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NIETZSCHE E A RACIONALIDADE

Qualquer hipótese de uma autonomia da Razão, é para Nietzsche, uma ilusão. A concepção tradicional,usada pela racionalidade,através do  conceito de consciência , do cogito ou do eu-penso é uma manifestação superficial e algo de secundário.Nietzsche segue o fio condutor de Leibniz, afirmando:" a consciência é tão-só um accidens(acidente) da representação, não o seu atributo necessário e essencial; que ,portanto,isso que denominamos consciência constitui apenas um estado de nosso mundo espiritual e psíquico e de modo algum ele próprio"(Gaia Ciência-357). As nossas representações,feitas através do pensamento consciente,são manifestações de uma raiz mais profunda de forças denominada por ele de "Vontade de Potência", ficando impossível de delimitar as fronteiras da consciência, não sendo,portanto, atributos do ser que pensa, são atributos das forças que agem à  revelia do nosso querer consciente,atuando através de suas "razões" inconscientes de maneira necessária.

O EXISTENCIALISMO É UM HUMANISMO


Jean Paul Sartre, escreveu esse ensaio, com a finalidade de responder as várias críticas, efetuadas sobre maneira, por marxistas e religiosos que compreenderam mal seu pensamento, acusando-o de, pelo fato de o existencialismo conceber a existência como algo a priori, estar em falta com a solidariedade humana, por prevalecer uma compreensão de um individualismo exagerado e um pessimismo desesperado, através de clichês tais como “o homem é uma paixão inútil” e “a angústia é a essência do homem”,etc.
  Ele se defendeu dessas acusações afirmando que apenas o existencialismo possibilitava ao homem uma vida autêntica, onde reconhece verdadeiramente o valor da individualidade. A bem da verdade, seus opositores tinham medo da doutrina existencialista tendo em vista que ela dá possibilidade de escolha autônoma ao homem, o que não ocorre com as filosofias idealistas, nas quais, é a essência que precede a existência, limitando, destarte, o agir humano a uma instância transcendente e ilusória. Desta forma, ele explicitou mais claramente seu pensamento de todos esses impasses, para mostrar que na realidade o existencialismo tem um aspecto verdadeiramente otimista, no sentido de que o homem não mais se ampara em ilusões transcendentes e sim nas suas escolhas para determinar sua vida e dar a ela um projeto autenticamente antropológico.Ao fazer uma análise da filosofia Iluminista, ele percebe que apesar da tentativa de eliminar a transcendência, eles ainda conservavam a teoria essencialista, embora disfarçadamente. No século XIX, com Kierkegaard, começa a se desenvolver uma reviravolta e uma crítica mais contundente,principalmente, a herança idealista Kantiana e Hegeliana, enaltecendo a individualidade e subjetividade autêntica como ponto de partida filosófico, pois, a ideia de absoluto ainda sobrepujava muitos pensadores. Todavia, esse gérmen do existencialismo era menos coerente, pois ainda se afirmava na fé. No século XX,  a abordagem agnóstica de Heidegger, pela qual Sartre foi influenciado, era mais coerente e autêntica, de forma que ao recusar a transcendência,  fica o reconhecimento da condição humana como sendo ,a priori, transcendente, fundamentando o princípio do existencialismo, que afirma que o homem é antes de tudo um sujeito de ação que só existe através de suas escolhas construindo o que ele quer ser, sendo desta forma mais digno por ter consciência de sua própria existência. Não se pode assertar para os existencialistas que existe uma natureza humana, pois, essa noção pré-definiria o homem antes de existir. O homem é totalmente responsável por todos os seus atos, (Sartre nega o Inconsciente) através de suas escolhas, todavia, a responsabilidade não é totalmente individual, pois a escolha é feita também para outros, tendo em vista a intersubjetividade do ser-para-si em relação ao ser-para-outro. Desta forma, escolhendo o que consideramos melhor, se interrelacionamos melhor com os outros, pois, todo ato individual “engaja toda a humanidade” e isto é concebido pela nossa consciência diante da responsabilidade das escolhas que valem para toda a humanidade gerando angústia e, portanto liberdade que é concebida como condição das ações humanas pelo fato da contingência absoluta das possibilidades múltiplas, “a contingência ou absurdo não é um falso semblante, uma aparência que se possa dissipar”. A má-fé constitui uma mentira dita pelos indivíduos a si mesmos, pela qual se opta como forma de fugir à liberdade, representando papéis como se os mesmos constituíssem suas realidades. Sendo o homem ação intencional, na sua liberdade de agir ele está desamparado, pois, “nenhuma moral geral pode indicar o que deve ser feito”; esse dito, que poderia passar por um individualismo desesperado mostra-se ao contrário, um otimismo humanista, onde o sujeito que sabe que é livre e consciente, também percebe que o outro sujeito também o é; o outro “é como uma liberdade diante de mim”, e toda condição implica nessa tomada de consciência do outro, desta forma, existe um valor universal nas escolhas individuais, no entanto, essa universalidade é construída subjetivamente, pois, os outros a podem compreender e se projetar através do engajamento político, permitindo querer à liberdade do outro ,enquanto buscamos a nossa e isso é o que constitui a “moral” existencial ou “o existencialismo humanista”.
   Sartre critica os comunistas ,por eles subsumirem os indivíduos em classes, alienando-os, aniquilando sua liberdade intrínseca a um partido ou ideologia, tendo em vista que o engajamento político não consiste em aderir a classes , partidos, etc., trantando o  homem como um meio, tornando-o um mero objeto. Para Sartre, o pensamento marxista era uma antropologia empírica que partia de elementos , biológicos, sociais, etc., para ele, o marxismo teria, para ser vivo, incorporar a Fenomenologia que descobre que os fatos primeiros não são os fatos sociais(Durkheim), mas os da consciência, ele não aceitava a teoria do homem como simples resultado das condições materiais, biológicas e sociais, ao contrário, o existencialismo é um humanismo na medida em que é uma filosofia da ação engajadora, não quietista, que leva em conta a subjetividade através das escolhas livres e conscientes, relacionadas com as escolhas e projetos dos outros seres humanos.

BIBLIOGRAFIA:
l) O Existencialismo é um Humanismo - Abril Cultural(Os pensadores-1985)
2) Dicionário de Filosofia- Ferrater Mora - Ed. Loyola.
3) Sartre – Gerd Bornheim - Ed. Perspectiva.
4) Hist. Da Filosofia - Nicola Abbagnano - Ed. Presença

THOMAS KUHN E A NOÇÃO DE PARADIGMA

O paradigma Kuhniano, é uma teoria ou sistema dominante durante algum tempo numa área científica determinada como, por exemplo, nos sistemas ptolemaico e copernicano, nas mecânicas newtonianas e einstenianas, etc.; incluindo  regras metodológicas , elementos axiológicos e metafísicos.Os aspectos ou ingredientes principais do paradigma Kuhniano são : 1)Lógico Formal: generalizações simbólicas, nas quais funcionam em parte como leis em parte, como definições de alguns símbolos que elas empregam.2) Metafísico: modelos os quais fornecem a uma comunidade científica as analogias ou metáforas 3) Axiológico: valores, tais como: coerência interna e externa, simplicidade e plausibilidade das teorias. 4)Técnico: exemplares ou soluções concretas de problemas que os pesquisadores encontram desde o início de sua pesquisa nos laboratórios e exames. 5)Sociológico: todos os aspectos anteriores são partilhados por uma comunidade científica. A aplicação estável de um paradigma constitui a “ciência normal”; a descoberta de “anomalias”,quer dizer, fenômenos que o paradigma tradicional não consegue explicar, inicia uma nova revolução científica, isto é, a busca de um novo paradigma. Quando esse é adotado por uma comunidade, temos o progresso científico.Toda revolução científica é precedida por períodos de crise diante dos questionamentos,dificuldades(anomalias) pelo qual o paradigma vigente em uma comunidade científica não pode mais mante-se.Podemos afirmar que o principal problema apontado por Thomas Kuhn é a sua postura crítica, que nega a existência de verdades objetivas e absolutas,não sendo possível postular uma verdade permanentemente.

POPPER E O CRITÉRIO DA FALSICABILIDADE

  Karl Popper considerava que é, impossível, encontrar um critério(ou conjunto de critérios) que permita provar a verdade de uma proposição ou teoria; contudo, se não podemos provar que uma proposição é verdadeira, podemos provar que ela é falsa, na condição de testá-la, colocá-la à prova empiricamente. Se ela satisfaz a essa condição de falsificabilidade,  então, está havendo uma demarcação do que é ciência e de que não é. Ao contrário, uma teoria que é capaz de tudo interpretar, sem contradição, não deve ser tomada por uma teoria científica. Enfim, é através da refutação que uma teoria encontra a demarcação a fim de satisfazer os critérios de cientificidade, por isso, para Popper, a ciência consiste não só em confirmação de hipóteses, mas em provas para ver se elas são refutáveis empiricamente, através da identificação de contra-exemplos.

O PROBLEMA DO FUNDAMENTO EM HEIDEGGER

  A tematização acerca do problema do fundamento surge, em Heidegger, de uma nova maneira, tendo em vista que ele se confunde e se problematiza com o da transcendência “ (...)então também o problema do fundamento só pode residir onde à essência da verdade obtém a sua possibilidade interna, na essência da transcendência. A questão da essência do fundamento torna-se o problema da transcendência” (HEIDEGGER Martin, A essência do fundamento, Ed. 70, Pg. 29). Desta forma, toda a tradição filosófica pós-platónica abordou o fundamento ora como: Ideia, Causa Primeira, Deus, P. Razão Suficiente, Substância, etc. A ontologia para essa tradição é “o estudo do ser enquanto ser” que transcende a temporalidade, deste modo, ela  postulou princípios fundamentais que, esquecendo o Ser, houve uma abordagem focada para os entes em detrimento do estudo do sentido do Ser.Para Heidegger é fundamental e imprescindível fazer a distinção entre Ser e Ente, diferença essa que foi confundida pelo pensamento ocidental tradicional e sobretudo com a  sua tarefa ,também, importantíssima de dar ao Tempo uma nova concepção que a Metafísica havia feito, ou seja,  o tempo compreendido ora,como “Imagem móvel da eternidade” (Platão), ora como “Duração entre eventos” (Aristóteles), para a nova concepção sobre o  tempo, como presença, sendo inerente ao Homem.
Na asserção:“A questão da essência do fundamento torna-se o problema da transcendência” (HEIDEGGER Martin, A essência do fundamento, Ed.70, Pg. 29), já que há um entrelace originário entre verdade, fundamento e transcendência, sendo desta forma um problema “originariamente uno”; Leibniz já havia caracterizado o Princípio de Razão Suficiente no conteúdo intrínseco da Verdade, contudo, não percebeu que esse modo de pensar já é uma consequência do que foi tratado pelos filósofos da era trágica. Kant por sua vez, não explica o que é Transcendência, ele apenas fez uma distinção entre Transcendente (um conceito ou entidade que ultrapassa a nossa experiência) e Transcendental (aquilo que pertence à possibilidade, a priori, de nosso conhecimento experimental).
Para Heidegger, "Transcendência significa a ultrapassagem”(Id.,ibid.,p.33) e “Transcendente é o que realiza a ultrapassagem, persiste na ação de ultrapassar”(Id.,ibid.,p.33), ela é característica do Homem (Dasein), que pergunta pelo Ser e pelo seu sentido , não estando determinado historicamente como em Hegel, ao contrário, ele é abertura, sempre abertura para novas possibilidades. A Transcendência é entendida como ser-no-mundo, de forma que em confrontação com os Entes deve-se, primeiramente, se posicionar além deles percebendo que há uma diferença ontológica. O Ser sendo diferente dos Entes é Transcendente, por excelência, e através da pergunta pelo sentido do Ser, a ultrapassagem se faz presente enquanto investiga pelo sentido do Ser, pois, desta forma o Ser Transcende o Ente.
A ontologia tradicional abordou o Tempo como vinculado à ideia de “medição”, Heidegger por sua vez deu ao Tempo uma caracterização antropológica e ontológica, convertendo-o em Temporalidade, ou seja, o Tempo passa a representar o caráter antropológico do Ser-aí (Dasein) realizando ,desta forma ,uma vinculação intrínseca entre o Ser Humano e a Temporalidade. A Temporalidade é entendida por Heidegger, da mesma forma que os pensadores da era trágica  , onde não havia uma distinção entre espaço e tempo, eles os concebiam como abrindo um lugar, um recinto, um âmbito consistente para as suas atividades, o tempo era desta forma a instauração do Instante.
A distinção entre Ser e Ente é também fundamental para a compreensão do problema do fundamento, tendo em vista, que a tradição filosófica, segundo Heidegger ,confundiu Ser e Ente. Faz-se necessário fazer a distinção entre eles. O Ser é maneira como algo se torna manifesto, percebido, presente e desta forma ,se relaciona intrinsecamente como o Ser Humano, como Ser-aí; “A característica do Ser-aí consiste em ele se comportar perante o Ente compreendendo o Ser”. Os Entes são as coisas, presenciadas, percebidas, conhecidas pelo Ser do Ente e é caracterizado pela esfera do Ôntico. O Ôntico se refere a estrutura e a essência própria de um Ente, a aquilo que ele é em si mesmo, sua identidade, sua diferença em face de outros Entes. O Ser “é” o Ser do Ente, ou seja, o Ente só é no seu Ser, o ente é apenas compreendido pelo Ser.
Partindo da consideração do problema da Metafísica tradicional, o ser foi compreendido, desde Platão e Aristóteles como Transcendente, sendo que esse conceito de Ser não é o mais claro, muito pelo contrário é o conceito mais obscuro e abstruso. Ser (Sein) não é o mesmo que Ente (Seindes). Como o Ser não pode ser definido, pois é a mais vaga das abstrações, houve uma representação do Ser como Ente, ora como o Ente Supremo, ora como abstração dos próprios Entes, na sua forma lógica. Ser não é mais uma propriedade ou atributo de um ente supremo, mas se dá na compreensão de ser como modo de ser do Homem.
O Ontológico se refere a estudo filosófico dos Entes que inquirem na investigação dos conceitos, ou seja, sobre o Ser mesmo do mundo, que em geral  aborda os Entes tomados como objetos do conhecimento, pois, em Heidegger o plano Ontológico precede a abordagem Gnosiológica, que se mostra na questão originária que foi esquecida, a do sentido do Ser, conforme a citação: 
“Pelo contrário, os conceitos ontológicos originários devem obter-se antes de toda a definição científica dos conceitos fundamentais de maneira que, a partir deles, se possa primeiro avaliar de que modo restritivo e circunscrito em cada caso, e desde uma focagem determinada, os conceitos fundamentais das ciências atingem o ser, captável em termos puramente ontológicos” (Heidegger M. A essência do fundamento, Ed.70. Pg25).
Desta forma, o conceito ontológico é originário, devendo preceder a qualquer outro conceito.  A Metafísica tradicional, vai além dos Entes como um todo, interpretando-os alternadamente: ora como Ideia, ora como Causa Primeira, ora como Substância, ora como Deus, etc. gerando uma representação antropomórfica do conhecimento filosófico, onde a Transcendência foi concebida estando “Fora” em um “Além”.


BIBIOGRAFIA: A essência do Fundamento.Ed.70.Portugal.s/d)
                            Dicionário Heidegger -JZE-2002)
                            

OPOSIÇÃO ENTRE REALISMO E ANTI-REALISMO NA FILOSOFIA DAS CIÊNCIAS

   Para os Realistas, o pensamento é um modo de expressão de uma realidade que os sustenta e os enforma . Para os anti-relistas, todo o ser é posto pelo pensamento e toda a realidade se reduz a perceber ou a ser percebida. Os realistas, reconhecem a existência de realidades absolutas independentes do fato de serem ou não conhecidas, as teorias científicas são para os realistas objetos ideais.  Para os anti-realistas, as observações científicas são empiricamente verificáveis ,quer dizer,a teoria deve dar conta de todas as observações que sejam disponíveis, eles não concebem a existência de qualquer conceito absoluto por si mesmo.

HUME E A CAUSALIDADE

Para David Hume, o logos de causa não entra na noção de o que começa a ser. O princípio não goza, portanto, de evidência analítica. É um juízo sintético. Como a simples experiência não pode formular um juízo universal e necessário, ele deu uma interpretação psicológica, porque, é por hábito que unimos necessariamente dois fenômenos que se sucedem e chamamos ao primeiro de causa e ao segundo de efeito. Todavia, não há uma conexão causal necessária e sim uma conjunção constante entre os eventos. As proposições sobre relações causais são proposições sobre fatos e não do tipo de relação entre ideias como as da lógica e da matemática. A relação de causalidade é uma crença, baseada no hábito; crença, mas não ficção, pois, ambas se produzem pela imaginação, e, no entanto, as ideias em que acreditamos são mais vivas e fortes do que as da ficção. A crença é mais viva quando apoiada na experiência repetida de fatos semelhantes que, pelo hábito, produz a sensação de eles ocorram com regularidade, no entanto, não existe qualquer contradição em supor que o curso da natureza poderá mudar ,quer dizer, um evento semelhante a um já ocorrido poderá ser acompanhado de eventos diferentes ou contrários àqueles que, no passado,  o acompanharam.

NIETZSCHE E SPINOZA - Afinidades e divergências

Em uma carta de 1881 a Overbeck, Nietzsche relata com alegria sua afinidade com Spinoza, exaltando-o como sendo seu precursor. As principais críticas de Spinoza feitas a : Teleologia, ao conceito de liberdade da vontade, ao Estoicismo(Ordem moral do mundo), etc., são relatados por ele,  havendo até então,   uma divergência temporal, cultural e científica, haja vista o espírito de cada época .Há sutis afinidades e divergências entre os dois pensadores, onde a mais sutil  diferença entre eles, se refere a  concepção de substância de Spinoza que transcende o mundo, onde Nietzsche o chama de " tecedor de teias do espírito", fazendo uma aproximação irônica entre Spin (Aranha, em alemão) e Spinoza. Segundo Nietzsche, Spinoza apesar de seu imanentismo, ainda não havia se libertado ,totalmente, do antropomorfismo, restando ainda " uma sobra de Deus" em seu conceito de substância. O posicionamento de Nietzsche, pode ser concebido como  a de um spinozista radical , ao eliminar qualquer vestígio de transcendência.

GENEALOGIA - Contrasenso

A Genealogia, tal como é conceituada por Nietzsche, busca refundamentar o que foi uma vez fundamentado, mostrando que os valores não são fixos e eternos. Eles emergiram através de uma luta constante com outros valores existentes,revelando uma complexidade das crenças culturais, minando e explodindo, uma suposta estabilidade.Nietzsche, não defende uma volta ao passado, ele usa o método genealógico como estratégia para criticar o estabelicimento eterno dos valores morais e preparar para novas interpretações e empreitadas. Na Gaia Ciência ele exalta o porvir: " Nós, filhos do futuro,como poderíamos nos sentir em casa neste presente?... tampouco queremos voltar a algum passado".Devemos evitar o contrasenso de que a Genealogia, tal como é concebida por Nietzsche , implique em uma nostagiade uma volta e exaltação acrítica relativa a uma origem mais nobre.

COMO ESTABELECER A VERDADE ?

 A questão sobre a verdade é uma das mais proeminentes da Filosofia.Foram dadas, ao longo dos séculos, vários tipos de respostas, tais como: Verdade como adequação,verdade como correspodência aos fatos do mundo,verdade como coerência através de nossas experiências mais evidentes,etc.Todas essas respostas não foram totalmente "vitoriosas". Até mesmo, o ceticismo, que pergunta sobre se podemos realmente saber sobre o que quer que seja,levando a um relativismo extremo, não  pode ser relativo para quem está fazendo a pergunta e é incoerente , não conseguindo demolir totalmente a questão sobre a "verdade".Existe, uma verdade que é uma criação, relativa a um contexto, a um nível no qual a verdade não é relativa a nada; caso não adotemos nenhum critério, caíremos no relativismo e em  um círculo vicioso.

ANÁLISE MICROFÍSICA DO PODER

O filósofo francês Michel Foucault, elaborou uma  nova compreensão sobre o poder, tomando como base o pensamento de Nietzsche.Segundo ele, as relações de poder não podem apenas estar vinculadas ao domínio entre pessoas,o poder é visto de uma maneira microfísica,quer dizer, não está apenas ligado a prática de determinadas pessoas  que detêm o poder, o poder é um fenômeno anônimo e ubíquo ,sendo principalmente  analisado nas relações sociais de uma maneira dinâmica.

SPINOZA E O COMEÇO DO FILOSOFAR

Hegel, sabiamente , nos advertiu em suas Lições sobre a história  da filosofia : " Para se começar a filosofar, é preciso ser Spinozista".Essa asserção, indica que as coisas particulares , que são contingentes, devem estar necessariamente relacionadas através de uma interconexão com o todo, onde todas as coisas estão inseridas. Essa base absoluta ,obviamente, não é dada pelo sujeito humano e sim é feita a partir dele , servindo como orientação e libertação do espírito humano, através de seu uso e poder incondicional de uma operatividade imanente ao mundo, que é chamada por Spinoza de causalidade,sendo possível segundo ele,ser conhecido adequadamente dois dos infinitos atributos da substância ou Deus: Pensamento e Extensão.