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ACORDAR: ANTES TARDE DO QUE NUNCA!

Para quem acordou, o sofrimento deixa de ser visto como castigo ou injustiça e passa a ser encarado como parte do real. Segundo Nietzsche, a dor não serve para culpar o mundo, mas para fortalecer nossa  capacidade de agir; crescer exige suportar o peso da existência sem buscar consolo no além, como também, transformar coisas ruins em sentidos. Zaratustra afirma, "É preciso ter ainda caos dentro de si, para poder dar à luz uma estrela dançante" .No cotidiano, amadurecer é transformar a dor em força, sem reclamar nem esperar salvação.

QUANDO UM JULGAMENTO VIRA DIREÇÃO

Um tribunal existe para julgar, não para governar. Quando passa a definir um sentido para a vida pública, a lei deixa de ser limite e se torna direção.Montesquieu já advertia que a liberdade se perde quando as funções se confundem, segundo  ele: "Tudo estaria perdido se o mesmo homem, ou o mesmo corpo, exercesse o poder de fazer as leis, executá-las e julgá-las."(Do Espírito das Leis).Quando um julgamento vira condução, a vida pública deixa de ser construída e passa a ser administrada.

ALIENAÇÃO E VAZIO EXISTENCIAL

Na sociedade neoliberal orientada pelo consumo, a felicidade é confundida com satisfação imediata, produzindo alienação e vazio existencial. O consumo tenta silenciar a angústia, mas aprofunda o desespero entendido por Kierkegaard como "perda de si mesmo" e "doença mortal". Esse processo pode ser metaforizado pelo Tonel das Danaides, no qual quanto mais se consome, mais o vazio se intensifica. Nietzsche critica essa dinâmica ao afirmar que, sem um "porquê" para viver, o indivíduo se entrega à repetição de prazeres sem sentido .Para Freud  a civilização promete felicidade, mas a "torna estruturalmente inalcançável", pois a satisfação é "sempre efêmera e não elimina o mal-estar ", confirmando os limites do princípio do prazer.

CONTENTAMENTO COMO AFIRMAÇÃO DA VIDA

Somos educados a desejar sempre o que nos falta, não a valorizar o que já temos. A sociedade elogia a ambição, o movimento constante e a busca por metas, mas "suspeita" de quem está satisfeito. O contentamento é visto como acomodação. Nietzsche critica essa lógica da falta. Para ele, a alegria não nasce da carência, mas do "aumento de força da  vida". Quando o desejo se reduz a uma constante busca por algo que ainda não existe ,a vida deixa de se afirmar no presente e passa a se justificar ,apenas, pelo futuro. Spinoza expressa a mesma ideia, antes  de Nietzsche, ao definir a alegria como passagem de uma perfeição menor  para uma maior :"Por alegria entenderei, pois, uma paixão com a qual a mente passa a uma maior perfeição" (Spinoza, Ética III, XI).Quando somos "treinados" a desejar apenas o que ainda não temos, aprendemos a correr sem nunca parar; a vida vira uma busca "infinita", em que o desejo conflita com à falta em vez de afirmar o que já é. Reconhecer a suficiência do presente não significa parar de viver, mas viver com mais potência. Por isso, Spinoza propõe um outro ponto de vista: olhar a vida sob a égide da eternidade, isto é, não a partir da falta momentânea, mas da potência do que é: "Sentimos, porém, e sabemos por experiência, que somos eternos(...) na medida em que concebemos as coisas com uma  a espécie de eternidade"(Spinoza, Ética V , XXIII).

TESLA, PERCEBENDO O INVISÍVEL!

Segundo Nikola Tesla," Se você quiser descobrir os segredos do Universo, pense em termos de energia, frequência e vibração". Essa frase não deve ser entendida como uma explicação científica completa, mas como uma metáfora poderosa, porque para compreender melhor a realidade, é preciso olhar além da aparência sólida das coisas e perceber os processos invisíveis que as sustentam. O que é essencial do Universo não se mostra aos olhos, mas se revela a quem percebe o ritmo oculto da energia em movimento.Todos dias, no mesmo horário e local, ele se sentava e fazia meditações para perceber o invisível.

TODA MUDANÇA EXIGE FLEXIBILIDADE

Mudar requer flexibilidade porque toda transformação começa pela recusa da rigidez. Quando nos agarramos a opiniões absolutas, o pensamento se imobiliza, a mente deixa de explorar e passa apenas a se defender, transformando a certeza em obstáculo à criação. Segundo Nietzsche, "as convicções são inimigas mais perigosas da verdade do que as mentiras" (HDH-I ,§483), pois onde tudo já está decidido nada novo pode surgir. A inteligência criadora exige movimento, abertura e disposição para rever a si mesma, porque quando o pensamento se fixa, ele abdica de sua força inventiva e passa apenas a se conservar.

DAR CONSCIÊNCIA AOS SENTIMENTOS

Para Nietzsche, primeiro sentimos e depois pensamos, pois aquilo que chamamos de pensamento consciente é apenas a parte final de um processo mais profundo. Segundo ele, " é preciso contabilizar a maior parte do pensamento consciente entre as atividades instintivas" (Cf. BM, §3).Os sentimentos são impulsos que surgem no corpo antes de qualquer explicação racional como afirma Nietzsche, "Atrás de teus pensamentos e sentimentos, meu irmão, acha-se um soberano poderoso, um sábio desconhecido - e  chama-se o ser próprio. Mora no teu corpo, é o teu corpo"(Zaratustra, I, "Dos desprezadores do corpo"). O pensamento aparece depois, quando tentamos explicar ou justificar aquilo que já estamos sentindo. Por isso, muitas vezes acreditamos pensar de modo racional, quando na verdade apenas damos razões para impulsos que já existiam antes, porque  entre os homens " há a confusão entre a consequência e a causa" (Cf. CI , "Os quatro grandes erros",§1).

OZZY E WATERS: SUCESSO DE MASSA E PROFUNDIDADE CRÍTICA

Recentemente, uma polêmica  entre Roger Waters e Ozzy Osbourne, após o baixista do Pink Floyd haver minimizado a relevância artística de Ozzy. O episódio reacendeu um debate recorrente no Rock: a diferença entre sucesso de massa e profundidade crítica ,cuja distinção  vai além de preferências pessoais e toca critérios estéticos e, principalmente, intelectuais. Ozzy  representa o sucesso de massa: sua música atua no impacto imediato, na emoção e numa catarse coletiva, privilegiando identificações e o espetáculo. Roger Waters, por outro lado, utiliza a música como instrumento de crítica social e política, exigindo reflexão e produzindo desconforto, sem considerar se irá agradar ou não! A polêmica entre ambos nasce quando se confunde popularidade com profundidade. Essa oposição é formulada de modo exemplar por Nietzsche, ao afirmar que "longe da praça e da fama acontece tudo o que é grande" (Zaratustra, Das Moscas). A "praça" simboliza o espaço do aplauso, do ruído e da consagração imediata, lugar onde o sucesso de massa se afirma. O que é grande, contudo, nasce fora dela, na solidão do pensamento que não busca agradar. Waters escolhe essa distância crítica. Ozzy, com seu carisma e mérito artístico próprio, permanece  no centro do espetáculo com muito mais popularidade e não com profundidade intelectual!


PARA QUE SOCIALIZAR NÃO SEJA IMBECILIZAR!

Socializar é necessário, porque os seres humanos se constituem relacionalmente: linguagem, valores e até a consciência se formam no contato com outros. O isolamento absoluto empobrece a experiência humana.  Nietzsche observa que a consciência não é algo originariamente individual, mas relacional: "a consciência é propriamente apenas uma rede de comunicação entre homens " (GC,§354).No entanto, a socialização acrítica pode, sim, tornar-se imbecilização: quando o indivíduo abdica do juízo próprio para repetir opiniões, gestos, etc. Nesses casos, o convívio não estimula o pensamento crítico. Ele já advertia contra esse risco ao criticar o espírito de rebanho. Para ele, a convivência que não exige reflexão, mas apenas adaptação, nivela por baixo e ,inclusive, leva a "loucura": "A loucura é algo raro nos indivíduos - mas nos grupos, partidos e povos é a regra" (BM, §156). O perigo, portanto, não está em estar com os outros, mas, sobretudo, pensar apenas como os outros.

INSTRUMENTALIZAÇÃO UTILITÁRIA DO FEMININO

Quando se elimina do feminino seu poder afirmativo, ele deixa de ser compreendido como expressão da vida e passa a operar como instrumento, teórico, normativo. A mulher deixa de figurar como força criadora para tornar-se modelo moral de renúncia, obediência e negação do corpo. Essa operação inscreve-se no que Nietzsche denomina ideal ascético, cuja meta última é "querer o nada" (GM, III, §28). A espiritualização do feminino separa-o da terra, do devir e da corporalidade, reiterando aquilo que o filósofo identifica como "hostilidade contra a terra" (Zaratustra, Prólogo, §3). Desse modo, o feminino instrumentalizado revela-se funcional à moral cristã que, segundo Nietzsche, "Nega a vida efetiva em prol de um além-mundo fictício" (AC,§15) sendo, portanto, incompatível com uma filosofia afirmativa da vida.

A INUTILIDADE DA CRENÇA EM DEUS COMO CRITÉRIO MORAL

Quando a crença em Deus não produz nenhuma diferença efetiva na  conduta, a própria questão de sua existência torna-se secundária e supérflua. Crê-se nele e age-se de modo pérfido,  descrê-se nele e age-se, também, do mesmo modo. Desse modo, a fé perde toda força de legitimação moral. Segundo Baudelaire, Deus pode reinar independentemente de sua existência empírica: "Deus é o único ser que, para reinar, não precisa existir". Nietzsche, radicaliza esse diagnóstico ao mostrar que o problema decisivo não é a existência ou não de Deus, mas a sobrevivência de sua moral. Mesmo após a morte de Deus, sua sombra continua a projetar-se sobre os homens: "Deus está morto; mas, tal como são os homens, durante séculos ainda haverá cavernas em que sua sombra será mostrada - Quanto a nós - nós teremos que vencer também a sua sombra " (Gaia Ciência §108). Assim, quando a crença não transforma a ação, crer ou não crer torna-se igualmente supérfluo; o que permanece é uma moral desvinculada tanto da fé quanto da vida.Assim, podemos concluir que quando alguém diz : "Eu acredito em Deus", tem o mesmo valor lógico de quem diz: "Eu não acredito" , quer dizer, é uma tautologia! 

"ANO NOVO", NOVOS ELOS — UM NOVO SALTO!

Seguindo novas correntes através de ventos inusitados, vamos deixar nossos corações abertos para o Novo. Mais uma renovação: "ano novo" mais uma criação de uma "vida nova", deverá ser nosso Leitmotiv (motivo condutor) para esse ano que se iniciará em breve. Nossa tentativa de autossuperação continua, dia após dia! Olhamos para trás com alegria por termos dado um Salto para fora do Círculo Vicioso em nossas vidas,  conseguindo continuar na linha ascendente que nos conduz a caminhos Novos. Através de nossas escolhas, estamos abertos para novos anseios. Nossos corações pulsam fortemente e estamos decididos a compartilhar juntos: Confiança, Amizade , Amor e riqueza em nossos corações. Para o Alto, sempre para o Alto!

DO CAOS A UMA ESTRELA

Quando algo essencial em nossa vida se perde, essa perda não deve nos paralisar, a suposta perda pode indicar o fim de uma ilusão, de uma esperança, de algo que não deu certo em nossas vidas. Mesmo estando perdido e em um caminho confuso, temos que ter resistência, persistência e vontade de seguir em frente. A mudança não é fácil, nem rápida , mas é necessária.Enfrentar a dor com lucidez é o único modo de atravessar o caos sem se perder de si mesmo . "É preciso ter o caos dentro de si, para poder dar à luz uma estrela dançante"(Zaratutra, Prólogo).

A SUPERAÇÃO DO HOMEM ENQUANTO "DOENÇA DE PELE DA TERRA"

Quando Nietzsche diz que "o homem é a doença de pele da Terra" não é um insulto moral, mas um diagnóstico filosófico. A metáfora indica que o homem não é o centro nem a finalidade da vida, mas um fenômeno "superficial", capaz tanto de criar quanto de destruir, o homem não tem um estatuto ontológico acima dos outros animais. Ele descreve o homem como "o animal ainda não fixado", quer dizer, um ser inacabado, sem forma definitiva, que precisa inventar seus valores para viver. Justamente por essa instabilidade, o homem pode adoecer a Terra quando se separa da natureza, nega o corpo e transforma a moral em negação da vida. Nesse estado, ele deixa de afirmar a existência e passa a dominá-la. Por isso Nietzsche afirma que "o homem é algo que deve ser superado" , e lembra que a tarefa fundamental esquecida pela civilização é: "permanecer fiel à Terra".

O CORPO COMO "PROCESSO"

Segundo Nietzsche, "O corpo é uma grande razão, uma multiplicidade com um só sentido"( Zaratustra, Dos desprezadores do corpo).Aquilo que chamamos eu é apenas o efeito provisório da organização de forças do corpo, pois "o pensamento consciente é o mais fraco e o mais tardio" ( Gaia Ciência,§354) Nietzsche dissolve a ideia de substância fixa, eterna, imutável ,o corpo não é algo que é, mas algo que acontece, um processo em devir. Através do dionisíaco, "rompe-se o princípio de individuação."(Nascimento da Tragédia, §1),  aparecendo o corpo como uma estabilidade momentânea em fluxo ,como uma dança de forças em contínuo devir.Portanto,o corpo deve ser compreendido não como substância, mas como uma "configuração provisória de forças ", sempre em transformação. O "eu" é um simplkes efeito momentâneo desse jogo dinâmico,  a identidade não se funda na permanência , mas no devir. Pensar o corpo como "processo" implica ,principalmente, assumir a vida como uma criação contínua de si mesma,onde nós nunca somos, mas nos tornamos.É nesse sentido que Nietzsche afirma , transformando um dito de Píndaro "Tornar-se o que se é"(Ecce Homo, §9), quer dizer,dar forma às nossas vidas organizando as forças que nos constituem, sem a tentativa de fundamento em uma essência fixa.

CONVERGÊNCIA ORIENTAL DA CONSCIÊNCIA FEITA POR NIETZSCHE

A Consciência concebida como uma "grandeza não fixa"  por Nietzsche se aproxima ,profundamente, da visão oriental da mente como fluxo em transformação. Segundo ele, "a consciência desenvolveu-se apenas  sob a pressão da necessidade de comunicação " (..) "Ela é,na realidade, uma rede de ligação" (Gaia Ciência,§354) . A consciência não é uma unidade estável, mas um processo que cresce, se amplia ou se contrai conforme necessidades vitais e históricas. Ampliar a consciência, para Nietzsche, é reconhecer a multiplicidade de forças que nos constituem. Na filosofia oriental, especialmente no budismo, a mente é vista como fluxo , sem um eu fixo.Existe,portanto uma impermanência que dissolve o ego, convergindo com a crítica nietzschiana à ficção do sujeito. Quando Nietzsche diz que "o eu é uma ficção!" (Crepúsculo dos Ídolos, §3) aproxima-se da doutrina budista do não-eu, que considera o eu apenas um composto transitório de percepções. Tanto para o Oriente quanto para Nietzsche, é mais coerente quando se abandona a ideia de uma "consciência fixa e estável" para reconhecer que toda vida é "fluxo, transformação,  impermanência".

TRANSMUTAR O PASSADO PARA AUTOSSUPERAÇÃO

É de vital importância aprender com os erros do passado, no entanto, devemos evitar a todo custo habitar nele. O passado deve ser revisitado apenas o suficiente para que dele  extraiamos força, lucidez e direção.  Nietzsche nos ensinou que: "Agora convém saber que apenas aquele que constrói o futuro tem o direito de julgar o passado" (2ª Consideração Intempestiva).Portanto, devemos transformar às lembranças em superação e jamais, deixá-las que se tornem moradia.

QUE A JUSTIÇA NÃO SEJA VINGANÇA!

Para Nietzsche, aqueles que gritam "igualdade" nem sempre desejam elevar a vida, mas rebaixar os que a engrandecem. Ele nos advertia para evitar vingança "O que eles querem, é vingança, e chamam sua vingança de justiça" (Zaratustra, "Das Tarântulas").Há aqueles que pregam "liberdade" mas, em verdade, seu desejo  seria que ninguém fosse livre o bastante para superá-los e ultrapassá-los.Também os que pregam  "fraternidade" querem apenas o nivelamento à mesma medida deles.Para Nietzsche, fazer justiça não seria nivelar, mas fazer perceber a sutil diferença que existe entre todas as coisas e engrandecer a vida.A verdadeira liberdade  permite os vários degraus da vida, admitindo  hierarquias e não a igualdade para todos."vós, pregadores da igualdade,  tarântulas sois vós para mim, e vingativos às ocultas".














































































"CAMINHO" DA AUTOSSUPERAÇÃO Para meu filho Antonio Marcos

A libertação da culpa, da falta e da vingança é, para Nietzsche, o começo de uma vida ascendente. Na Genealogia da Moral, ele mostra que o homem adoecido tornou a vingança "espiritualizada" (GM, II, §16), e por isso precisa superar esse afeto para reencontrar força para superar-se. A própria vida exige esse movimento de autossuperação. No Zaratustra, ele diz: "Eu sou o que sempre tem de  a si mesmo se superar", "Da autossuperação de si"). Autossuperar-se é seguir um ritmo da vida que cresce ultrapassando todo o passado reativo, através  do eterno retorno, que exprime  a afirmação: "querer cada instante como necessário e querido". Zaratustra descreve-o como "o mais pesado de todos os pesos" porque nos pergunta se podemos dizer sim a tudo o que volta.As três fases da autossuperação são as metamorfoses do espírito: camelo, leão e criança. "O espírito se torna camelo, o camelo leão, e por fim  criança" (Z, "Das três metamorfoses").A criança é a forma mais elevada: "inocência e esquecimento, um novo começo, um jogo". Nessas metamorfoses, a necessidade vira criação e a vida reencontra sua potência criativa.

"DEUS" COMO VIDA

Para Nietzsche "Deus"  tem algum sentido, somente quando pode ser o nome que a vida dá a si quando transborda, pois o Deus moral, aquele que julga, pune e separa, ele declara-o morto: "No fundo, apenas o Deus moral está refutado". Mas a vida, essa força que diz "eu sou aquilo que deve sempre superar a si mesma"(Zaratustra, Do superar a si mesmo), cria "deuses" apenas para superá-los. Assim, quando se diz "Deus", não deve ser para além da vida, mas para sua mais alta afirmação no âmago da vida, não como um Juiz e Senhor sobre o mundo, mas o próprio mundo em sua "Vontade de Potência."

O SONO E A VIGÍLIA

Estar "acordado", é agir com autonomia: pensar por conta própria, sustentar a diferença e afirmar nossas  singularidades.Segundo Nietzsche, "Tornar-se o que se é" (Ecce Homo,Pról, §1). Estar em estado de "sono", ao contrário, é viver de modo heterônomo, segundo valores impostos, repetindo o que a moral do rebanho exige. "Moralidade é o instinto de rebanho no indivíduo" (Gaia Ciência, §116).Quando seguimos esse "instinto de rebanho", deixamos de agir por nós mesmos e nos ajustamos à expectativa dos "outros".E quem são esses "outros"? Para Nietzsche, são todas as forças que diminuem nossa potência de agir e pensar:"O indivíduo sempre teve de lutar para sair do rebanho" (Aurora, §9). Quanto menor o nível de consciência e de vigilância, mais nossas ações se tornam automáticas, conduzidas por hábitos, tradições e impulsos obscurecidos. Como Nietzsche afirma: "A consciência é a última e mais tardia evolução do orgânico, e por isso também o que há nele de mais inacabado e frágil " (Gaia Ciência, §354).Por isso, quanto mais baixa nossa consciência, mais cegos se tornam nossos sentimentos, valores e escolhas. Quanto mais desperta, mais capazes somos de autonomia, criação , afirmação e "autossuperação". 

NIETZSCHE E A FELICIDADE

Para Nietzsche, a felicidade é um valor, mas não um fim, portanto, não deve ser buscada como meta;ela é sempre um efeito de algo mais fundamental, o aumento de nossas forças. No O Anticristo (§2), encontramos a uma definição: "O que é felicidade? O sentimento de que a potência cresce, de que uma resistência é superada." Nietzsche aproxima-se aqui de Spinoza onde a vida é entendida em termos de aumento de potência (conatus), para Nietzsche a felicidade sinaliza que a potência aumenta, não em um estado permanente, mas um índice de vitalidade crescente que transforma nossas vidas.No Prólogo§1, do Zaratustra,  destaca-se  que a alegria deseja irradiar-se  e compartilhar sua abundância: "Grande astro! Que seria de tua felicidade se não tivesses aqueles a quem iluminas?".Assim, para Nietzsche, não existem estados contínuos de felicidade, mas momentos felizes que são efeitos de uma vida que aumenta sua potência, que cria, que supera resistências e afirma o real. A felicidade vale, mas vale como consequência de uma existência que se fortalece.

O BARULHO ENSURDECE A POESIA

Hoje é difícil encontrarmos inspiração para escrever poesia, porque o mundo jaz no caos e barulho. As notificações assassinam o nosso silêncio criativo ;as musas sufocadas pelo ruído, mal conseguem sussurrar. Assim, nossas almas desaprendem a escutar a si mesmas e a seus próprios silêncios criativos. Faz-se necessário ,portanto, um silente ambiente para superarmos todos esses contratempos!




A PIOR TESTEMUNHA

Para Nietzsche, a guerra é o último recurso  a ser usado por que "o sangue é o pior testemunha da verdade: o sangue envenena o mais puro ensinamento."(Zaratustra,Parte II,Dos sacerdotes).Assim , quem tem espírito de criador, mantém distância das revoluções que clamam por sangue; aquilo que é elevado não nasce da agitação . "Tudo o que é grande se afasta da praça pública."(Zaratustra, Parte I, Do novo ídolo)Assim, os fortes não se entregam ao delírio revolucionário. Eles criam, só recorrendo à guerra quando todas as possibilidades de criação de sentidos foram impedidas. Ele enfatiza  que, o que é grande não nasce do sangue, nem da praça, mas da solidão poderosa do espírito. 



































































EXCESSO: QUANDO A INFORMAÇÃO DESINFORMA

Já há algum tempo, vivemos uma era de excesso informacional, e com isso os sentidos se enfraquecem, pois a fragmentação do saber abre espaço para a desinformação. Assim, torna-se difícil distinguir e compreender o que realmente está acontecendo, não basta acumular informações, é preciso pensar por conta própria, pois, como afirma Schopenhauer, "pensar por si mesmo é a coisa mais difícil que existe."

AUTOSSUPERAÇÃO FEMININA

Enquanto a mulher buscar no outro a sombra do pai, amará mais a lembrança, o passado, do que o presente. A felicidade somente pode começar quando ela desfaz essa velha imagem interior, para poder ver além, e não o outro como substituto de um afeto não superado. Nietzsche nos ensinou que : "Nossos pensamentos são as sombras de nossos sentimentos - sempre mais obscuros, mais vazios, mais simples do que estes." (Gaia Ciência, §179). Assim, somente ao superar o sentimento, a imagem antiga,  o pensamento pode enfim, ver o novo, para haver uma "autossuperação".

ALÉM DA "ESQUERDA" E DA "DIREITA"

Segundo Nietzsche, as tradicionais distinções entre "esquerda e direita" são apenas dois modos de adorar o "novo ídolo": o Estado. Ele nos advertiu  que "o Estado é o mais frio de todos os monstros frios" e que ele mente ao dizer: "Eu, o Estado, sou o povo" (Zaratustra, "Do novo ídolo").Por isso, o antagonismo político moderno permanece preso à "moral de animal de rebanho"onde, cada lado acusa o outro, mas ambos bebem no mesmo poço de ressentimentos contra a vida "dos criadores de novos valores". Assim, como poderia haver uma verdadeira elevação humana quando todos querem ser guiados ou conduzir dentro de um mesmo espaço saturado? Ele queria de outro modo "Detesto seguir , assim como detesto conduzir"(Gaia Ciência). A política moderna vive precisamente desse duplo desejo: comandar e ser comandado. No entanto, "A grande política" aquela que ele anteviu, não nasce da "esquerda" nem da "direita", mas da superação que tais direções se definem. Pois "Toda elevação do tipo "homem", foi obra de uma sociedade aristocrática" (BM, §257) e, não da administração do nivelamento por baixo, proposto por elas.A disputa entre "esquerda" e "direita" continua a ser uma dança circular que esqueceu o essencial: não é a direção do caminho que importa, mas os tipos humanos que poderão surgir. Trata-se portanto, como bem disse Deleuze: "de uma tipologia qualitativa ,trata-se de baixeza e de nobreza. Os nossos senhores são escravos que triunfam num devir-escravo universal".



FELICIDADE SEGUNDO SPINOZA: A ALEGRIA QUE HABITA EM NÓS

É muito comum achar que a felicidade consistiria em atingir a satisfação da maioria dos nossos desejos. Isso é impossível! Sendo a essência do homem desejo, como bem demonstrou Spinoza no seu livro Ética: "O Desejo é a própria essência do homem enquanto concebida como determinada a fazer qualquer coisa por uma dada afecção"(Ética, III, Prop. LIX,Def.I)Assim, ficamos impossibilitados de atingir a felicidade plena, tendo em vista que nossos desejos não têm fim. Spinoza reforça essa ideia ao mostrar que "cada coisa, enquanto é em si, se esforça para perseverar em seu ser"(Ética, III, Prop.VI). Esse esforço (Conatus) é contínuo , o que faz com que nunca cheguemos a um ponto onde nossos desejos estejam plenamente satisfeitos.A felicidade pertence ao estado contingencial do mundo da vida, sendo essencialmente subjetiva e relativa, e tem a ver com o tempo, no sentido da aceitação da temporalidade, sendo um estado da vida cotidiana. Ela não pode ser buscada como algo externo, pois Spinoza deixa claro que a alegria verdadeira deriva do aumento da potência de agir e não de causas exteriores (Ética, Parte V,).Portanto, nada que se encontre "fora" de nós pode nos trazer felicidade. Ela se encontra em nós mesmos; nós a criamos "dentro" de nós. Por que esperá-la amanhã ou em algum tempo futuro? Vivendo aqui e agora, aceitando a tragicidade do mundo da vida, aquilo que Spinoza chama de compreender a "necessidade das coisas" ,cuidando do que tem verdadeiramente importância para nós e para aqueles que estão conosco; o objetivo é fazer a felicidade estar presente em nós, vivendo em nós! Assim, poderemos desfrutar e compartilhá-la com alegria, alegria que, como diria Spinoza, é o "próprio aumento da nossa potência de agir" e, portanto, nossa força maior.

A ILUSÃO DE UMA CAUSA ÚNICA

Nietzsche percebeu que a busca por uma causa única revela mais sobre o desejo humano de reduzir o mundo a uma forma simples do que sobre a estrutura real dos acontecimentos. Essa tendência de isolar um princípio absoluto ,deriva de antigas crenças na existência de "unidades puras, núcleos indivisíveis de sentido". Segundo ele, " A atomística  da alma  que permite a  crença em algo que seja indestrutível, eterno, indivisível ,como uma  mônada ,  um átomo. Essa crença precisa ser eliminada da ciência." (B.M, §12). Nenhum acontecimento se reduz a um único princípio . O mundo é um  cruzamento de "condições, tensões e circunstâncias" que acontece antes mesmo que possamos percebê-las. Ele nos adverte para se livrar de tal ilusão pois, "O mundo visto de dentro (...) seria vontade de potência e nada mais " (B.M, §36). A "Vontade" não é uma causa simples,  mas entrelaçamento múltiplo de "impulsos, tendências e forças" sem um centro único. Mesmo assim, ainda persiste uma tendência de interpretar cada evento como expressão de um motivo singular. Essa inclinação não descreve o real, mas o desejo " humano,demasiado humano" de simplificar as coisas. Em contraste, Nietzsche observa que " Não existe fatos, apenas interpretações" (F.P., 1886–87, 7[60]). Contudo, isso não torna tudo  arbitrário, mas mostra que toda explicação seleciona apenas uma parte da multiplicidade dos eventos. Ele nos ensina a pensar "perspectivamente" para reconhecer a pluralidade. A explicação mais profunda não isola uma única origem, mas reconhece a influência de várias condições. A crença numa causa única é uma ilusão a mais para o ser humano, e não uma  realidade. Enfim, para ele, cada instante é sustentado por múltiplas forças, sendo que apenas uma delas, por "conveniência ou hábito", recebe o nome de " Causa ", como se fosse única.

QUANDO O AMOR TRANSBORDA!

Muitas vezes acreditamos no amor que pronunciava nossos nomes,mas compreendemos, com o tempo,que há afetos  que não buscam encontro,mas um certo tipo de posse. Muitas vezes,  demos mais do que tínhamos: tempo, segurança, futuro e, depois encontramos o silêncio, não como vazio, mas como um limite "natural" para o outro." O homem é para a mulher um meio: o fim é sempre o filho."(Nietzsche/Zaratustra).Isso, porque as mulheres seguem seus enigmas; os homens, seus caminhos, para o filho poder florescer: "Tudo na mulher é um enigma, e tudo tem uma solução, chama-se: gerar filhos"(Nietzsche/Zaratustra).Nos demos como quem afirmávamos a vida ,e o dom não voltou. Mas aprendemos que o dom autêntico, não exige retorno porque sempre fica a lição enigmática: quem ama para ter permanece. Quem ama para dar já habita outro horizonte. Pois a verdadeira medida do amor não está no reconhecimento, mas na liberdade de oferecer ,sem arrependimentos, porque afinal, temos que "amar a eternidade através dos instantes" para dar autenticidade e um peso ontológico as nossas vidas.

LAVAGEM CEREBRAL

A lavagem cerebral nos acompanha em quase todos os lugares: política, religião, mídia, ONGs, moda,etc., moldando ,silenciosamente, o pensamento e determinando o que é aceitável desejar ou acreditar. Nietzsche  nos advertiu: "Quem sabe que é profundo busca a clareza; quem deseja parecer profundo para a multidão procura ser obscuro." (G. C., §173).Ele também nos alertou sobre a ilusão da liberdade política:" Quem diverge das públicas opiniões impostas e fica à margem, tem sempre o rebanho inteiro contra si." (G.C., §174) .Pensar criticamente exige reconhecer essas influências sub-reptícias e,buscar a independência intelectual, evitando confundir escolha com liberdade ou aparência com profundidade. 

MISTÉRIO MAIOR QUE NÓS

São muitos, os eventos em nossas vidas que terminam sem um porquê. A razão pergunta, mas a Vida não responde, pois, como disse Nietzsche,"a vida não argumento." Quando nossa razão não consegue explicar, inventamos céu, destino, mistério, que são apenas nomes para aquilo que nos escapa.No entanto, Nietzsche nos chama para outra justificação: "Minha fórmula para a grandeza no homem é amor fati: nada querer diferente, seja para trás,seja para frente,seja para toda a eternidade.Não apenas suportar o necessário,menos ainda ocultá-lo."(E. H., "Por que sou tão ..., §10). O que termina nos devolve a nós mesmos para "tornarmos o que somos."(E.H., pról, §3). Sendo o fim, maior que nós,porque não conseguimos explicar racionalmente ,torna-se  a continuação da Vida.

AONDE FORES

Leva contigo Luz 

ilumine a Noite

com o sol da manhã Prateada,

faz dela um ouro Silencioso,

como a Lua Cheia

no espelho das Águas,

onde a Eternidade se comtempla

e a Temporalidade se dissolve.

OCULTAÇÃO

Religiões,

meros disfarces,

ocultando a face

mais profunda

da Vida.


Emaranham

a silente morada,

venalizadas

pelas próprias crenças!

Transformam-se

em empresas lucrativas

de transporte

para a Eternidade.


Confiscam-nos,

venalizando a fé

no Além.

Mas  Portal

e  Arco-Íris

surgem

para a efetivação

de uma nova Visão:

Transvaloração.

Superação.

Renovação.

SUPERAÇÃO DO SEXO COMO MENTIRA:JIM MORRISON E NIETZSCHE

Em várias entrevistas e anotações reunidas em (The Lords and the New Creatures e Wilderness),James Douglas Morrison revela que o sexo, na sociedade moderna, se tornou uma forma de mentira, uma encenação, uma tentativa de preencher o vazio existencial, mas sem autenticidade.Em uma passagem de Wilderness, ele escreve algo nesse sentido:" O sexo está repleto de mentiras. O corpo tenta falar a verdade, mas é geralmente reprimido. O motivo do sexo é a busca de algo verdadeiro, mas o que se encontra é apenas mais uma máscara".(Morrison, Wilderness: The Lost Writings).Sua crítica é profundamente existencial e poética,o sexo deveria ser uma porta de revelação e de êxtase,no entanto, nas relações humanas contemporâneas, torna-se repetição, disfarce, papel social,um reflexo do mesmo conformismo e falsidade que ele via na arte e na vida contemporânea.Morrison,leitor de  Nietzsche, intuiu que somente na embriaguez dionisíaca, quando o corpo rompe seus limites e o eu se dissolve na vida, o ser humano toca novamente o real.Nas palavras de Nietzsche:"A embriaguez da excitação sexual,a mais antiga e primordial forma de embriaguez; nela se expressa o impulso à vida e à superabundância da força vital"(Nietzsche, C.I.,IX,§8).Assim, o corpo pode deixar de mentir, e voltar a ser o que Morrison buscava: a "verdade" que ele pode revelar.

RELIGIÕES INSTITUCIONALIZADAS

As religiões institucionalizadas não celebram a vida, elas a negam. Inventaram um "além-mundo" para desprezar este, "pois os cristãos julgaram o mundo mau e feio... e inventaram um além-mundo" (C.I. "A 'razão' na filosofia", §6) Em vez de afirmarem os instintos e a terra, "tornaram suspeitos os instintos da vida" (A.C, §24), fazendo da fé um refúgio contra o mundo real. A "fé" diz Nietzsche, "significa não querer saber o que é verdadeiro" (A.C., §52); é a obediência mascarada de virtude, a renúncia disfarçada de salvação. Por isso, as religiões criam rebanhos, não criadores. "O cristianismo é uma moral de rebanho". Ensina o "instinto do rebanho contra o instinto dos fortes" (G.M., I,§13).Assim, o homem religioso não se torna livre, mas igual a todos os outros: "A moral do rebanho diz: Sejam iguais uns aos outros! "Sejam medíocres!" (B.M., §199).Contra esse nivelamento, Nietzsche exalta o espírito que ousa afirmar a vida: "O que é desejável são homens que se justifiquem diante da vida, que digam sim à vida" (G.C., §276). A Celebração da Vida é o verdadeiro culto. Tudo o mais é fuga, ressentimento e decadência.

A MORAL CONTRA A VIDA

A moral tradicional que se apoia em princípios transcendentes nega a vida sensível e impõe culpa e submissão a um mundo fictício. Segundo Nietzsche, "a cruz como distintivo da mais subterrânea conspi- ração que já houve - contra saúde,beleza,boa cons- tituição,bravura,espírito,bondade de alma, contra a vida mesma..."(A.C.,§62). 

VIVER É REESCREVER NOSSA HISTÓRIA

O autoconhecimento é importante, mas conhecer a nossa história pessoal é deveras mais importante porque é o verdadeiro caminho para a "criação e transvaloração" da nossa vida. Nietzsche não diz apenas: "Conhece-te a ti mesmo", mas complementa com o : "Torna-te quem tu és". Portanto, conhecer-se é transformar o que se viveu em criação e autossuperação. "Quero cada vez mais aprender a ver  como belo aquilo que é necessário nas coisas." (G.C., §276).Quem conhece e ama a própria história ama o destino — e, nesse amor encontra  força para dizer: "Da escola de guerra da vida. O que não me mata me fortalece." (C.I., §8).

O AR DAS MONTANHAS

Quem sobe às montanhas ri do "louvor e da censura" — lá o ar é puro demais para a vaidade respirar.

NIETZSCHE E O ESPIRITISMO

Para Nietzsche, o Espiritismo é a reedição piedosa da decadência cristã sob linguagem científica.Sob a aparência de progresso moral, ele mantém o mesmo princípio "reativo nihilista": a negação da Terra, a glorificação do além, a sacralização da dor."A fé na imortalidade é uma afronta à razão, uma mentira do instinto de fraqueza.(AC, §17)."Que é o homem? Um animal doente", (G.M, III, §13).A doutrina das "provas e expiações" confirma exatamente isso: o homem é doente, culpado, em falta.No entanto,Nietzsche exigiria o contrário: a "inocência do devir, o sim à vida sem culpa, sem expiação, sem além".Enfim, a doutrina espírita é uma forma de "nihilismo passivo,reativo",porque torna o homem preso  mundos fictícios:o além-mundo,o mundo ideal platônico,mundo espiritual kardecista, e qualquer outra forma de mundo transcendente.

ALÉM DO LOUVOR E DA CENSURA

 Os elogios podem até encantar. O grande lance é que a sinceridade é mais importante. Homens e mulheres maduros não se encantam com elogios ou ficam chateados com críticas. Verdadeiramente, eles se encantam com boas e sinceras atitudes e, sobretudo, ouvem as críticas como construtivas. Se posicionam "além do louvor e da censura", como escreveu Nietzsche.

O PENSAMENTO PARTE DE UMA CRENÇA

Todo o sistema de pensamento se apoia em pressupostos não demonstráveis, quer dizer, aquilo que se acredita ser verdadeiro antes de poder ser provado.O Humanista  por exemplo, acredita na dignidade do ser humano, no entanto, isso é uma crença moral e não um fato. O cientista acredita na ordem racional do mundo e na confiabilidade da razão e dos sentidos , no entanto, isso é uma fé epistemológica, não uma prova. Até mesmo o cético acredita na validade do ceticismo.Assim, a descrença absoluta é logicamente impossível,porque negar já é afirmar algo, haja vista que não se pode negar a partir de nada.

ESTRITAMENTE NÃO EXISTEM ATEUS

Até mesmo aqueles que negam Deus acreditam em algo, ninguém vive sem crença. Os ateus que negam Deus acreditam em muitas coisas, tais como:humanidade,destino,progresso,ciência,princípios,razão,etc.

COMÉRCIO COMO CORRUPÇÃO DO ESPÍRITO

Segundo Nietzsche,"A alma nobre tem respeito por si mesma"(BM,§287) o seu agir é por excesso de força, não pela "utilidade", pelo cálculo.Sua doação é expressão de abundância, não de troca.Quando a criação se curva à medida e ao ganho, começa a corrupção: quem compra barato e vende caro não cria - apenas calcula.Para ele,a justiça nasce entre partes aproximadamente iguais em potência.Onde um explora e outro se submete, já não há justiça,mas astúcia;Assim,o comércio torna-se máscara da desigualdade.O mundo moderno tornou-se um grande comércio "Tudo nele é falso;morde com dentes roubados.Até suas entranhas são falsas" (Zaratustra, Do novo ídolo). O espírito se corrompe, já não quer criar ,mas lucrar de modo vil e utilitário.

O ANTIMATERIALISMO DE NIETZSCHE

Os livros "História do Materialismo" de A. Lange e "Filosofia Natural" de R. Boscovich desempenharam um papel crucial na formação da crítica de Nietzsche ao materialismo. Lange argumenta que o materialismo é incapaz de sustentar suas premissas, sendo válido apenas como um recurso metodológico. Nietzsche se apropria dessa abordagem para defender o vitalismo inerente à sua filosofia e, simultaneamente, adota a crítica de Boscovich ao atomismo materialista. Boscovich se opõe à ideia corpuscular da matéria e propõe uma perspectiva dinâmica das forças e fenômenos, compreendendo o mundo como um aglomerado de pontos de força indefinidos em extensão. Munido desses intelectuais, Nietzsche se posiciona de forma radical contra o materialismo, abraçando uma visão dinâmica do universo como "Vontade de Potência", baseada na noção de forças em vez de matéria. Ao rejeitar o materialismo, ele afirma a natureza dinâmica do mundo e, assim, adota uma postura antimaterialista, declarando: "Não existem substâncias que perdurem eternamente; a matéria é um equívoco, assim como o deus dos eleatas" (Gaia Ciência, §109, Cia das Letras).

AMAR É SUPERAR-SE JUNTOS

Quando o amor é maduro, ele deixa de ser projeção e se torna espelho. Já não há um que idealiza e o outro que é idealizado, mas dois que se reconhecem e se impulsionam, havendo um vínculo horizontal. O amor compartilhado evolui através de crescimento, ambos se inspiram, para serem mais plenamente e com vontade de criarem um criador. Segundo Nietzsche, no Zaratustra:" Vontade a dois em criar um que seja mais que aquele que os criaram."  Assim,o amor maduro não é posse nem refúgio,mas criação - um movimento a dois que aspiram juntos " criar um ser que seja mais elevado ".

FILOSOFIA E CIÊNCIA

 A discussão sobre conhecimento evolui da teoria clássica para a filosofia da ciência contemporânea, focando na relação entre observação de objetos particulares e a busca por explicações universais. O objetivo central é entender como teoria e prática se unem para gerar a "genuína ciência", resolvendo assim questões sobre a racionalidade científica. Filosofia e ciência compartilham o propósito de expandir o conhecimento, mas a diferença entre suas abordagens não é clara. A ciência busca argumentos específicos, enquanto a filosofia questiona as condições para alcançar verdades universais. Portanto, tentar separar claramente ciência e metafísica pode ser uma ilusão. Hoje, muitos acreditam que ciência e metafísica estão interligadas, e tentar opor ou separar essas áreas é visto como utópico.O discurso científico é único, exigindo rigor e uma crítica constante, nunca buscando conclusões finais e absolutas. Esse rigor é fundamental para a noção de racionalidade, que envolve discutir problemas sem preconceitos e evitando certezas absolutas. Tanto nas ciências formais quanto nas humanas, o rigor é influenciado por contextos históricos, e nenhuma teoria é considerada rigorosa de forma isolada. A história da ciência mostra que as ideias científicas evoluem frequentemente, desafiando regras metodológicas. É difícil traçar uma linha clara entre ciência e metafísica, pois a própria história científica contém tensões entre essas instâncias.As mudanças de paradigmas nas ciências refletem conflitos entre métodos e dinâmicas da razão científica. Essas transições geralmente visam desenvolver teorias mais abrangentes que integram precedentes e esclarecem limitações. Isso exige novas interpretações e adaptações para atender a requisitos epistemológicos, ajustando as investigações científicas conforme necessário. A experiência não fundamenta princípios dos fenômenos, mas orienta as investigações. As teorias científicas não aceitam dados da experiência passivamente; elas os corrigem e buscam vínculos com contextos históricos e culturais, permitindo enquadrar fenômenos em teorias mais amplas.Esse processo envolve uma dialética entre observação de dados e elaboração teórica, sem um ponto final de investigação. A filosofia da ciência tem a capacidade de fazer uma análise crítica de outras áreas do conhecimento, como a religião, economia e política. Por exemplo, questiona se o cristianismo deve ser visto como superior a outras religiões, assim como proclamado por culturas ocidentais. Em economia, suas leis, baseadas na experiência, não podem fornecer conclusões absolutas. Na política, o conceito de liberdade é analisado criticamente, revelando que esse termo carece de uma definição precisa e deve ser considerado dentro de diversos contextosEssas análises críticas levam à tarefa desafiadora da epistemologia moderna de diferenciar claramente a retórica dos conceitos religiosos, econômicos e políticos discutidos. Assim, o debate sobre conhecimento e ciência envolve uma visão ampla e crítica, que propõe refletir sobre as interconexões entre diferentes áreas e o que significa buscar a verdade. Essa busca nunca é final, mas um processo contínuo de exploração e reavaliação.A reflexão sobre a natureza do conhecimento requer entendimento sobre a complexidade das relações entre diferentes campos, e como a ciência, a filosofia e a experiência se entrelaçam para moldar o que entendemos, destacando a importância de um debate aberto e sem preconceitos.

OBRAS CONSULTADAS:

1)MORA, J.F. Dicionário de Filosofia. São Paulo:Ed. Loyola,2000.

2)ABBAGNANO, N. História da Filosofia em 12 volumes. Lisboa.Ed. Presença,2001.

3)LACROIX, A. A razão. Rio de Janeiro. Ed. Vozes, 2009.

4)MEDAWAR, P. Os limites da ciência. São Paulo.Ed. UNESP,2005.

5)HUISMAN, D. Compêndio Moderno de Filosofia. São Paulo.Ed. FreitasBastos,1978.

6)OMNÉS, R. Filosofia da Ciência Contemporânea. São Paulo.Ed.UNESP.1995.

SEM LIMITES

Tudo são conjecturas.
Nada é o que é
Indicações sinistras...

Invadem nossas mentes


A incomensurabilidade
reina no mundo da Vida
Do Ser, do Não Ser
Ao Nada


Autocriação e aniquilamento.
Eterno mistério da Vida
Eterno retorno do devir

ETERNO RETORNO - INOCÊNCIA DO DEVIR

Estamos nos

reencontrando

novamente.

Mas não somos

mais os mesmos!

A eterna recorrência cósmica

Nos atrai e nos afasta

Para vivermos o eterno

jogo existencial.

Celebremos!

Vida é celebração, aventura,

Criação de destinos

Culpa nenhuma há

Total inocência do devir!

Aniquilando todo espírito

de vingança,

Abrimos caminhos para

novas possibilidades

Um arco-íris nos espera,

Sinalizando a ultrapassagem! 

SOLIDÃO BEFAZEJA - CRESCIMENTO

 Em nosso mundo interior, estamos absolutamente a sós. Permanente fluxo de pensamentos, sensações, emoções, pulsões, instintos etc. Sempre e somente experimentamos a nós mesmos, a nossa própria existência. Não julguemos, então! Eis um dos caminhos para o cerne da tranquilidade da alma. Tudo isso, e apenas isso, é que precisamos para atingir o âmago do silêncio meditativo criador e da beatitude contemplativa intencional. O mundo sempre está em nós. Assim, faz-se necessário tomarmos posse de nossas vidas. Espaço para criar, expandir o nosso ser intencional rumo a novos paradigmas de crescimento, que irão se manifestar em nossa vida e no mundo.