, a questão do
fundamento torna-se problemática, porque é contingente e antinômica. No aforismo
344 da Gaia Ciência, Nietzsche observa que no fundamento da ciência não há
nenhuma garantia de uma verdade primeira, não há fundamento seguro para se
afirmar que a verdade seja melhor que a inverdade, segundo ele, é de uma
concepção prática que surge a convicção inconteste da necessidade de verdade
que vem como base da ciência, desta forma, ela também ocasiona um dualismo
implícito, uma cisão entre dois mundos, onde de um lado temos a verdade e do
outro a falsidade mantendo-se na dualidade platônica, negando o mundo das
aparências. A ciência seria para Nietzsche uma sombra da morte de Deus, uma
nova devoção que recoloca a divisão da realidade, pois, segundo Nietzsche, há
uma relação entre a racionalidade filosófica socrático-platônica e a
racionalidade moderna, que com sua “vontade de verdade” funda a ciência, que é
apenas “uma crença forte”. Não há ciência sem a hipótese metafísica de que a
verdade é superior à falsidade.
Na seção do Crepúsculo dos
ídolos: A “razão” na filosofia, Nietzsche faz uma crítica radical ao conceito
tradicional de razão, percebendo que toda a filosofia clássica desvalorizou a
sensibilidade como uma ilusão enganadora, e que a razão concebida como inata,
como um a priori, negando todos os seus aspectos instintivos e sensíveis; desta
forma ele deduz que “A razão” é a causa de nós falsearmos o testemunho dos
sentidos” (Nietzsche F.W. C.I. Pg.36-Ed. Guimarães) por querer afirmar a
verdade universal dos conceitos lógicos como unidade, “coisidade”, substância,
etc., ou seja, por tentar igualar o que não pode ser igualado. A história da
razão foi, desta maneira, uma luta contra os instintos, contra a sensibilidade,
não percebendo que para determinar a “verdade” ela precisa dos instintos e da
sensibilidade, e o sentido da “verdade” em Nietzsche se concebe pela superação
da racionalidade clássica que escapou das crenças, mas não na crença da verdade
em si.
Enfim, para Nietzsche não basta
que o acontecimento maior da modernidade que foi a “morte de Deus”, seja
suficiente para superar o niilismo (sua decorrência); é preciso acabar de uma
vez com todas como a Moral, com a Moral entendida como oposição entre sensível
e inteligível, com a Moral não natural, para instaurar seu projeto de
“transvaloração de todos os valores”. Desta forma, a grande tarefa do
pensamento nietzschiano consistirá em procurar estabelecer valores não
fundamentados em ratificações transcendentes, puramente inteligíveis. O que ele
pretende instaurar é uma luta contra todos os valores atualmente aceitos sem
questionamento, o que não se faz pela simples reformulação deles, mas sim pela
transmutação de todos os valores estabelecidos. É dentro desta perspectiva que
ele parte para a verdadeira crítica, através da introdução na filosofia dos
conceitos de sentido e valor, empreendendo no dizer de Deleuze: “a verdadeira
crítica que não foi efetuada por Kant”.
DEVAGAR: NOVOS CAMINHOS
Andando devagar, contemplando os
diversos eventos que ocorrem conosco com entusiasmo, calma e meditação, tem o
poder de aniquilar com nossos problemas, abrindo novos caminhos. Nossa voz
interior conversa conosco e diz: "quase tudo é possível para quem é magnânimo e
perseverante, ande devagar e poderás chegar onde desejas, vencendo e superando os
obstáculos".
EXPERIÊNCIA COMO CRÍTICA DA HISTÓRIA
A experiência, que em Kant era o
indispensável material para o formalismo da Razão, passará a ser concebida por
Hegel, como a própria evolução dialética da Razão, através da arte, da
religião, chegando na filosofia como reflexão crítica histórica.
VIDA INDEFINÍVEL
A vida não pode ser definida, a não ser que seja vivida pelo
ser que a envolve. Experiência mística!
DO MITO AO LOGOS: ORIGEM E SIGNIFICADO DA FILOSOFIA
As bases da civilização Grega ocorreram do século XII. Ao século VIII a.C., no período chamado de homérico. É de fundamental importância “conhecer” essa época, para nos fundamentarmos melhor em nossa compreensão sobre a gênese da filosofia. Por volta do século. 2000 a.C., pouco a pouco, as primeiras tribos, gregos e aqueus passaram a ocupar a Grécia continental, o Peloponeso e as ilhas do mar egeu, fundando a civilização micênica baseada, principalmente, na agricultura e no artesanato, dirigida por uma nobreza de nascimento. Nessa estrutura imperial, a escrita desempenhava um papel fundamental, quer dizer, era utilizada para a fiscalização, regulamentação e controle da vida econômica e social. Foi logo após a invasão dos dórios, em 1200 a.C. que ocorreu o início do período homérico. Os dórios eram organizados política e socialmente em um regime de genos (Descendentes do mesmo antepassado), enquanto, a civilização micênica era um regime de escravidão coletiva, onde ou correu uma destruição de toda a sua estrutura palaciana, e com ela o desaparecimento da escrita; havendo uma passagem da realeza para aristocracia. Em lugar de um rei, todo poderoso, desenvolveu-se durante nesse período, uma aristocracia que passou a tomar decisões políticas, baseadas em discussões públicas saindo de dentro do palácio para a ágora.Da união do génê, pátrias e tribos surgiram nas cidades com um centro de organização, onde as decisões políticas, militares e econômicas eram tomadas pelos conselhos, e as decisões mais importantes deviam, ainda ser submetidas à assembleia a qual compreendiam todos os cidadãos que pertenciam à cidade. O processo de surgimento dessa nova forma de organização provocou não apenas profundas transformações na vida social, mas também nos hábitos e nas Ideias. Jean Paul Vernant, aponta algumas dessas alterações entre as quais pode ser destacada: a primeira, refere-se ao reaparecimento da escrita no século IX a.C. com uma função completamente diferente, da que havia durante a civilização micênica. A partir disso, a escrita reapareceria em uma função de divulgar aspectos da vida social e política, tornando-se dessa forma, muito mais pública; a segunda dessas alterações refere-se à especialização de determinadas funções sociais, onde não cabia mais ao rei o comando absoluto na tomada de decisões, porque elas agora passaram a ser tomadas através das discussões, com apoio dos conselhos e, também, da assembleia, assim, as decisões passaram a ser vistas como um fruto de decisões humanas e não mais de um rei divino. Essas características expressavam, já, dois aspectos de tomada de decisões inteiramente relacionadas ao conceito de cidadania que foi tão fundamental no mundo grego: o caráter humano e público das decisões ampliou-se o controle dos destinos humanos pelos próprios homens e o acesso de todos ao mundo espiritual e do conhecimento, aos valores e as formas de raciocínio, permitindo que tudo fosse objeto de crítica e debate. As obras de Homero (Ilíada e Odisseia) e de Hesíodo (Os trabalhos, os dias e Teogonia) além de constituírem documentos importantes para o entendimento histórico desse período, permitiram, também, descortinar as características do pensamento então, produzido. Homero, que provavelmente viveu na jônia no século IX a. C, retrata em seus poemas momentos diferentes. A Ilíada mostra um período de guerra e a Odisseia retrata uma época de paz, em um período em que as decisões eram tomadas não mais por um rei, mas por assembleias de nobres. Jaeger em seu livro Paideia, faz uma análise de das obras a partir da qual se pode depreender a importância que elas têm. Homero e Hesíodo escreveram a partir de locais diferentes, enquanto Homero tem sua obra marcada pela descrição da vida e do mundo do ponto de vista da aristocracia da nobreza, Hesíodo em contraposição, coloca-se numa perspectiva que é própria das camadas populares. A concepção do homem distingue de maneira radical Homero e Hesíodo, e isso, traduz a realidade de uma sociedade em que a vida dos indivíduos era marcada por profundas diferenças, dadas as condições sociais. No entanto, ambas viviam em um mesmo momento histórico em que todos os gregos se emanciparam de suas velhas e arraigadas tradições e, a partir de uma herança comum, preparavam um novo modo de viver. O culto aos mortos, essencialmente ligado ao túmulo, é interrompido em função nas transformações dos costumes causadas pela invasão dória e pelas migrações; os ancestrais sobreviveram apenas nos mitos, e o culto não se renovou em torno de novos chefes devido ao novo hábito de incineração dos cadáveres. O contato com grupos de origens e costumes diferentes favoreceu a ruptura com as velhas tradições, fazendo com que partissem do que eles tinham em comum com suas crenças religiosas; os deuses perderam sua sacralidade e ganhavam, assim. humanidade, porque podiam tornar-se objeto de narrativa afastando-se do mistério. Desta forma, a religião dos deuses tomou o lugar da religião dos mortos. É aí, talvez, que se encontra a explicação para a preocupação que era comum a Homero e a Hesíodo, ou seja, aproximar os deuses dos homens, criando um laço forte entre eles, para tornar a vida mais racional e compreensível. Um aspecto que marcou as relações entre o homem e os deuses nos mitos de Homero e Hesíodo, foi a busca da compreensão do universo e de seus fenômenos, por meio da ordenação dos deuses, que passaram a ser vistos existindo dentro de uma certa ordem e hierarquia; esses mitos cosmogônicos buscavam descrever a ordem do universo, vista como surgindo a partir do caos, e de uma genealogia dos deuses. O mundo dos deuses refletia o mundo dos homens e, pela racionalização dos deuses e dos mitos. Estabeleceu-se uma racionalidade para a vida humana. Podendo-se dizer que se encontram uma racionalidade no âmbito do mito porque tanto o mito quanto o pensamento racional buscam uma ordem no universo. Entretanto, essa racionalidade está dentro dos limites do mito, onde a preocupação cosmológica dos primeiros jônicos, considerados como os iniciadores do pensamento racional, esteve presente nos mitos teogônicos de Hesíodo, apresentando elementos da natureza como água, ar, terra e fogo, confrontando-se ou segregando-se e, não mais se um unindo para formar o cosmos. Desta forma, a transição do mito a razão não pode ser analisada como se uma mentalidade pré racional fosse irredutível a racional, quer dizer, a passagem dando se abruptamente do mito ao logos. A causa que Hesíodo encontrava para o trabalho como tendo sido a partir de um determinado momento instituído pelos deuses (como fruto de um ato que era considerado imoral — o roubo). Assim, como estabelecimento de uma genealogia para os deuses, em que se pode destacar o fato da deusa da justiça (Dikê), representante de algo central, ser filha de Zeus. Também apontou para uma busca de uma racionalidade entre os deuses que em última instância espelhava a racionalidade do mundo. Foi no período arcaico entre os séculos sétimo e sexto que o desenvolvimento da polis teve sua característica mais marcante em torno da qual passou a girar a civilização grega. As poleeis, ou cidades estados, compreendiam a cidade em si e, as terras a sua volta garantiam a produção agrícola; elas se distinguiram por serem unidades econômicas, políticas e culturais independentes entre si. A economia mercantil, baseada no comércio entre as cidades e povos, foi uma característica importante das cidades estado. Os gregos produziam e vendiam vinho, azeite, utensílios de cerâmica, importavam cereais e metais. Essa economia foi marcada pela primeira vez na Grécia, por ser uma economia monetária onde, ganhavam-se moedas que eram usadas na troca de produtos e que, também, representavam uma garantia e um símbolo de autonomia da pólis. Nessa economia monetária, os laços políticos tornaram se laços entre aqueles que detinham a riqueza monetária, levando a enormes diferenças sociais gerando crises políticas. Foi Sólon, o grande reformador social, onde podemos destacar entre seus feitos, as seguintes coisas: liberação de terras perdidas por dívida, abolição da escravidão por dívidas, regulamentação dos direitos políticos e a extensão do direito do voto na assembleia, a todos os cidadãos. A identidade política e econômica da pólis levou ao desenvolvimento da noção de cidadania e democracia, sendo um cidadão responsável pela participação ativa nas decisões de organizações da sociedade. Em meio a esse complexo conjunto de relações e diferenciações entre atividades entre grupos e indivíduos; o homem grego tornou-se capaz de transformar o pensamento a várias instâncias presentes em sua vida, tais como: a sociedade, a natureza, sendo capaz de refletir a várias instâncias de sua vida como, por exemplo, a abstração envolvida no uso da moeda, tornou-se capaz de associar o conhecimento com discussão, através de debates, com a possibilidade do diferente, da divergência, impossíveis dentro do mundo que havia dado origem ao conhecimento mítico, marcado pelo dogmatismo. Desta forma, a própria vida social das cidades-estados passou a ser objeto de reflexão, o debate público nelas desenvolvido levava, segundo Pierre Vernant, a uma discussão da ordem humana, procurando defini-la em si mesma e traduzi-la em formas acessíveis à inteligência. As explicações sobre a natureza buscavam, também, a descoberta de uma ordem que lhe fosse própria, a partir de então o universo deveria ser explicado sem mistérios, e o entendimento que dele se obteria devia ser suscetível de ser debatido publicamente, assim como todas as questões da vida corrente.
MORFEU
Leva contigo
toda dor diurna
Oh! gêmeo da morte.
Transforma-nos,
purifica-nos,
oniricamente!
Noite adentro...
liberta nosso espírito!
Desvelando nosso imo
secreto de desejos
Imersos na suprema
realidade onírica.
FELICIDADE
É muito comum, achar que a felicidade seria
atingir a satisfação da maioria dos nossos desejos. Isso é uma coisa
impossível! Sendo a essência do homem desejo, como bem demonstrou Spinoza no
seu livro: Ética, ficamos impossibilitados de atingir a felicidade plena, tendo
em vista que nossos desejos não têm fim. A felicidade pertence ao estado
contingencial do mundo da vida, sendo essencialmente subjetiva e relativa, e
tem a ver com o tempo, no sentido da aceitação da temporalidade, sendo um
estado da vida cotidiana. Ela não pode ser buscada, tendo em vista que nada que
se encontre “fora” de nós, pode nos trazer felicidade. Portanto, ela se
encontra em nós mesmos, nós a criamos “dentro” de nós. Por que esperá-la,
amanhã ou em algum tempo futuro? Vivendo aqui e agora, aceitando a tragicidade
do mundo da vida, cuidando do que tem verdadeiramente importância para nós, e
para com os que estão conosco. O objetivo é fazer a felicidade estar presente
em nós, vivendo em nós! Assim, poderemos desfrutar e compartilhá-la com
alegria, que é a nossa força maior!
DESCONSTRUÇÃO CRIADORA
Uma leitura hermenêutica-desconstrutiva,
pode executar uma maior profundidade a um texto, como também, demonstrar que os
significados que nós retiramos dele, poderia ser o oposto do que pensávamos
compreender, havendo a criação de um novo sentido.
DIZER SIM, À VIDA!
Para Nietzsche, a moral
socrática-judaica-cristã, ao postular um além-mundo verdadeiro, nos educou para
negar esse mundo, nos fazendo crer em ideias fictícias, contrárias à vida.
Diante disso, para conceber um peso ontológico ao mundo real, ele propôs uma
moral natural, com sentimento de inocência e que diz sim, à vida, onde faz uma
distinção entre ser pagão, ser natural e ser cristão, ser antinatural e,
exemplifica Petrônio, como um tipo de homem que representa uma inocência,em contraposição a Paulo que tentou destruir sua imagem com atividade de falsário,
com objetivo de atingir poder, conforme a citação:
“Pagão é o dizer sim ao natural,
o sentimento de inocência no natural, a “naturalidade”
“Cristão é o dizer não ao
natural, o sentimento da indignidade no natural, a antinaturalidade
“Inocente” é, por exemplo,
Petrônio; em comparação com esse homem feliz, um cristão perdeu de uma vez por todas
a inocência.
Por fim, porém, como mesmo o
status cristão precisa ser meramente um estado natural, mas não pode se
conceber como tal, então o “cristão” significa uma atividade de falsário em
meio à interpretação psicológica, uma atividade de falsário que é elevada ao
nível de princípio...” (Nietzsche, Frag. Póstumos 1885–87 (Vol. VI) Ed.
Forense, p. 472–3).
FREUD E O MONOTEÍSMO
Para Freud, o monoteísmo é um avanço em relação ao politeísmo devido a uma "renúncia" aos múltiplos impulsos, constituindo, desta forma, um triunfo humano.
RAZÃO INSTRUMENTAL E RAZÃO CRÍTICA - PRINCIPAL DIFERENÇA
A principal diferença entre razão
instrumental e razão crítica para a escola de Frankfurt é que a razão
instrumental está a serviço da exploração, da dominação, da opressão e da
violência. Em contraposição, a razão crítica reflete sobre
os conflitos e contradições políticas, sociais, apresentando-se como uma força
libertadora!
BREVES PALAVRAS DE NIKOS KAZANTZÁKIS SOBRE JESUS CRISTO
" A substância dualista de
Jesus Cristo, o desejo ardente, tão humano, tão super-humano, do homem de
atingir Deus, tem sido sempre um mistério profundo e indecifrável para mim.
Minha principal aflição e a causa de todas as minhas alegrias e sofrimentos
desde a minha juventude, tem sido a batalha infindável e impiedosa entre a
carne e o espírito... e minha alma é a arena onde esses dois exércitos se
encontram e se digladiam" (Nikos Kazantzákis)
EVOLUÇÃO MATRIMONIAL
Na gênese,
Eros comanda
autoritário,
suprindo carências
desmesuradas.
Então, vem a Philia
para complementar
tal desmesura,
tornando-se mais sólida a união.
Contudo,
quando a progênie surge...
Ágape resplandece
para concretizar a
harmonia matrimonial.
EVOLUÇÃO ?
O principal livro de Charles
Darwin: A origem das espécies, revolucionou na época a visão que se tinha do
mundo, escandalizando inclusive, a "nobreza" inglesa, fazendo
suposições novas e instigantes: A Bíblia é uma compilação de literatura
judaica, grega, babilônica etc., e não palavra de Deus, ditada pelo Espírito
Santo. O homem e as outras espécies, não são criações "diretas" de
Deus, provém de uma série de evoluções, havendo a hipótese que surgiram
primatas. O mundo, como se acreditava na época, não tinha alguns milhares anos
de idade, e sim, evoluído ao longo de milhões de anos. Essas concepções eram de
difícil aceitação, não somente pelo nosso parentesco com os primatas, mas
também porque era praticamente impossível imaginar um processo evolutivo
cósmico sem a "mão" de Deus. Até a época de Darwin, havia um famoso
argumento criado por Paley, um teólogo, que afirmava que se fossemos passear no
bosque, e encontrássemos um relógio, haveria a suposição de um relojoeiro.
Paley, influenciado por Isaac Newton, que havia provado que o mundo era um
mecanismo equivalente ao de um relógio. Voltaire, também irá depois dizer:
"Tendo em vista que não pode existir relógio sem relojoeiro, assim, o
mundo deverá ter também uma inteligência que criou o Universo, deixando,
todavia, a história para os homens". A ideia de Darwin de um processo
cósmico regendo a si próprio, destituiu a esperança dos teólogos. O homem
passou a ser considerado uma etapa da evolução e a velha ideia de ele ser obra
suprema da criação, foi por água abaixo. O paradigma da evolução revolucionou o
mundo das ideias, acabando com a ideia de uma teleologia da história, do lugar
que o homem ocupa no mundo, de que haja um planejamento divino etc.; tendo em
vista que supôs que do modo como as coisas evoluem, não há como ser previsível.
Todavia, sua contribuição deve, ser vista com olhos críticos, pois sua concepção
de luta pela existência e da sobrevivência do mais forte, foi transposto para a
sociedade, com Darwinismo social, cujo representante mais insensato foram os
nazis, com a ignorância de que que com a evolução, o homem alterou sua forma de
agir, quer dizer, gerou uma espécie que criava seu ambiente próprio,
culturalmente. Excluindo a concorrência entre espécies diferentes, não podendo
ser aplicada às normas dentro da mesma espécie. Ao criar o mito da raça
superior, os Nazis cometeram esse grave equívoco, trazendo consequências
nefastas para o mundo. Nietzsche, em seu livro: Crepúsculo dos ídolos, se
coloca numa posição anti-darwinista, pois para o filósofo alemão" as
espécies não crescem em meio à perfeição: os fracos sempre se tornam novamente
senhores sobre os fortes. Isso acontece porque eles estão em grande número e
porque eles também são mais inteligentes... Darwin esqueceu o espírito (-isto é
inglês!), os fracos possuem mais espírito...”. Nietzsche, entende espírito,
como: "a cautela, a paciência, a astúcia, a dissimulação" e grande
parte de nossas "virtudes" que não passam de mimetismos.
CONHECE-TE A TI MESMO (GNÔTHI SEAUTÓN)
Na Grécia primitiva, de acordo
com vários helenistas, o significado dessa máxima do oráculo de Delfos era:
"Tu Sabes que não és imortal, sabes que não és um deus", todavia, o
seu significado mudou, e, a partir século V a.C., o filósofo Sócrates é
considerado pelo oráculo acima, o homem mais sábio da época, pois provavelmente
interpretou essa máxima, num sentido da sua própria: "A vida não examinada
não merece ser vivida”. Nietzsche, escreveu: " Na origem de nossas buscas,
o que o oráculo proclama é: "Conhece-te a ti próprio", para ele, os
símbolos apontavam para a libertação do "Eu". Freud, por sua vez,
influenciado por Nietzsche, disse que a máxima significava a procura de um eu
mais profundo, visando-se "libertar" da força castradora do Superego.
No final do século XX, a máxima passou a ser interpretada como: "Tu sabes
de onde vens, porque o passado não pode ser destruído e é historicamente
conhecido”. A antiga máxima helênica, tem diferentes significados em diferentes
épocas, sendo eterna, está aberta para novas interpretações. Ela é de máxima
importância na vida de todos nós.
CONVITE
A essência convida à existência.
Existindo, a essência brota em si mesma.
Manifestando-se em cada ato de ser.
E no encontro que precipita o momento,
Traz o prazer da palavra.
Que se transforma em manifestação,
Para o encontro do outro em si mesmo.
Na fusão do si mesmo com o outro,
Elevação, êxtase, transcendência, superação!
ABERTURA EXISTENCIAL
Tudo em volta,
abre-se em cores.
A essência se aniquila
diante da existência.
O real torna-se mais claro
através da ação.
Libertar o Ego,
libertando-se do mundo.
Preocupando-nos,
à distância.
Contemplação,
apreciação,
Ação,
transvaloração,
Superação.
A MASSA HUMANA COMO OBJETO - VIL UTILITARISMO
Atado as "banalidades do
cotidiano" a grande massa humana ignorante segue sem rumo, acorrentada
através dos tempos pelos valores da tradição, forma uma "caoticidade" estéril ao
ponto de o homem se tornar objeto, número. Como consequência, há uma crescente supressão
das individualidades criadoras de novos valores e uma hipervalorização dos
valores "utilitaristas" para fins de mercado, nivelando a sociedade
por baixo.
RUMO AO DESCONHECIDO
Percorrer novas estradas.
Nunca com a
mente fatigada.
Em um mundo mentido
Resta nos levar ao
banquete prometido!
Fracos contatos parcos
Muitos para o além
Desperdiçados.
Em vão,
Nutrimos esperança
da Eternidade.
No devir: Incertezas.
Momento trágico: Total afirmação
dos Instantes.
PODER E POTÊNCIA: UMA DISTINÇÃO NECESSÁRIA
Esses dois termos possuem e
derivam, respectivamente, do Latim: Potestas e Pontentia, sendo indispensável
haver uma diferença entre eles. Spinoza, no prefácio de sua obra: Ética, na
parte V, Da potência do intelecto ou da liberdade humana, faz uma sutil distinção,
defendendo a tese de uma "potência da mente ou razão "(E, V, Prefácio,
p.345, Ed. Perspectiva), ao invés de um poder (potestas) que se pretenderia
absoluto e arbitrário. Segundo Gilles Deleuze, " um dos pontos
fundamentais da Ética consiste em negar a Deus qualquer poder (potestas)
análogo ao do tirano ou mesmo ao de um príncipe esclarecido". " Ele
não tem poder (potestas)mas apenas uma potência(potentia) idêntica a sua
essência" (Cf. em: Spinoza e os signos, p. 116, Ed. Rés). Para bem compreender
Nietzsche em nossa língua quando (Macth) é traduzido por "poder" ao
invés de "potência", deve ficar claro que "poder" não implica em
ter poder ou domínio sobre os outros e, também, porque para Nietzsche
"Vontade de Poder", não é um percurso exterior e, sim, a intensificação de
um "poder", identificado através de interpretações a partir de um processo
orgânico que pressupõe um perpétuo interpretar.
LIBERDADE - O Si Mesmo e o Outro
Quando as coisas que fazemos, pensamos
etc. são condicionados pelo poder do
outro, podemos dizer que não somos livres. Entretanto, quando o que pensamos e
fazemos nos transforma, fluindo
completamente a partir de nós, podemos afirmar que somos livres. O Si Mesmo é a
nossa autoexpressão e autodeterminação, sendo considerados a essência de nossa
liberdade. Quando o Si Mesmo está sob sujeição, não há ação e sim paixão e passividade.
O si mesmo é fonte de movimento, de ação que gera mudança, de transformação para
agirmos com autonomia. Podemos fazer uma análise e constatar que a política em
nosso país, do modo pelo qual é executada, há uma tendência para fazer com que
as pessoas se tornem dependentes e percam cada dia mais a liberdade.
NIETZSCHE- UM FILÓSOFO SEMITA
Nietzsche era inimigo do
nacionalismo e o considerava uma neurose da Europa de seu tempo. Ele preferia a
cultura francesa (Pascal, La Rochefoucalt, Voltaire, Stendhal). Os poucos
alemães que Nietzsche admirava eram: Goethe, Schiller, Schopenhauer e o “jovem"
Wagner porque esse, depois de ter-se declarado antissemita e nacionalista,
Nietzsche afastou-se dele e escreveu: "O caso Wagner" e
"Nietzsche contra Wagner”. Para Nietzsche, existiam duas principais
imbecilidades alemães: a antifrancesa e a antissemita. Podemos afirmar que
Nietzsche foi um filósofo semita. É verdade que ele rejeita as crenças do
judaísmo ortodoxo, assim como as do "cristianismo", que para ele
deveria ser chamado de "paulinismo”. O povo judeu, enquanto comunidade humana
inspirava-lhe uma grande admiração.
DE VOLTA AO LAR
A época do amor
nas ruas acabou.
Cai a noite!
Rompe direto
para nosso lar.
Onde as pessoas
ainda sentem
e não apenas escutam.
Gente viva,
transbordante de vida.
Sorrisos de divindades
à procura de trazer de volta
a sensibilidade perdida.
Onde o tempo nunca
é desperdiçado.
Onde nunca se espera,
sempre se alcança.
Nossos mais profundos
desejos!
MITO INDIVIDUAL
Espectro dissociado e alienado,
Vive a ilusão da Unidade.
Percorre a vida obnubilado.
Descentralizado, vive as quimeras
do mito individual.
Até que irrompa em seu ser,
a luz da linguagem.
Estruturada pelos Mathemas...
Perdidos no inefável,
Mundo da dialética metafísica.
DESPREZO
Pobre,vã ,
pueril humanidade.
Não tem desprezo
pelos Porcos de Guerra.
Continuem morrendo...
Não enxergam
que vosso sangue
apenas serve de humilhação.
Enquanto eles aumentam
infetos poderes,
Usurpando nossas vidas
enfraquecidas?
CAMINHOS NIETZSCHEANOS
Estamos caminhando pelos
desígnios místicos da Vida.
No Conhecimento:
Antropomorfismos.
Total liberdade para criar
novas possibilidades.
Eterno movimento
perspectivista.
Sem começo, sem fim.
Eterno Retorno do instante.
ETERNO CAMINHO
Com a objetividade tentamos alcançar a universalidade, com a inteligibilidade tentamos antecipar as incertezas, com a dialética progredimos para uma nova compreensão em um caminho que nunca para.
QUESTÕES DE VALORES
Devemos evitar fazer uma
reificação dos valores, ou seja, conceber nossos valores, acreditando, por
exemplo, que uma coisa boa seja uma característica inerente a determinado
objeto, p. ex: Viajar é bom. O uso do verbo ser deve ser feito com muita
cautela para não reificarmos, quer dizer, convertermos algo em coisa, fazendo,
assim, uma coisificação.
INTRODUÇÃO AO PENSAMENTO DE NIETZSCHE
O pensamento de Nietzsche se
caracteriza, fundamentalmente, por executar uma crítica radical da filosofia,
em sua base metafísica, na tentativa de superá-la. Para ele, foi Sócrates o
responsável pela divisão no pensamento, entre mundo real e o mundo aparente
sendo o verdadeiro fundador da metafísica ao postular um além-mundo inteligível
onde, o mundo efetivo, o real, foi considerado como aparência, implicando em
sua desvalorização. Em seu escrito, “Humano, demasiado Humano", ele
afirmou que toda metafísica poderia ser definida como:"(...) a ciência que
trata dos erros fundamentais do homem, mas como se fossem verdades
fundamentais” (Nietzsche: HDH; pg.28,Cia das Letras).A metafísica, ao postular
um além-mundo inteligível que seria o fundamento do real, ou seja, do mundo
efetivo, faz nela uma bifurcação, e isso implica uma dicotomia que conduz o
pensamento filosófico na tentativa de conhecer a essência das coisas, o mundo
como é em si mesmo, ou seja, conhecer e corrigir o Ser "(...)aquela
inabalável fé de que o pensar, pelo fio condutor da causalidade, atinge até os
abismos mais profundos do ser e que o pensar está em condições, não só de
conhecê-lo, mas inclusive de corrigi-lo"( Nietzsche:NT,p.93,Cia das
Letras). Tendo em vista que a “substancialização” ou “essencialização” do real
aponta para a direção de uma verdade fixa, permanente, imutável, eterna,
universal, e por conseguinte, à procura de um fundamento que seria a origem
ideal e o significado do mundo. Assim, na obra que inicia sua maturidade
intelectual, a partir de "Humano demasiado humano", a tarefa do
pensamento nietzscheano consistirá na eliminação de qualquer ideia de um
fundamento metafísico, transcendente, e de qualquer componente que postule um
além-mundo inteligível na elucidação dos juízos de valoração morais. A moral, a
partir de "Humano demasiado humano", passará a ser concebida como uma
criação totalmente humana e, portanto, uma crítica em sua base passará a ser
justificada, pois, a partir do momento da negação de todo e qualquer componente
transcendente, a gênese dos juízos de valoração morais passará a ser, "Humana
,demasiada humana"."(...)Onde vocês veem coisas ideais, eu vejo -
coisas humanas,ah, somente coisas demasiadas humanas!”( Nietzsche:EH-pg.72 , Cia
das Letras).A crítica do pensamento de Nietzsche a moral e a metafísica têm
como causa o fato de que toda a tradição filosófica ocidental após Sócrates,
ter sido fundamentada radicalmente no primado da consciência, gerando desta
forma, uma filosofia do sujeito e da representação. "Por longo período o
pensamento consciente foi tido como o pensamento em absoluto” (Nietzsche:
GC-333, p.221, CIA das Letras). Assim, podemos afirmar que a consciência foi
concebida como o recinto por excelência do pensamento filosófico, até o martelo
de Nietzsche "quebrar essa e concepção, ou melhor, a concepção de que o
conceito de consciência esteve sempre ligado intrinsecamente com o próprio
pensamento, havendo uma identidade entre eles. Para Nietzsche “a consciência
desenvolveu-se apenas sob a pressão da necessidade de comunicação"; Nietzsche:
G.C.354, pg.248, Cia das Letras). Desta forma, Nietzsche observa que os seres
vivos em confrontação, por meio da luta com o meio ambiente, tiveram que
adquirir órgãos capazes de lhes assegurar a sobrevivência, a consciência seria
um desses órgãos, e como ele bem escreveu: “A consciência é o último e
derradeiro desenvolvimento do orgânico e, por conseguinte, também o que nele é
mais inacabado e menos forte" Nietzsche: GC-11, pg.62, CIA das Letras).
Assim, fica esclarecido que a consciência não é uma instância inata, a priori
no ser humano, como pensou toda a tradição filosófica, ela surgiu como um meio
de comunicação e o que se dá ao nível da consciência é apenas o mais
superficial e encobre a atividade maior que é a inconsciente “apenas começa a
raiar para nós a verdade de que a atividade de nosso espírito ocorre, em sua
maior parte de maneira inconsciente” (Nietzsche:GC-333, p.221, Cia das
Letras).Na modernidade, com o advento da filosofia de Descartes, houve uma
preponderância do conceito de consciência como res cogitans e, assim ela passou
a ser a condição sine qua non para todo filosofar. Ora, se Descartes, ao
“descobrir” o cogito, fez uma retomada de uma nova maneira, através de um longo
percurso de transposições de concepções tais como: A ideia, Motor Imóvel,
Substância, Deus etc. ele continuou segundo Nietzsche, preso à dicotomia
substancial que foi instaurada pelo Platonismo. Para Nietzsche, espírito e
corpo não constituem unidades distintas entre si, mas estão totalmente e
intrinsecamente relacionadas. O eu consciente, que foi considerado pela
filosofia como o núcleo onipresente, ser pensante da vida, passa, após a
crítica demolidora de Nietzsche, a ser considerado como uma “pequena razão”,
tornando-se instrumento da “grande razão”, ou seja, das funções orgânicas que
permitem ao ser humano conservar-se e expandir suas forças. Desta forma, para
Nietzsche o pensamento não pode ser confundido com a consciência, muito pelo
contrário ele ultrapassa a ideia de consciência de toda a tradição filosófica.
Nietzsche percebe que atrás do conceito de consciência está a noção de um
“sujeito", de um "eu" e para Nietzsche a identificação do
sujeito com a razão é uma “ilusão”, uma “ficção”, “um artigo de fé”, enquanto
fundamento da verdade através da linguagem é um" jogo de forças". "Não
existe um Ser por trás do agir, a ação é tudo”. “Pois assim como o povo
distingue o corisco do clarão, tomando este como ação, operação de um sujeito
de nome corisco, do mesmo modo a moral do povo discrimina entre a força e as
expressões da força, como se por trás do forte houvesse um substrato
indiferente que fosse livre para expressar ou não a força. Mas não existe tal
substrato; não existe "ser" por trás do fazer, do atuar, do devir; “o
agente " é uma ficção acrescentada a ação- a ação é tudo.” (Nietzsche: GM:p.36,
Cia das Letras). Influenciado por Schopenhauer e Spinoza, Nietzsche toma o
corpo como fio condutor, e desta forma inverte o pensamento de toda uma
tradição idealista, que sempre privilegiou a consciência, a alma, como
instrumento para o saber; seu objetivo consiste em romper com o dualismo
mente/corpo que predominou em toda a história da filosofia, para estabelecer o
corpo como uma “grande razão”. “E frequentemente me perguntei se até hoje a
filosofia, de um modo geral, não teria sido apenas uma interpretação do corpo e
uma má-compreensão do corpo” (Nietzsche: GC-2, p. 12, Cia das Letras). A
concepção que Nietzsche tem sobre o corpo, é como sendo uma sede de uma
multiplicidade de impulsos hierarquicamente organizados, de modo a formar um
todo orgânico, onde não há um sujeito racional que comande todas as suas
funções, tendo em vista a complexidade do dinamismo corporal. Ou seja, para ele
seria impossível a um único órgão manter um controle total sobre o organismo. O
corpo seria a “grande razão”, a consciência é caracterizada como um
instrumento, como a “pequena razão”. “Instrumento de teu corpo é, também a tua
pequena razão meu irmão, à qual chamas “espírito”, pequeno instrumento e
brinquedo da tua grande razão” (Nietzsche; Z; Dos desprezadores do corpo, p. 51,
Ed. Civ. Brasileira-1977). Desta forma, fica claro que em contraposição ao
dualismo mente/corpo, Nietzsche entende o corpo como uma multiplicidade de
Vontades de Potência, ou seja, o corpo como uma grande razão representando uma
síntese mais complexa de que a abstrata ideia de uma unidade representada pelo
“eu”. “Atrás de teus pensamentos e sentimentos, meu irmão, acha-se um soberano
poderoso, um sábio desconhecido - e chama-se o ser próprio. Mora no teu corpo,
é o teu corpo”. (; Nietzsche, Z; Dos desprezadores do corpo, p. 51, Ed. Civ.
Brasileira, (1977). A metafísica é compreendida por Nietzsche, de uma maneira
fragmentada e hierarquizada entre dois mundos: o mundo inteligível,
"superior", verdadeiro e o outro, o mundo aparente, sensível,
"inferior"; inter-relacionado com o problema dicotômico
espírito/corpo, herança Platônica que funcionava como fundamento do mundo
sensível. Com a remissão nietzschiana ao corpo, aos afetos, aos sentimentos,
aos instintos, à Vontade de Potência, colocando em xeque, as noções cartesianas,
herança do Platonismo, tais como: substância, unidade, permanência, eu. Pela
concepção filosófica tradicional o homem através do uso da razão, da
consciência, foi concebido como critério para avaliar os valores, mas para
Nietzsche é justamente o oposto. O homem não é o critério “o homem é algo que
deve ser superado” e sim, a Vida, a vida compreendida como Vontade de Potência,
é que estratifica a criação dos valores, contudo não de maneira fundante.
Sempre de maneira perspectivista, que cria constantemente e incessantemente
novos horizontes de significação, em um jogo que não para, visando a afirmação
cada vez mais vigorosa das relações de força com a vida. Ao postular um eu que
seja o aspecto fundante, a metafísica criou dicotomias insolúveis, com as quais
,pretendeu explicar os fenômenos do mundo, daí a afirmação de Nietzsche “A
crença básica dos metafísicos é a crença nas oposições de valores”
(NIETZSCHE;BM;pg.10; Cia das Letras) que
vem abalar a fundamentação de tal procedimento, pois, problematizar a noção de
eu, de consciência, de razão, implica deixar para trás, tanto a unidade quanto
sua oposição, a pluralidade entendida pelos metafísicos como oposições. O corpo
criador está num horizonte isento de preocupações fundantes ou sistemáticas
“(...)desconfio dos sistemáticos e me afasto de seus caminhos. A vontade de
sistema é uma falta de retidão.” (NIETZSCHE: CI; p. 13,Ed. Relume
Dumará,1988).Quando Friedrich Wilhelm Nietzsche emprega o corpo como fio
condutor para fazer oposição ao idealismo, que coloca a crença platônica do
corpo com “prisão da alma” vista no diálogo Fédon ,levando desse modo uma
relevável consideração aos sentidos, instintos, afetos como meio das relações
de poder que estão sempre em movimento, critica ,de forma incisiva todos os idealismos
da tradição filosófica embasados na postulação de um mundo suprassensível,
pois, para Nietzsche o corpo é um fenômeno muito mais evidente do que a fé na
suposição de um "eu", de uma alma, de um espírito. O uso do corpo
como fio condutor proposto por Nietzsche para fazer oposição a toda herança
filosófica ocidental socrático-platônica, faz com que os sentidos, os
instintos, os afetos obtenham um lugar privilegiado na filosofia, fazendo com
que todas as criações de valores tenham um fundamento corporal, pois eles
afirmam o corpo e a terra “(...) permanecei fiéis à terra e não acrediteis nos
que vos falam de esperanças ultraterrenas” (Nietzsche. 30, Ed. Civ. Brasileira
1977). A tentativa de transvaloração dos valores entra em cena, com a colocação
do corpo como “um soberano poderoso, um sábio desconhecido” e assim, inverte o
primado da consciência instalado por Platão e, levado ao ápice com Descartes,
com o a concepção do cogito, como instância reveladora da verdade. Todavia,
deve-se ficar esclarecido que Nietzsche não pretende inverter a dicotomia
alma/corpo, para corpo/alma, permutando as estimativas de valorações, para ele
o corpo é uma “grande razão” uma multiplicidade de Vontades de Potência, sendo
concebido como em um inexaurível campo de lutas , e um "jogo de forças
" entre os diversos instintos ou impulsos, numa busca para obter
preponderância sobre instintos mais fracos, da vitória que nunca cessa, onde os
sentimentos, os instintos, os desejos, os pensamentos estão inter-relacionados,
não constituindo, desta forma, atividades autônomas. As atividades do corpo
funcionam como meios de expressão, sintomas de crescimento ou declínio da
Vontade de Potência, estando em relações agonísticas múltiplas que nele se
consumam sem cessar. Fizemos esse percurso, apenas para mostrar que a
hipervalorizarão do conhecimento racional efetuado por Sócrates, culminou para
Nietzsche na decadência da cultura. Agora, voltaremos a questão do conceito de
consciência e de razão, para mostrar a crítica que Nietzsche fez a moral e a
metafísica, pois para ele, toda filosofia ocidental após Platão é uma filosofia
Moral, haja vista, a oposição entre sensível e inteligível. Em Humano,
demasiado humano, Nietzsche inicia sua crítica as interpretações metafísicas
transcendentes que foram alicerçadas na postulação de um saber em si, de um bem
em si, ou seja, ele questiona a pretensão transcendente na formulação desses
conceitos, o essencialismo, fruto do platonismo que se põe além do mundo da
experiência e da vida; e para tal, indica que os conceitos metafísicos têm sua
gênese na história humana, não havendo como ser considerada a possibilidade de
eles provirem de uma essência transcendente, que distinguiria o homem dos
outros animais. Desse modo, ele mostra o condicionamento das noções metafísicas
que foram consideradas incondicionais e atemporais. " Já a filosofia
histórica, que não se pode mais conceber como distinta da ciência natural, o
mais novo dos métodos filosóficos, constatou, em certos casos(e provavelmente
chegará ao mesmo resultado em todos eles), que não há opostos, salvo no exagero
habitual da concepção popular ou metafísica, e que na base dessa contraposição
está um erro da razão" (NIETZSCHE:HDH,p.15, Cia das Letras) Para o
filósofo da Alta Engadina,a consciência tem em sua formação ,componentes
históricos,sociais,psicológicos, e assim chega-se à conclusão que o mundo não é
mais "nada" do que o produto de representações, que em nada
correspondem Ao “mundo efetivo”, ao real. Através do uso da consciência pela
linguagem, os homens pensaram que tinham acesso direto a esse mundo "(...) o criador da linguagem não foi
modesto a ponto de crer que dava às coisas apenas denominações, ele imaginou,
isto sim, exprimir com palavras o supremo saber das coisas"(NIETZSCHE:HDH,pg.21,
Cia das Letras).Dessa maneira, vimos que os conceitos tais como: consciência e
seus correlatos: "alma" e "espírito", foram vinculados a
tradição metafísica, que por sua vez destacaram uma "essência" que
não é humana, estando ligada a uma esfera transcendente.
CALOROSA PRESENÇA
Com sua presença
senti uma alegria
que há muito desejava.
Seu sorriso abraçou-me
renovando-nos plenamente.
Transmutando-nos com
beijos e abraços.
Fria a noite estava.
Sua presença transformou-a
em calor humano.
Calor que sorri.
Calor que chora.
Calor que nos transforma!
Calor que desiste do
espírito de vingança.
Calor que aniquila
todo sentimento hostil.
Calor que alimenta a esperança.
Calor que vence o cansaço.
Calor que enxuga lágrimas.
Calor que traz novas conquistas.
Calor que nos renova
no caminho da luz e da
liberdade.
EQUÍVOCO NA DIVISÃO DO PENSAMENTO OCIDENTAL
Há aproximadamente 3 mil anos, o
pensamento filosófico ocidental esteve dividido em duas correntes aparentemente
opostas. A corrente de Platão que foi até Whitehead e a de Heráclito que foi
até Hegel, Marx e Nietzsche. De um lado a realidade última do mundo residiu nas
formas imutáveis, sendo considerada invariante na sua essência. Do outro lado
foi, no movimento, na impermanência, no devir e na evolução que residiria a
única realidade do mundo. Todavia, segundo K. Popper, essas construções que
foram apresentadas como a priori, em verdade eram construções a posteriori, que
foram usadas para fundamentar uma teoria ético-política preconcebida. Para a
ciência o único a priori é o postulado da objetividade, que deixa de lado o
debate entre imutabilidade e a mudança para focar no estudo da evolução do
universo.
REFUTAÇÃO DE TEORIAS CIENTÍFICAS SEGUNDO KARL POPPER
Karl Popper propôs um mecanismo
de falseabilidade como ferramenta lógica para refutar teorias científicas, que
consiste em: Um enunciado ou uma teoria tem de serem refutados empiricamente
para serem científicos. Para ele, uma teoria científica autêntica deve ser
ousada e ir além dos dados empíricos disponíveis, desde que seja refutável.
" Admitirei certamente que um sistema só é empírico ou científico se for
suscetível de submeter-se a testes experimentais. Estas condições sugerem que a
falseabilidade e não a verificabilidade de um sistema que é preciso tomar como
critério de demarcação. Em outros termos, eu não exigiria de um sistema
científico que pudesse ser escolhido, uma vez por todas, numa acepção positiva,
mas exigiria que sua forma lógica fosse tal que ele pudesse ser distinguido,
mediante testes empíricos, numa acepção negativa: um sistema que faz parte da
ciência empírica deve poder ser refutado pela experiência" (Karl Popper,
in: A lógica da pesquisa científica).
KARL POPPER E O CRITÉRIO DA FALSEABILIDADE
Popper considerava que é
impossível encontrar um critério (ou conjunto deles) que permitisse provar a
verdade de uma proposição ou teoria. No entanto, se não se pode provar que uma
proposição é verdadeira, pode-se provar que ela é falsa, sob condição de que se
possa testá-la, ou seja, colocá-la à prova empiricamente. Se ela satisfizer a
essa condição está, desta forma havendo uma demarcação do que é ciência e de
que não é. Ao contrário, uma teoria que é capaz de tudo interpretar, sem
contradição, não deve ser tomada por uma teoria científica. Enfim, é através da
refutação que uma teoria encontra a demarcação a fim de satisfazer os critérios
de cientificidade, por isso, para Popper, a ciência consiste não só em
confirmação de hipóteses, mas em provas para ver se elas são refutáveis
empiricamente, através da identificação de contraexemplos, p.ex. Não podemos
provar se a psicanálise é verdadeira, porque não podemos torná-la falsa.
GILLES DELEUZE ALERTA OS LEITORES DE NIETZSCHE
Segundo Gilles Deleuze, a crítica
nunca deve ser concebida como ressentimento, nem como vingança, segundo ele: "A
crítica não é uma re-ação do re-sentimento, mas a expressão ativa de um modo de
existência ativo: o ataque, e não a vingança, a agressividade natural de uma maneira
de ser, a maldade divina sem a qual não se poderia imaginar a perfeição". Ver: EH, "Porque sou tão sábio".
HERÁCLITO DE ÉFESO
Obscurecido pela perfídia do mundo
HIPOCRISIA DOS CRISTÃOS E DA IGREJA
" Os cristãos nunca
praticaram as ações que lhes foram prescritas por Jesus: e o falatório
descarado sobre a "fé" e sobre a "justificação por meio da
fé", assim como sua significação suprema e única, é apenas a consequência
do fato de a Igreja não ter tido nem a coragem nem a vontade de se entregar às
obras que Jesus exigia". (Nietzsche, Frag. Póstumos, 1887-89.
CONDUTA NOS CAMINHOS
Ao querermos realizar tudo rapidamente, colhemos decepções. Mudando nossas atitudes, focando no planejamento de estratégias, as portas dos caminhos se abrirão e tudo fluirá mais harmoniosamente!
CONFUSO E ATORDOADO
Sempre, sempre
fica a dúvida.
Você quer se aproximar.
O sentimento está explícito.
Mas eu ando confuso.
Essa dúvida me faz
perder a cabeça.
Estou confuso e atordoado.
Você sabe que sim.
Chamou-me de louco,
Não pôde ver além?
Pense e veja além!
Porque eu não quero
ficar louco pela confusão.
Sim! A dúvida pode
enlouquecer.
Devolva-me a luz solar.
Ela brilha com você!
Seu reflexo em mim,
vidas paralelas!
Apesar de tudo,
meu coração está inteiro.
Ele tem uma grande alma!
E se você quiser,
o amor dará um jeito
para superarmos
e chegarmos a uma conclusão.
O amor sempre dá um jeito.
Ele quer acabar com toda confusão.
O amor faz a luz do sol brilhar,
e me devolver a lucidez.
PENSAMENTO E VIDA
A filosofia de Nietzsche é
interpretativa por excelência, porque, para ele o conhecimento é
perspectivista; diante disso, nunca devemos absolutizar ou categorizar os
conceitos usados por ele ao longo de sua obra. A sintonia direta com a vida
representa para ele o início da "verdadeira" filosofia, o autêntico
filósofo é aquele que faz experiências com a vida, não separando pensamento e
vida, todo academicismo representa um sintoma que a vida declinou e colapsou
com a vida prática separando-se dela, tornando-se puramente teórica.
O QUE DIZER DESSE FRAGMENTO DE ROUSSEAU, PERGUNTA-SE!
"A partir do momento em que
o serviço público deixa de ser a principal preocupação dos cidadãos, que
preferem servir com o dinheiro, e não mais com o seu empenho pessoal, o Estado
está perto de desmoronar". (Rousseau, Contrato Social)
CRESPÚSCULO VERMELHO
A luta continua
A incerteza do momento
é necessária a passagem.
As fronteiras estão fechadas
O plano há foi muito foi arquitetado
Não há saída!
Desesperadas
As flores vermelhas murcham
dia após dia.
Os olhares das Águias
acima nas montanhas
Observam suas presas
Prontas para agir.
A renovação está perto!
TODOS NÓS ... NINGUÉM!
Estamos perdidos no mundo do ente,
esquecendo o Ser, ou seja, a realidade maior. Infelizmente, a inautenticidade
sempre se sobrepõe a autenticidade, criando diversos subterfúgios. De acordo
com Heidegger, a Tecnocracia que hoje impera é o ápice do esquecimento do Ser.
Todavia, esse é o momento propício para haver a ultrapassagem e criar novas
possibilidades.
DESENCONTROS
Quando nos desencontramos fica muito difícil haver o reencontro!
Dito de outra forma: Agora que nos perdemos será muito difícil nos reencontrarmos!
A ARTE DE AVALIAR - INVERTENDO PERSPECTIVAS TRADICIONAIS
"Outrora se dizia de toda moral: "vós deveis conhecê-las por seus frutos"; eu digo de toda moral: ela é um fruto no qual reconheço o solo, a partir do qual ela cresceu"(Nietzsche, Frag. Póstumos:1887-89).
FILOSOFIA E CIÊNCIA
Da teoria clássica do
conhecimento à filosofia da ciência contemporânea, a questão-chave é saber o que
acontece, com as devidas justificativas epistemológicas., os objetos
particulares que se oferecem para a observação, a fim de conceber uma universalidade
na explicação, quer dizer, passar da contingência até a necessidade e
universalidade, onde o debate tem como objetivo fundamentar e construir um novo
modelo de racionalidade. A problemática relativa ao modo como teoria e prática
devem se aliar para que a "genuína ciência" seja gerada, tem provocado
inúmeros debates. O desencadeamento desse debate, tem como objetivo resolver o
problema da racionalidade científica, quer dizer, o consenso referente ao
conceito de racionalidade. As relações entre filosofia e ciência tem o ponto
comum no fato incontestável de ambas terem como objetivo principal aumentar os nossos
conhecimentos. A afirmação que a ciência
busca o crescimento em torno de argumentos particulares, enquanto que a
filosofia levanta questão sob as condições exigidas para se alcançar uma
verdade universal, lidando com os problemas mais gerais, tem como problema que
a distinção entre particular e geral não está clara e distinta, portanto, a
pretensão de encontrar uma demarcação universalmente válida entre elas pode ser
considerada uma ilusão, sendo mais sensato, limitarmo-nos a examinar as suas
relações a partir de um ponto de vista de uma distinção formal, tendo em vista,
que é problemática, também, a separação nítida entre ciência e metafísica. Hoje
em dia, existem correntes de pensamento que, ao partir das investigações dos
positivistas, dos neo-positivistas e dos pós-neo-positivistas, pensam que a
ciência e a metafísica são inseparáveis, pelo que a pretensão de contrapô-las,
uma à outra, ou também, de separá-las não pode deixar de ser uma utopia. O
discurso científico se distingue dos outros tipos de discurso, porque é
conduzido a uma constante exigência de rigor, sendo essencialmente crítico e
dinâmico, haja vista que nunca pretende chegar a uma conclusão definitiva,
absoluta, que não seja aprofundável posteriormente através dos instrumentos
teóricos e práticos que a comunidade científica dispõe. Tal exigência é de
máxima importância, porque ela caracteriza a própria noção de racionalidade,
quando aborda os problemas, discutindo-os sem preconceito, evitando todo e
qualquer recurso explícito ou implícito a uma certeza absoluta. Tanto o rigor
nas ciências formais, quanto o das ciências humanas estão sujeitos a
transformações, haja vista que nenhuma teoria pode se considerar rigorosa de
forma abstrata e isolada, sem levar em consideração as exigências de rigor
aceitas em uma determinada época, devido ao caráter histórico da ciência.
Podemos afirmar que a história das ideias científicas, foi uma série de
passagens para conjecturas, cada vez mais contrárias às regras metodológicas
vigentes, onde a maior eficácia técnico-cognoscitiva foi conseguida, através de
vários modos, onde é difícil ou até mesmo impossível, traçar rigidamente a
separação entre ciência e metafísica, haja vista que as teses e as antíteses
são internas a própria história da ciência, portanto, há uma tensão entre os
limites do conhecimento científico e a metafísica, desse modo, no trabalho
científico existe uma investigação sem um ponto final, sem um acabamento final
interno. A luta e as mudanças dos paradigmas, a controvérsia cientifica, seriam
justamente, as manifestações do conflito entre essas duas instâncias,
entendidas como, formas técnicas e dinâmicas do procedimento da razão
científica no seu percurso na história da prática científica, onde a transição
de um sistema para outro, deverá subsistir uma tendência para paradigmas,
teorias, programas de investigação etc. sempre mais gerais, capazes de absorver
as teorias precedentes, conferindo-lhes um significado mais abrangente e
clarificando as limitações das anomalias localizadas, causadas pela
incomensurabilidade no próprio sistema interno, quer dizer, como não possuindo
uma medida comum internamente, havendo a necessidade traduções e
reinterpretações, quer dizer de uma nova "hermenêutica" para
satisfazer diversos requisitos epistemológicos que forem necessários, visando
uma reformulação dos problemas encontrados, para cumprir a exigência de rigor
que lhe é própria, onde, através da experiência, não poderemos fundamentar
nenhum princípio dos fenômenos estudados. A experiência indica apenas os
caminhos a serem seguidos, pois nenhuma teoria científica se limita a aceitar
passivamente os dados da experiência, muito ao contrário, ela os corrige,
quando, por exemplo, ela nos fornece dados que antes eram ignorados, nos
indicando uma determinada direção que devemos proceder com as nossas
investigações para entrar em contato de modo mais correto com o fenômeno que
está sendo examinado, colocando-o ao lado de outros, anteriormente
experimentados, mostrando-o que ele existe sempre relacionado a certo
contexto histórico e cultural onde ocupa
um lugar que é passível de precisão e integração, para depois, podermos
enquadrá-lo numa teoria, seguindo as indicações por ele fornecidas. Esse é um
dos modos de procedimento da ciência, por meio de uma dialética entre o
registro dos dados observados e a consequente elaboração teórica, onde nunca
haverá um ponto final em sua investigação. Podemos fazer uma análise crítica
aos outros campos dos saber, tendo em vista que o dogmatismo que a filosofia da
ciência combate, pode sem dúvida, incluir muitas áreas de conhecimento, entre
as quais: a Religião, a Economia, a Política. No que diz respeito à Religião,
podemos questionar se o cristianismo deve, realmente, ser considerado
absolutamente superior às demais religiões, tal como foi proclamado através da
cultura ocidental. No que diz respeito à Economia, podemos questionar suas
próprias leis que são baseadas unicamente na experiência. Ora, a experiência
não está em condições de fornecer quaisquer conclusões absolutamente válidas,
de acordo com as considerações críticas dos epistemólogos pós-modernos. Na
Política, podemos fazer um questionamento acerca do conceito de liberdade que é
usado, retoricamente, como um princípio metafísico que lhe concebe um caráter
absoluto. Rigorosamente questionando, a palavra "liberdade" não
denota um conceito preciso, havendo a necessidade de distinguir vários tipos de
liberdade, de acordo com os contextos, por exemplo: o cultural, o econômico,
físico, histórico etc. O problema é que, ao fazer esse exame crítico, conduz a
epistemologia moderna, justamente a uma tarefa nada fácil, que é a de
estabelecer uma nítida distinção, entre a retórica e o especificamente:
religioso, econômico e político, acima referidos e analisados.
OBRAS CONSULTADAS:
1)MORA, J.F. Dicionário de Filosofia. São Paulo:Ed.
Loyola,2000.
2)ABBAGNANO, N. História da Filosofia em 12 volumes. Lisboa.Ed.
Presença,2001.
3)LACROIX, A. A razão. Rio de Janeiro. Ed. Vozes, 2009.
4)MEDAWAR, P. Os limites da ciência. São Paulo.Ed.
UNESP,2005.
5)HUISMAN, D. Compêndio Moderno de Filosofia. São Paulo.Ed.
FreitasBastos,1978.
6)OMNÉS, R. Filosofia da Ciência Contemporânea. São
Paulo.Ed.UNESP.1995.
EDUCAÇÃO OBSOLETA
Nossa educação tradicional e muito formal está desatualizada e raramente inclui formações sobre maneiras de aprendizado, como melhorar efetivamente a memória, como aumentar a criatividade etc.
SEDUTORES COMPULSIVOS
Sedutores compulsivos que tentam afirmar sua
"masculinidade" procurando freneticamente pela mulher "perfeita" escondem seu ódio por mulheres reais!
MUDANÇA DE PARADIGMA COGNITIVO
Muitas pessoas com uma
mentalidade fixa acreditam que todos nascem com habilidades em níveis fixos. O
QI tradicional não pode prever um aspecto muito importante da superdotação: a
criatividade. Os testes de QI apenas medem nossa capacidade de pensar logicamente
sobre problemas simples. A criatividade consiste em considerar múltiplas
abordagens para um determinado problema complexo, sem prescindir de nenhuma
delas.
ESTADO DE NATUREZA E CONTRATO SOCIAL - DOIS MITOS INTERLIGADOS
O filósofo norte-americano
Mortimer Adler em seu livro: Dez erros filosóficos, p.184, Vide Editorial, argumenta
que, tanto o estado de natureza quanto o contrato social, são dois mitos da
sociedade humana que estão interligados, segundo ele: "O que é chamado de
estado de natureza é algo totalmente mítico e que nunca existiu na Terra. isto
deveria ser óbvio a todos, a luz do fato incontroverso de que espécie humana
não poderia ter sobrevivido sem a existência de famílias que protegessem as
crianças dos perigos do mundo, incapazes que são de cuidar de si mesmas".
Paralelamente, no que se refere ao contrato social, ele considera outro erro
filosófico porque "é a ficção segundo a qual os seres humanos, insatisfeitos
com a precariedade e brutalidade da vida no estado de natureza, decidiram não
mais aceitar essa situação e concordar com certas regras e convenções para
conviver sob alguma forma de governo que substituísse a anarquia e elimina-se o
seu isolamento e autonomia".
NIETZSCHE E A FELICIDADE
Não há dúvida de que a felicidade
é um valor desejável, mas Nietzsche nos alerta que ela é fruto de coisas
maiores e mais importantes em nossas vidas, um valor pessoal que não deve ser
buscado sozinho. É tolice buscar a felicidade em si mesma, pois ela não existe
em si mesma, apenas momentos de felicidade podem ser duradouros ou não,
dependendo da qualidade de vida que vivemos, levando em conta a seletividade e
o modo como vivemos. Ficamos felizes quando melhoramos nossas vidas aumentando
nossa criatividade para superar resistências. Cf. A-108, AC-2, Z-3.
MUDANDO NOSSAS CRENÇAS SOBRE A INTELIGÊNCIA E DONS NATURAIS
Prática com objetivo, foco,
concentração, e ter uma mentalidade de constante crescimento progressivo irá
nos ajudar a ter sucesso em todas as áreas, principalmente no mundo acadêmico.
A conclusão que os experts em cognição chegaram é que se faz necessário muita
prática para se tornar um mestre numa habilidade qualquer. Para qualquer
habilidade, nós precisamos de prática deliberada, quer dizer, prática
estruturada em que nós iremos trabalhar duro para melhorar nossas áreas mais
fracas. Doutores, mestres, professores e treinadores são particularmente úteis
para esse fim. Estudos realizados no aperfeiçoamento da cognição, descobriram
que quem pratica constantemente, tinha uma melhor performance, é a prática
deliberada, e não o talento, que faz toda diferença. Ter uma mentalidade de
crescimento também nos empurra para conseguir mais. Muitas pessoas com uma
mentalidade fixa acreditam que todos nascem com habilidades em níveis fixos. Se
alguém falhar em um teste específico, elas irão tomá-lo como um sinal de que ela
não tem o Dom. As crianças irão desenvolver uma mentalidade fixa, se disserem
regularmente que ela faz as coisas bem-feitas, porque elas são talentosas. Por
outro lado, estudantes com uma mentalidade de crescimento acreditam que eles
podem melhorar suas capacidades e habilidades. Acima de tudo, uma mentalidade
de crescimento leva a um melhor desempenho. O tradicional QI não pode prever um
aspecto muito importante da superdotação: criatividade. A criatividade é uma
coisa extraordinária. Realmente não conseguimos explicar o que é ou como surge,
mas sabemos que é muito poderosa. Ela tem a ver com o desenvolvimento de ideias
novas e favoráveis, sendo uma parte essencial para haver uma efetiva solução de
problemas. Testes de QI apenas medem nossa capacidade de pensar logicamente
sobre problemas simples, que é certamente uma parte importante da inteligência.
No entanto, testes de QI não medem criatividade, porque a criatividade não é
algo simples. A criatividade tem a ver com a consideração de múltiplas abordagens
para um determinado problema complexo, sem dispensar nenhum deles. Todos os
investigadores cognitivos que usaram métodos para medir a criatividade das
crianças, na tentativa de provar que ter uma alta pontuação de QI
correlaciona-se com o gênio criativo, falharam! Não existem quaisquer medidas
fixas, universais da inteligência que determinam o sucesso de uma pessoa.
Pesquisadores sugeriram que as pessoas precisam de dez anos de intensa prática
para se destacar em um determinado campo, mas mesmo isso é apenas uma média.
Nenhuma regra pode prever o sucesso,
pesquisadores chegaram à conclusão de que toda a Educação deve ser reformada
para corresponder as novas compreensões que temos da inteligência, pesquisam
indicam que a maioria das crianças concordaria que os métodos de ensino
precisam mudar. Os alunos devem ser treinados para desenvolver seus próprios
objetivos, todos concordam que a tecnologia, também, pode melhorar a educação.
Se queremos realmente transformar a educação, temos que parar de medir o sucesso
com notas e pontuações de QI, e começar a medi-lo de modo diferente porque o
atual sistema de ensino tradicional não é eficaz o suficiente para crianças
altamente inteligentes! Então em vez de conceber a inteligência como uma
pontuação em um teste de QI precisamos começar a atentar para o conceito de
inteligência dinâmica e múltipla. As crianças merecem ter uma palavra a dizer
como está a sua educação escolar. A maneira mais simples para começar a
descobrir o que elas estão interessadas no que aprender é perguntar a elas.