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BOURDIEU: A EDUCAÇÃO E A ESTRUTURA DO HABITUS

Estudiosos do pensamento de Bourdieu têm no conceito de Habitus (do latim: "maneira de ser"), sendo o ponto fulcral de seu pensamento sociológico, entendendo o Habitus como uma estrutura mental que estrutura e é estruturado, na qual os agentes adquirem suas múltiplas posições e comportamentos de maneira dinâmica, permanentemente corporificados em processos de mudanças adquiridas e tornadas "naturais". Para Bourdieu, a socialização é a incorporação dos Habitus de classe, havendo uma maior interação entre as classes que se tornam grupos que dividem o mesmo Habitus. Existem Habitus primários, ligados diretamente ao instinto de conservação dos agentes e Habitus secundários que estão inseridos nos diversos campos entre os quais, o campo relacionado à educação. Os campos são estruturas sociais, fundados no Habitus, em um sistema de configurações unificado, ou seja, é um espaço social específico (escola, cultura, política, educação etc). Cada Campo tem um Habitus próprio, o da Educação, para Bourdieu, está ligado, tanto ao Habitus primário, quando ao secundário. Nos Habitus primários estariam os hábitos instintuais, nos secundários, como no caso da educação, estariam ligados aos laços estruturados e reproduzidos pelos Habitus no campo da educação. Para ele, a educação tradicional vigente, ao invés de reduzir as desigualdades sociais, contribui para reproduzi-las. Desse modo, urge investigar os processos que levaram a estruturar esse paradoxal resultado. Sua investigação chegou à conclusão que a educação foi estruturada através de um longo processo de "violência simbólica", quer dizer, forjada por uma determinação arbitrária das estruturas de poder sociais dominantes, que infligem de modo dissimulado seu poder ao sistema educacional(Campo da Educação), reproduzindo suas estruturas, impondo-as a toda sociedade, através do sistema de ensino, adquirindo, assim, um Habitus, que, portanto é incorporado aos docentes, que reproduzem as semelhantes estruturas de dominação que originaram os valores dominantes, repassando-os de uma forma institucionalizada através dos diversos processos de seleção tradicionais, que nas bases tradicionais, seriam processos de desigualdade e exclusão social. Enfim, para Pierre Bourdieu, a ação do sociólogo seria a de colocar em evidência as múltiplas estruturas de dominação reproduzidas, e efetuar uma contra-violência simbólica, estruturando através de novos Habitus, uma educação que teria como meta a formação do "Agente social", cuja ação pedagógica seria variada e múltipla, desvelando as estruturas de dominação desconhecidas por aqueles que sofrem debaixo as pressões do sistema educacional tradicional. Ao demonstrar a existência de um domínio simbólico, o sociólogo deve incitar para que não aceitemos com naturalidade as divisões sociais. Os excluídos da sociedade, para ele, devem tentar adquirir aquilo de que foram privados: educação, cultura, lazer, informação etc. Cabe aos Agentes sociais que possuem o conhecimento e as articulações dos "jogos de poder" fornecer os meios teóricos e práticos para agir sobre as estruturas sociais e, portanto, a possibilidade de reconstruir a história inscrita em nossos corpos sob a forma de novos hábitos, tendo em vista que, o que está posto deve ser mudado, para não haver uma reificação.

REFERÊNCIAS:1) Dicionário de Sociologia, Zahar, A. G. Johnson.

2) Dicionário dos Filósofos, M. Fontes, D. Huisman.

3)50 Grandes Educadores Modernos, Contexto, J.A. Palmer.

4) Primeiras lições sobre a Sociologia de Bourdieu, Vozes, P. Bonnewitz.

5) O poder simbólico, Bertrand Brasil, Bourdieu.

6)Dicionário de Filosofia, Ferrater Mora, Loyola.

 

SISTEMA EDUCACIONAL ULTRAPASSADO

Nossa Educação tradicional, muito formal, está obsoleta e, raramente, inclui instruções sobre como aprender novos modos de aprendizado, como melhorar efetivamente a memória, como aumentar a criatividade, como estimular o interesse para os estudos. Para haver uma efetiva melhora, uma solução possível, seria adotar nas escolas a Teoria das Inteligências Múltiplas de Howard Gardner, que as classificou em sete tipos: Linguística, Musical, Lógico-matemática, Espacial, Corporal-cinestésica, Interpessoal, Intrapessoal. Desde que lançou seu primeiro livro ele já acrescentou a lista supracitada uma oitava inteligência, que ele denominou de inteligência naturalista, que consiste em ter talento para a culinária e agricultura, como, também, uma habilidade em resolver problemas ecológicos. Outra solução bem menos dispendiosa seria a implantação do Xadrez (Jogo-Arte-Ciência) como ferramenta educacional, para implementar o raciocínio, a criatividade, a atenção, a memória, e outras habilidades que o enxadrismo proporciona.

A PRÁTICA ENXADRÍSTICA

Considera-se o xadrez, o segundo esporte mais praticado no mundo depois do futebol, desempenhando um papel essencial no desenvolvimento de várias habilidades, entre elas: controle da atenção, estímulo à imaginação criativa e pensamento lógico, equilíbrio entre razão e emoção e capacidade de cálculo. Em geral, o enxadrismo apresenta uma clara superioridade em força de vontade, tenacidade, memória e concentração naqueles que o praticam. Ele estimula o desenvolvimento intelectual de crianças e jovens, enquanto em adultos e idosos o xadrez ajuda a manter o desempenho mental por mais tempo, previne o envelhecimento cerebral e otimiza a psique na velhice. É o mais completo de todos os jogos, conhecido como o Jogo-Arte-Ciência. Jogo porque existe a luta, arte porque existe a beleza das combinações e ciência porque existem regras e leis que só devem ser quebradas em raras ocasiões, após uma análise profunda. De acordo com Kasparov, o xadrez imita a vida e, portanto, contribui significativamente para a tomada de decisões e no jogo fundamental que é o jogo da vida.

IMPOSIÇÃO DA TÉCNICA SOBRE O HOMEM

Heidegger percebeu a total dependência do homem através da técnica, segundo a citação: “O homem sofre o controle, a demanda e a injunção de uma potência que se manifesta na técnica e que ele próprio não domina”. (Heidegger, Respostas a questões sobre a história e a política), apud, O sentido da filosofia, Marcel Conche, p.61, Ed. Martins Fontes.

DO MESMO BANDO

Quem tiver ouvidos para ouvir que ouça. É fácil entender! Essas raposas são do mesmo bando, apenas fingem pertencer a bandos diferentes.

SISTEMA CORROMPIDO

Segundo Pierre de Bourdieu, uma das principais causas dos sistemas políticos serem corruptos é porque são comprados pelo mercado. A dívida pública é a representação da corrupção.

LÓGICA DA MÚTUA COLABORAÇÃO

No momento em que começamos a não colaborar com as pessoas do nosso lado, também começamos a não colaborar conosco.

FALHA NA RACIONALIDADE DO MATERIALISMO

"Nada vem do nada" é um princípio fundamental do pensamento grego, que tem sua contrapartida neste outro princípio: "Nada é destruído". Então, como algo pode se tornar nada? O materialismo erra na pretensão de ser racionalista!

FLEXIBILIZAR A PLEONEXIA

Podemos formar uma aliança ao longo do tempo, ser flexíveis para valorizar melhor o que temos. A pleonexia nos impede de aproveitar plenamente nossas vidas.

FLEXIBILIDADE EXISTENCIAL

Permaneçamos flexíveis

Quebremos a moldura à nossa volta

Continuemos buscando e fluindo 

Leves como uma Gaivota

Sentindo a energia pulsando

Quebrando a rotina!

Que a existência seja nosso Templo 

Templo vivo, mutante

 Abandonemos: Crenças e rótulos

 Templos mortos!

 Com nossas mentes sempre abertas

 confiemos em nossos caminhos

 Abrindo-nos para a existência

 Permaneçamos flexíveis e abertos

 Eternamente no mundo da Vida

 Nossa viagem continuará!

DECIDAMOS, ENTÃO!

Factualmente, a todo momento temos o poder de nos reavaliar para tentarmos nos reconstruir, a fim de nos superarmos e estarmos abertos para o novo. Ou nós nos engajamos nesse eterno movimento de devir, tornando-nos coparticipantes da vida em comunhão ou nos tornaremos fantoches de forças alheias a nossa vontade e nos perderemos na inautenticidade.

ANTES QUE SEJA TARDE

Uma silente guerra já começou

Armas silenciosas

Instauram uma servidão inusitada

Adentrando cada vez mais nossos

lares

Guerras biológicas, sem lógica

Exceto a do Capital

 

A NOM

estabelece suas próprias regras

Aniquilando-nos cada vez mais

Temos e devemos fazer algo


Parar o círculo desse jogo

pútrido de Poder

Antes que seja tarde

Esse Poder deve ser

Aniquilado

INIMIGO E MESTRE

Segundo a sabedoria oriental, o homem tem dentro de si o seu maior inimigo, mas tem, também, seu maior mestre. Fazer “parar” a mente através dos diversos tipos meditação é um exercício a ser praticado diariamente, somente assim podemos escutar nosso mestre interior, em uma busca para a superação de nós mesmos, que nunca para.

O HOMEM NÃO POSSUI UM ESTATUTO ONTOLÓGICO SUPERIOR AO DOS ANIMAIS

Sob a influência de Schopenhauer, Nietzsche não consegue imaginar que o homem tenha um estatuto ontológico superior ao dos animais. Os seres humanos também são considerados “animais não fixados”. Os animais cumprem seu “destino” como animais. O homem como "animal indefinido" tem a missão de moldar o destino de sua vida. A sugestão de Nietzsche é que o homem deve fazer conscientemente o que os animais fazem inconscientemente. 

LIMITES DA LINGUAGEM

Há no mundo muitos meios de comunicação, no entanto, existe uma constante falta de compreensão, devido à insuficiência que é inerente a linguagem para expressar adequadamente as coisas.

 

INTERIORIDADE CRIADORA

 O mundo “exterior” deve ser “abandonado”, porque através dele há um enfraquecimento de nossas capacidades criadoras. Desse modo, temos como consequência, um aniquilamento de nossa interioridade, que é a nossa maior morada.

DESDE 500 A.C., O JOGO DESONRADO NA POLÍTICA CONTINUA O MESMO

Como já sabemos, a invenção da moeda remonta a Grécia antiga, houve através dela a destituição da nobreza de sangue, aniquilando com o prestígio dos governantes que possuíam terras (Aristocracia Rural), colaborando para uma pseudo sociedade igualitária. O eminente filósofo Heráclito de Éfeso, foi um dos que se insurgiram contra o poder da moeda,  onde, já naquela época: adiavam as ações da lei, acobertavam crimes,garantiam imunidades, ,influenciavam os governantes,e muitas outras falcatruas . As assembleias populares que eram segundo ele, dirigidas por demagogos, o afetavam porque os argumentos foram sobrepujados pelo novo "império da moeda”, chegando ao ponto dele amaldiçoá-los em um de seus fragmentos de sua obra, precisamente no frag. 125 , vejamos: " Que suas riquezas nunca lhes falte, homens de Éfeso, assim suas maldades poderão ser totalmente exibidas" .

ESPERANÇA CRIATIVA

 

Chega de antagonismos vis

 O mundo já está

 saturado e morrendo

 Depositemos nossa fé

 nas crianças

 Futuro do mundo!

 Se confiarmos nelas

 Não manipulando-as

 Com sabedoria de

 "Velhas"

 Ou de dissimuladas Mitras

 O mundo progredirá

 inexoravelmente!

 

 

MOMENTO PARA MUDANÇAS!

 Agora, chegou o momento de unir forças.

Ouvir: Avisos, alertas e chamados.

Tempo de novas criações, construções e ações.

A transvaloração nos convida...

Para que o futuro esteja em nossas mãos.

E não o FIM do futuro.

Então, caminhemos

Para o Alto, para o Alto!

EVITAR EQUÍVOCOS SOBRE A "MORTE DE DEUS"

Para Nietzsche, não era pelo fato de Deus haver deixado de ser crível, mas devido a maneira fluente com que a ciência se encaixou no mesmo espaço fundamental e segundo ele, ninguém percebeu a sutileza desse acontecimento da Modernidade, exceto Heine e Hegel. De maneira alguma Nietzsche é um niilista passivo, para ele, a morte de Deus foi o maior evento cultural dos tempos modernos, que permite aos “Espíritos Livres” criarem valores. “Deus está morto” deve ser compreendido, também, como não existindo um único princípio que explique a gênese do universo. Embora tenha deixado ambiguidades sobre a transvaloração, o que permitiu diversas interpretações de sua obra, ele não argumentou a favor da “Morte de Deus”, o que de fato ocorre é um relato, conforme Gaia Ciência §125, §343 e no prólogo do Zaratustra.

AMBIGUIDADES DA MODERNIDADE

Se por um lado no mundo moderno encontramos um espaço que nos promete grandes possiblidades de alegria, autonomia, aventuras, crescimento e transformações, ao mesmo tempo, ocorrem ameaças de se destruir tudo o que construímos; os ambientes e as nossas experiências cruzam todas as fronteiras étnicas, geográficas, sociais, religiosas. É certo afirmar que há uma certa união, todavia, essa união é paradoxal, porque existe nessa união uma desunião, devido as constantes renovações, mudanças, guerras, gerando ambiguidade e angústia. No poema, A Segunda Vinda, Yeats mostra essa fragmentação: “Tudo esboroa; o centro não se sustém. A pura anarquia avança sobre o mundo.”(Poemas, Cia das Letras.p.92.).

Para Baudelaire: “A modernidade é o transitório, o efêmero, o contingente, é a metade da arte, sendo a outra metade o eterno e o imutável”(A Modernidade, Ed. Nova Aguilar, p.859). Podemos concluir que a vida moderna é pela ambivalência, pelo fugidio, pelo efêmero, e ser moderno é tomar parte de um mundo onde, como disse Marx, “tudo que é sólido se desmancha no ar”. A transitoriedade moderna, não apenas envolve uma ruptura com as épocas anteriores, ela também, envolve rupturas e fragmentações internas tornando-se um conflito crônico que se intensificou de maneira aguda, ao ponto de abarcar toda a extensão da existência, se estendendo até a contemporaneidade e isso, sem dúvida, nos impele à criação de novas formas onde um problema é suprimido por outro novo, e um conflito por outro, havendo a incorporação do elemento trágico como luta em um sentido absoluto, abrangendo as oposições entre luta e paz de modo relativo, em um movimento que nunca para.

CONSCIÊNCIA GLOBAL PLANETÁRIA

Podemos conceituar consciência planetária um sentimento que conduz ao conhecimento vital da interdependência e da unidade essencial da humanidade, como também, a adoção consciente da ética e de seus comportamentos que implicam em um imperativo básico da sobrevivência e melhoramento da vida humana na Terra. Um indivíduo dotado de consciência planetária reconhece o seu papel no processo evolutivo e age responsavelmente à luz desta percepção, essa orientação que visa melhorar as condições da vida tem de começar a partir de cada um de nós; somente então, é que poderemos ser responsáveis e agentes eficazes na mudança e transformação da nossa sociedade como um todo. A mudança deverá ocorrer a nível individual com a tomada crescente da consciência global planetária e se expandir progressivamente e ascendentemente.

ULTRAMETABOLISMO - A CHAVE PARA PERDA DE PESO SAUDÁVEL

Faz-se necessário perceber que, se nós acumulamos um excesso de calorias durante muitos anos, não será possível restabelecer as coisas em um curto espaço de tempo. Pessoas que esperam fórmulas miraculosas são presas fáceis para os vendedores de suplementos ou até mesmo de regimes “revolucionários”. Nenhum suplemento fará o trabalho de perder peso por nós, nosso melhor arsenal contra os quilos a mais, além de bons conhecimentos sobre nutrição, é a nossa força de vontade em perseverar em nossa meta de se alimentar, corretamente, ao longo de nossas vidas. É necessário, também, saber que, apenas, em um primeiro momento, todos os regimes são eficazes para perder peso. Todavia, nós não devemos confundir perda de peso com perda de gordura. Nem todas as perdas de peso são induzidas por uma redução das reservas de gordura. Temos que saber que uma restrição calórica reduzirá o nosso peso de modo mecânico, através do esvaziamento progressivo do aparelho digestório e, porque a retenção de água se tornará menor por causa da diminuição das nossas reservas de glicogênio, que retém água em nossos músculos, tendo como consequência um catabolismo, onde há perda de músculos ao invés de perda de gordura. Recentes pesquisas mostraram que menos de um terço das gorduras mobilizadas são efetivamente oxidadas; portanto, o fator limitante está na oxidação das gorduras que voltam para o nosso tecido adiposo. Para haver uma efetiva utilização da gordura corporal é necessário aumentar a nossa capacidade oxidativa, acelerando nosso metabolismo para haver uma diminuição do apetite, porque a dificuldade para queimar gordura está associada a uma diminuição metabólica, através de um maior armazenamento de gorduras o que acarreta um aumento do nosso apetite. Para tal é necessário fazer três refeições ao longo do dia; fazendo isso, nosso corpo irá queimar mais gordura com a prática diária ou regular de uma atividade física aeróbica aumentando progressivamente a nossa capacidade oxidativa dos músculos, também, é necessário acelerar nosso metabolismo através de uma alimentação rica em proteínas de excelente valor biológico, gorduras saudáveis, carboidratos de lenta absorção de açúcar, fibras e hidratação adequada. Podemos usar, também, um termogênico para auxiliar na aceleração metabólica. O processo de aquisição e manutenção de um Ultrametabolismo corporal, ocorrerá a partir de uns noventa dias e irá requerer nossa perseverança em manter tanto a atividade quanto uma alimentação adequada.

PARADOXO DA FILOSOFIA

A filosofia traz consigo uma incerteza imortal porque ela se sucede ao longo de milhares de anos, e sua história nunca termina!

DAR AUTENTICIDADE A NOSSAS VIDAS

Nietzsche em um Fragmento Póstumo nos ensina como devemos dar um peso ontológico ao mundo e por conseguinte a nossa vida, “Imprimir ao devir caráter de ser, eis a mais alta forma da vontade de potência”. Na Terceira consideração extemporânea, ele afirma que para tal, devemos assumir por nossa conta a responsabilidade diante de nossa existência, “Temos de assumir diante de nós mesmos a responsabilidade por nossa existência, por conseguinte, queremos agir como verdadeiros timoneiros desta vida e não permitir que nossa existência pareça uma contingência privada de pensamento.” Nietzsche in: Schopenhauer Educador.

 

A TAREFA DOS FILÓSOFOS

Na Genealogia da moral, Nietzsche escreveu de modo enfático em que consiste a tarefa dos filósofos através de todas as ciências, "Todas as ciências devem preparar ao filósofo a sua tarefa, que consiste em resolver o problema dos valores, em determinar a hierarquia dos valores."(GM, 17, nota, p.66, Vozes de bolso).

ÉMILE DURKHEIM E O SUICÍDIO

Émile Durkheim se fundamentou em muitos dados estatísticos para fazer um estudo sociológico do suicídio, mostrando a relação entre anomia, ou seja, a ausência de normas e o índice de suicídio como forte indicador deste, principalmente, em uma sociedade ou em grupo social na era industrial. Por anomia ele compreendia o desregramento (hybris) moral da sociedade, pois os indivíduos não sabiam que normas ou regras seguir. Para ele, o índice de suicídio em determinada sociedade é inversamente proporcional ao grau de integração, quer dizer, das relações dos indivíduos nas estruturas familiares, religiosas e políticas dessa sociedade. As crises sociais carregam em si grande risco de anomias e, portanto, têm grande risco de haver altos índices de suicídio, muito embora, progridam financeira e economicamente.

Durkheim ficou bastante impressionado com os altos índices de suicídio ocorridos na época industrial, concluindo que nas sociedades tradicionais, onde a estabilidade era muito mais coesa, havia uma certa imunidade com relação ao suicídio.

Enfim, Durkheim concluiu que o suicídio é um fato social normal, no entanto, o alto índice de sua taxa é que o torna patológico. Desse modo, o fato social normal é aquele que favorece a integração social e o fato social patológico é excepcional, pondo em risco a integração social. Para ele, havia quatro tipos básicos de suicídio: o egoístico, o altruístico, anômico e o fatalista. Os dois primeiros eram consequências, respectivamente, da subintegração e da superintegração entre o indivíduo e a sociedade. O anômico deve-se a um desregramento moral, e o fatalista a um hiper-regulação moral da sociedade, oprimindo o indivíduo.

 Bibliografia:

1) Sociologia - A. Giddens, Ed. Artmed, R.G. do Sul,4ª ed.,2005.

2) Enciclopédia Luso-Brasileira de Filosofia, Lisboa/Paulo, s/d  

3) Dicionário de Sociologia, JZE, R.de janeiro,1997.

 

PACIÊNCIA E SERENIDADE

Eis duas virtudes essenciais a todo instante, principalmente, no nosso mundo hodierno onde predomina valores de “animais de rebanho”, valores imediatistas para fins de mercado. O pensamento que faz cálculos, é o pensamento tal como foi concebido o conceito de Razão (RATIO) pela nossa cultura ocidental, é a antiga forma que os filósofos contemporâneos chamam de Razão Instrumental. Essa forma de pensamento é dominante em nossa cultura, ele nunca “para”; daí a vantagem da cultura oriental que valoriza a meditação, que traz a paciência e a serenidade. O pensamento que calcula, de forma nenhuma é um pensamento reflexivo, meditativo, criador. O pensamento precisa transpor as barreiras do mero cálculo, para atingir outro nível de pensamento, ou seja, o pensamento que medita e reflete sobre o valor das coisas que nos afeta. Para, assim, direcionarmos nossas vidas, criando sempre valores novos. 

LIBERDADE GREGA TRÁGICA

Os gregos da época trágica, pensavam que a liberdade humana se manifestaria na luta (Agón) para superar as regras imutáveis da natureza (Physis), que foram fixadas pelos deuses.

A CRÍTICA DE NIETZSCHE A NOÇÃO DE FUNDAMENTO

 No que diz respeito a Nietzsche, a crítica à metafísica se deixa perceber através do conceito da “morte de Deus” e seus desdobramentos.

No aforismo 108 da Gaia Ciência, Nietzsche nos adverte que os homens têm que não apenas saber que Deus está morto, quer dizer, que o fim da maneira metafísica de pensar baseado na oposição entre aparência e realidade, verdade e falsidade, bem e mal etc., sejam desconsiderados, tendo em vista que com o esfacelamento da racionalidade medieval e com a ascensão da racionalidade científica moderna, temos como consequência a ausência de um fundamento ou horizonte organizador de nossa cultura, gerando um total esvaziamento dos valores que até então vigoravam no seio do pensamento. Também, vencer a sombra dessa morte que é o ponto máximo do niilismo ativo, sem o qual não poderia ocorrer a “transvaloração de todos os valores”, quer dizer, sem a morte de Deus, a ideia de uma instância transcendente e ideal continuará agindo em nossa forma de pensar, levando-nos a nos submeter, ao criar valores, a essa “sombra da morte de Deus”, ou seja, a essa esfera ilusória.

No aforismo 109 da Gaia Ciência, Nietzsche critica o caráter antropomórfico do conhecimento no que se refere à interpretação moral do mundo a partir da racionalidade filosófica ocidental, que compreendia o mundo ora como uma máquina (Descartes), ora como um ser vivo (Romantismo), ora como Autoconservação (Espinosa) etc., tendo em vista que tais abordagens levam a uma limitação através da antropomorfização, gerando dogmatismos no conhecimento. A nova tarefa segundo Nietzsche seria livrar os seres humanos de um conhecimento puramente ideal e dogmático e convidar a filosofia a se desvencilhar completamente da sombra da morte de Deus “Desdivinizando a natureza” e “Começar a naturalizar os seres humanos”. Todavia, ele nos adverte para não haver um dogmatismo com relação ao conceito de natureza, para não cair num círculo vicioso, e antropomorfiza-la novamente; e para isso quando ele escreveu: “De nova maneira descoberta e redimida” mostra muito bem a abertura para novas possibilidades no conhecimento, para encontrar a partir de sua naturalização um outro ponto de vista para redimir o Homem do peso de toda tradição filosófica ocidental que acreditava em um conhecimento objetivo, ou seja, que a verdade poderia ser descoberta e não criada, como também em um único princípio.

No aforismo 110 da Gaia Ciência, Nietzsche mostra que para a conservação da espécie foi necessário que houvesse entre os homens convenções, sem as quais a vida teria se tornado muito mais difícil, ou até mesmo impossível. A verdade, não é procurada sendo um bem em si, mas, pelo que há de vantajosa para a conservação da espécie, neste sentido, a verdade seria uma “ficção útil”; para tal, foi preciso acreditar “que existem coisas iguais”, “que o nosso querer é livre”, etc.

No aforismo 111 da Gaia Ciência, Nietzsche percebe que o pensamento lógico surgiu do ilógico, e que a partir disso à questão do fundamento do conhecimento torna-se um problema, no sentido de que a base do lógico é ilógica, tendo em vista que não há nada igual a nada, idêntico; ele nos adverte que essas noções lógicas como, por exemplo, o conceito de identidade, surgiu para os homens agirem no mundo de maneira prática, e não para conhecer as coisas em si mesmas. Desta forma, para Nietzsche o conhecimento tem um contexto natural, social e convencional, e a objetividade deve ser considerada uma função prática da subjetividade.

No aforismo 112 da Gaia Ciência, o princípio de causalidade recebe uma abordagem influenciada por David Hume; Nietzsche, coloca a sustentabilidade da causalidade em questão, a partir da consideração de que as percepções habituais dos fenômenos não trazem em si quaisquer garantias quanto à previsão de que eles voltarão a se repetir. O cerne da crítica reside em que não há uma estrutura causal subjacente à realidade, mas apenas a constatação, reforçada pelo costume, de uma sequência espaço-temporal que não tem nada de necessário, e daí a tarefa inútil da ambição filosófica de explicar de modo definitivo, o funcionamento do mundo, pois apenas:

“Um intelecto que visse causa e efeito como continuum, e não, à nossa maneira, como arbitrário esfacelamento e divisão, que enxergasse o fluxo do acontecer — rejeitaria a noção de causa e efeito e negaria qualquer condicional idade” (Nietzsche F.W. A Gaia Ciência-Ed. Cia das Letras).

Assim, fica claro que para ele não há um determinismo entre causa e efeito, desta forma, a questão do fundamento torna-se problemática, porque é contingente e antinômica. No aforismo 344 da Gaia Ciência, Nietzsche observa que no fundamento da ciência não há nenhuma garantia de uma verdade primeira, não há fundamento seguro para se afirmar que a verdade seja melhor que a inverdade, segundo ele, é de uma concepção prática que surge a convicção inconteste da necessidade de verdade que vem como base da ciência, desta forma, ela também ocasiona um dualismo implícito, uma cisão entre dois mundos, onde de um lado temos a verdade e do outro a falsidade mantendo-se na dualidade platônica, negando o mundo das aparências. A ciência seria para Nietzsche uma sombra da morte de Deus, uma nova devoção que recoloca a divisão da realidade, pois, segundo Nietzsche, há uma relação entre a racionalidade filosófica socrático-platônica e a racionalidade moderna, que com sua “vontade de verdade” funda a ciência, que é apenas “uma crença forte”. Não há ciência sem a hipótese metafísica de que a verdade é superior à falsidade.

Na seção do Crepúsculo dos ídolos: A “razão” na filosofia, Nietzsche faz uma crítica radical ao conceito tradicional de razão, percebendo que toda a filosofia clássica desvalorizou a sensibilidade como uma ilusão enganadora, e que a razão concebida como inata, como um a priori, negando todos os seus aspectos instintivos e sensíveis; desta forma ele deduz que “A razão” é a causa de nós falsearmos o testemunho dos sentidos” (Nietzsche F.W. C.I. Pg.36-Ed. Guimarães) por querer afirmar a verdade universal dos conceitos lógicos como unidade, “coisidade”, substância, etc., ou seja, por tentar igualar o que não pode ser igualado. A história da razão foi, desta maneira, uma luta contra os instintos, contra a sensibilidade, não percebendo que para determinar a “verdade” ela precisa dos instintos e da sensibilidade, e o sentido da “verdade” em Nietzsche se concebe pela superação da racionalidade clássica que escapou das crenças, mas não na crença da verdade em si.

Enfim, para Nietzsche não basta que o acontecimento maior da modernidade que foi a “morte de Deus”, seja suficiente para superar o niilismo (sua decorrência); é preciso acabar de uma vez com todas como a Moral, com a Moral entendida como oposição entre sensível e inteligível, com a Moral não natural, para instaurar seu projeto de “transvaloração de todos os valores”. Desta forma, a grande tarefa do pensamento nietzschiano consistirá em procurar estabelecer valores não fundamentados em ratificações transcendentes, puramente inteligíveis. O que ele pretende instaurar é uma luta contra todos os valores atualmente aceitos sem questionamento, o que não se faz pela simples reformulação deles, mas sim pela transmutação de todos os valores estabelecidos. É dentro desta perspectiva que ele parte para a verdadeira crítica, através da introdução na filosofia dos conceitos de sentido e valor, empreendendo no dizer de Deleuze: “a verdadeira crítica que não foi efetuada por Kant”.

DEVAGAR: NOVOS CAMINHOS

Andando devagar, contemplando os diversos eventos que ocorrem conosco com entusiasmo, calma e meditação, tem o poder de aniquilar com nossos problemas, abrindo novos caminhos. Nossa voz interior conversa conosco e diz: "quase tudo é possível para quem é magnânimo e perseverante, ande devagar e poderás chegar onde desejas, vencendo e superando os obstáculos".

EXPERIÊNCIA COMO CRÍTICA DA HISTÓRIA

A experiência, que em Kant era o indispensável material para o formalismo da Razão, passará a ser concebida por Hegel, como a própria evolução dialética da Razão, através da arte, da religião, chegando na filosofia como reflexão crítica histórica.

VIDA INDEFINÍVEL

A vida não pode ser definida, a não ser que seja vivida pelo ser que a envolve. Experiência mística!

DO MITO AO LOGOS: ORIGEM E SIGNIFICADO DA FILOSOFIA

 As bases da civilização Grega ocorreram do século XII. Ao século VIII a.C., no período chamado de homérico. É de fundamental importância “conhecer” essa época, para nos fundamentarmos melhor em nossa compreensão sobre a gênese da filosofia. Por volta do século. 2000 a.C., pouco a pouco, as primeiras tribos, gregos e aqueus passaram a ocupar a Grécia continental, o Peloponeso e as ilhas do mar egeu, fundando a civilização micênica baseada, principalmente, na agricultura e no artesanato, dirigida por uma nobreza de nascimento. Nessa estrutura imperial, a escrita desempenhava um papel fundamental, quer dizer, era utilizada para a fiscalização, regulamentação e controle da vida econômica e social. Foi logo após a invasão dos dórios, em 1200 a.C. que ocorreu o início do período homérico. Os dórios eram organizados política e socialmente em um regime de genos (Descendentes do mesmo antepassado), enquanto, a civilização micênica era um regime de escravidão coletiva, onde ou correu uma destruição de toda a sua estrutura palaciana, e com ela o desaparecimento da escrita; havendo uma passagem da realeza para aristocracia. Em lugar de um rei, todo poderoso, desenvolveu-se durante nesse período, uma aristocracia que passou a tomar decisões políticas, baseadas em discussões públicas saindo de dentro do palácio para a ágora.Da união do génê, pátrias e tribos surgiram nas cidades com um centro de organização, onde as decisões políticas, militares e econômicas eram tomadas pelos conselhos, e as decisões mais importantes deviam, ainda ser submetidas à assembleia a qual compreendiam todos os cidadãos que pertenciam à cidade. O processo de surgimento dessa nova forma de organização provocou não apenas profundas transformações na vida social, mas também nos hábitos e nas Ideias. Jean Paul Vernant, aponta algumas dessas alterações entre as quais pode ser destacada: a primeira, refere-se ao reaparecimento da escrita no século IX a.C. com uma função completamente diferente, da que havia durante a civilização micênica. A partir disso, a escrita reapareceria em uma função de divulgar aspectos da vida social e política, tornando-se dessa forma, muito mais pública; a segunda dessas alterações refere-se à especialização de determinadas funções sociais, onde não cabia mais ao rei o comando absoluto na tomada de decisões, porque elas agora passaram a ser tomadas através das discussões, com apoio dos conselhos e, também, da assembleia, assim, as decisões passaram a ser vistas como um fruto de decisões humanas e não mais de um rei divino. Essas características expressavam, já, dois aspectos de tomada de decisões inteiramente relacionadas ao conceito de cidadania que foi tão fundamental no mundo grego: o caráter humano e público das decisões ampliou-se o controle dos destinos humanos pelos próprios homens e o acesso de todos ao mundo espiritual e do conhecimento, aos valores e as formas de raciocínio, permitindo que tudo fosse objeto de crítica e debate. As obras de Homero (Ilíada e Odisseia) e de Hesíodo (Os trabalhos, os dias e Teogonia) além de constituírem documentos importantes para o entendimento histórico desse período, permitiram, também, descortinar as características do pensamento então, produzido. Homero, que provavelmente viveu na jônia no século IX a. C, retrata em seus poemas momentos diferentes. A Ilíada mostra um período de guerra e a Odisseia retrata uma época de paz, em um período em que as decisões eram tomadas não mais por um rei, mas por assembleias de nobres. Jaeger em seu livro Paideia, faz uma análise de das obras a partir da qual se pode depreender a importância que elas têm. Homero e Hesíodo escreveram a partir de locais diferentes, enquanto Homero tem sua obra marcada pela descrição da vida e do mundo do ponto de vista da aristocracia da nobreza, Hesíodo em contraposição, coloca-se numa perspectiva que é própria das camadas populares. A concepção do homem distingue de maneira radical Homero e Hesíodo, e isso, traduz a realidade de uma sociedade em que a vida dos indivíduos era marcada por profundas diferenças, dadas as condições sociais. No entanto, ambas viviam em um mesmo momento histórico em que todos os gregos se emanciparam de suas velhas e arraigadas tradições e, a partir de uma herança comum, preparavam um novo modo de viver. O culto aos mortos, essencialmente ligado ao túmulo, é interrompido em função nas transformações dos costumes causadas pela invasão dória e pelas migrações; os ancestrais sobreviveram apenas nos mitos, e o culto não se renovou em torno de novos chefes devido ao novo hábito de incineração dos cadáveres. O contato com grupos de origens e costumes diferentes favoreceu a ruptura com as velhas tradições, fazendo com que partissem do que eles tinham em comum com suas crenças religiosas; os deuses perderam sua sacralidade e ganhavam, assim. humanidade, porque podiam tornar-se objeto de narrativa afastando-se do mistério. Desta forma, a religião dos deuses tomou o lugar da religião dos mortos. É aí, talvez, que se encontra a explicação para a preocupação que era comum a Homero e a Hesíodo, ou seja, aproximar os deuses dos homens, criando um laço forte entre eles, para tornar a vida mais racional e compreensível. Um aspecto que marcou as relações entre o homem e os deuses nos mitos de Homero e Hesíodo, foi a busca da compreensão do universo e de seus fenômenos, por meio da ordenação dos deuses, que passaram a ser vistos existindo dentro de uma certa ordem e hierarquia; esses mitos cosmogônicos buscavam descrever a ordem do universo, vista como surgindo a partir do caos, e de uma genealogia dos deuses. O mundo dos deuses refletia o mundo dos homens e, pela racionalização dos deuses e dos mitos. Estabeleceu-se uma racionalidade para a vida humana. Podendo-se dizer que se encontram uma racionalidade no âmbito do mito porque tanto o mito quanto o pensamento racional buscam uma ordem no universo. Entretanto, essa racionalidade está dentro dos limites do mito, onde a preocupação cosmológica dos primeiros jônicos, considerados como os iniciadores do pensamento racional, esteve presente nos mitos teogônicos de Hesíodo, apresentando elementos da natureza como água, ar, terra e fogo, confrontando-se ou segregando-se e, não mais se um unindo para formar o cosmos. Desta forma, a transição do mito a razão não pode ser analisada como se uma mentalidade pré racional fosse irredutível a racional, quer dizer, a passagem dando se abruptamente do mito ao logos. A causa que Hesíodo encontrava para o trabalho como tendo sido a partir de um determinado momento instituído pelos deuses (como fruto de um ato que era considerado imoral — o roubo). Assim, como estabelecimento de uma genealogia para os deuses, em que se pode destacar o fato da deusa da justiça (Dikê), representante de algo central, ser filha de Zeus. Também apontou para uma busca de uma racionalidade entre os deuses que em última instância espelhava a racionalidade do mundo. Foi no período arcaico entre os séculos sétimo e sexto que o desenvolvimento da polis teve sua característica mais marcante em torno da qual passou a girar a civilização grega. As poleeis, ou cidades estados, compreendiam a cidade em si e, as terras a sua volta garantiam a produção agrícola; elas se distinguiram por serem unidades econômicas, políticas e culturais independentes entre si. A economia mercantil, baseada no comércio entre as cidades e povos, foi uma característica importante das cidades estado. Os gregos produziam e vendiam vinho, azeite, utensílios de cerâmica, importavam cereais e metais. Essa economia foi marcada pela primeira vez na Grécia, por ser uma economia monetária onde, ganhavam-se moedas que eram usadas na troca de produtos e que, também, representavam uma garantia e um símbolo de autonomia da pólis. Nessa economia monetária, os laços políticos tornaram se laços entre aqueles que detinham a riqueza monetária, levando a enormes diferenças sociais gerando crises políticas. Foi Sólon, o grande reformador social, onde podemos destacar entre seus feitos, as seguintes coisas: liberação de terras perdidas por dívida, abolição da escravidão por dívidas, regulamentação dos direitos políticos e a extensão do direito do voto na assembleia, a todos os cidadãos. A identidade política e econômica da pólis levou ao desenvolvimento da noção de cidadania e democracia, sendo um cidadão responsável pela participação ativa nas decisões de organizações da sociedade. Em meio a esse complexo conjunto de relações e diferenciações entre atividades entre grupos e indivíduos; o homem grego tornou-se capaz de transformar o pensamento a várias instâncias presentes em sua vida, tais como: a sociedade, a natureza, sendo capaz de refletir a várias instâncias de sua vida como, por exemplo, a abstração envolvida no uso da moeda, tornou-se capaz de associar o conhecimento com discussão, através de debates, com a possibilidade do diferente, da divergência, impossíveis dentro do mundo que havia dado origem ao conhecimento mítico, marcado pelo dogmatismo. Desta forma, a própria vida social das cidades-estados passou a ser objeto de reflexão, o debate público nelas desenvolvido levava, segundo Pierre Vernant, a uma discussão da ordem humana, procurando defini-la em si mesma e traduzi-la em formas acessíveis à inteligência. As explicações sobre a natureza buscavam, também, a descoberta de uma ordem que lhe fosse própria, a partir de então o universo deveria ser explicado sem mistérios, e o entendimento que dele se obteria devia ser suscetível de ser debatido publicamente, assim como todas as questões da vida corrente.

MORFEU

Leva contigo

toda dor diurna

Oh! gêmeo da morte.

Transforma-nos,

purifica-nos,

oniricamente!

 

Noite adentro...

liberta nosso espírito!

Desvelando nosso imo

secreto de desejos

Imersos na suprema

realidade onírica.

FELICIDADE

 É muito comum, achar que a felicidade seria atingir a satisfação da maioria dos nossos desejos. Isso é uma coisa impossível! Sendo a essência do homem desejo, como bem demonstrou Spinoza no seu livro: Ética, ficamos impossibilitados de atingir a felicidade plena, tendo em vista que nossos desejos não têm fim. A felicidade pertence ao estado contingencial do mundo da vida, sendo essencialmente subjetiva e relativa, e tem a ver com o tempo, no sentido da aceitação da temporalidade, sendo um estado da vida cotidiana. Ela não pode ser buscada, tendo em vista que nada que se encontre “fora” de nós, pode nos trazer felicidade. Portanto, ela se encontra em nós mesmos, nós a criamos “dentro” de nós. Por que esperá-la, amanhã ou em algum tempo futuro? Vivendo aqui e agora, aceitando a tragicidade do mundo da vida, cuidando do que tem verdadeiramente importância para nós, e para com os que estão conosco. O objetivo é fazer a felicidade estar presente em nós, vivendo em nós! Assim, poderemos desfrutar e compartilhá-la com alegria, que é a nossa força maior!

DESCONSTRUÇÃO CRIADORA

Uma leitura hermenêutica-desconstrutiva, pode executar uma maior profundidade a um texto, como também, demonstrar que os significados que nós retiramos dele, poderia ser o oposto do que pensávamos compreender, havendo a criação de um novo sentido.

DIZER SIM, À VIDA!

Para Nietzsche, a moral socrática-judaica-cristã, ao postular um além-mundo verdadeiro, nos educou para negar esse mundo, nos fazendo crer em ideias fictícias, contrárias à vida. Diante disso, para conceber um peso ontológico ao mundo real, ele propôs uma moral natural, com sentimento de inocência e que diz sim, à vida, onde faz uma distinção entre ser pagão, ser natural e ser cristão, ser antinatural e, exemplifica Petrônio, como um tipo de homem que representa uma inocência,em contraposição a Paulo que tentou destruir sua imagem com atividade de falsário, com objetivo de atingir poder, conforme a citação:

“Pagão é o dizer sim ao natural, o sentimento de inocência no natural, a “naturalidade”

“Cristão é o dizer não ao natural, o sentimento da indignidade no natural, a antinaturalidade

“Inocente” é, por exemplo, Petrônio; em comparação com esse homem feliz, um cristão perdeu de uma vez por todas a inocência.

Por fim, porém, como mesmo o status cristão precisa ser meramente um estado natural, mas não pode se conceber como tal, então o “cristão” significa uma atividade de falsário em meio à interpretação psicológica, uma atividade de falsário que é elevada ao nível de princípio...” (Nietzsche, Frag. Póstumos 1885–87 (Vol. VI) Ed. Forense, p. 472–3).

FREUD E O MONOTEÍSMO

Para Freud, o monoteísmo é um avanço em relação ao politeísmo devido a uma "renúncia" aos múltiplos impulsos, constituindo, desta forma, um triunfo humano.

RAZÃO INSTRUMENTAL E RAZÃO CRÍTICA - PRINCIPAL DIFERENÇA

A principal diferença entre razão instrumental e razão crítica para a escola de Frankfurt é que a razão instrumental está a serviço da exploração, da dominação, da opressão e da violência. Em contraposição, a razão crítica reflete sobre os conflitos e contradições políticas, sociais, apresentando-se como uma força libertadora!

 

BREVES PALAVRAS DE NIKOS KAZANTZÁKIS SOBRE JESUS CRISTO

" A substância dualista de Jesus Cristo, o desejo ardente, tão humano, tão super-humano, do homem de atingir Deus, tem sido sempre um mistério profundo e indecifrável para mim. Minha principal aflição e a causa de todas as minhas alegrias e sofrimentos desde a minha juventude, tem sido a batalha infindável e impiedosa entre a carne e o espírito... e minha alma é a arena onde esses dois exércitos se encontram e se digladiam" (Nikos Kazantzákis)

EVOLUÇÃO MATRIMONIAL

Na gênese, 

Eros comanda 

autoritário,

suprindo carências

 desmesuradas.

Então, vem a Philia

para complementar

 tal desmesura,

tornando-se mais sólida a união.

Contudo, 

quando a progênie surge...

Ágape resplandece

para concretizar a

harmonia matrimonial.

EVOLUÇÃO ?

O principal livro de Charles Darwin: A origem das espécies, revolucionou na época a visão que se tinha do mundo, escandalizando inclusive, a "nobreza" inglesa, fazendo suposições novas e instigantes: A Bíblia é uma compilação de literatura judaica, grega, babilônica etc., e não palavra de Deus, ditada pelo Espírito Santo. O homem e as outras espécies, não são criações "diretas" de Deus, provém de uma série de evoluções, havendo a hipótese que surgiram primatas. O mundo, como se acreditava na época, não tinha alguns milhares anos de idade, e sim, evoluído ao longo de milhões de anos. Essas concepções eram de difícil aceitação, não somente pelo nosso parentesco com os primatas, mas também porque era praticamente impossível imaginar um processo evolutivo cósmico sem a "mão" de Deus. Até a época de Darwin, havia um famoso argumento criado por Paley, um teólogo, que afirmava que se fossemos passear no bosque, e encontrássemos um relógio, haveria a suposição de um relojoeiro. Paley, influenciado por Isaac Newton, que havia provado que o mundo era um mecanismo equivalente ao de um relógio. Voltaire, também irá depois dizer: "Tendo em vista que não pode existir relógio sem relojoeiro, assim, o mundo deverá ter também uma inteligência que criou o Universo, deixando, todavia, a história para os homens". A ideia de Darwin de um processo cósmico regendo a si próprio, destituiu a esperança dos teólogos. O homem passou a ser considerado uma etapa da evolução e a velha ideia de ele ser obra suprema da criação, foi por água abaixo. O paradigma da evolução revolucionou o mundo das ideias, acabando com a ideia de uma teleologia da história, do lugar que o homem ocupa no mundo, de que haja um planejamento divino etc.; tendo em vista que supôs que do modo como as coisas evoluem, não há como ser previsível. Todavia, sua contribuição deve, ser vista com olhos críticos, pois sua concepção de luta pela existência e da sobrevivência do mais forte, foi transposto para a sociedade, com Darwinismo social, cujo representante mais insensato foram os nazis, com a ignorância de que que com a evolução, o homem alterou sua forma de agir, quer dizer, gerou uma espécie que criava seu ambiente próprio, culturalmente. Excluindo a concorrência entre espécies diferentes, não podendo ser aplicada às normas dentro da mesma espécie. Ao criar o mito da raça superior, os Nazis cometeram esse grave equívoco, trazendo consequências nefastas para o mundo. Nietzsche, em seu livro: Crepúsculo dos ídolos, se coloca numa posição anti-darwinista, pois para o filósofo alemão" as espécies não crescem em meio à perfeição: os fracos sempre se tornam novamente senhores sobre os fortes. Isso acontece porque eles estão em grande número e porque eles também são mais inteligentes... Darwin esqueceu o espírito (-isto é inglês!), os fracos possuem mais espírito...”. Nietzsche, entende espírito, como: "a cautela, a paciência, a astúcia, a dissimulação" e grande parte de nossas "virtudes" que não passam de mimetismos.

CONHECE-TE A TI MESMO (GNÔTHI SEAUTÓN)

Na Grécia primitiva, de acordo com vários helenistas, o significado dessa máxima do oráculo de Delfos era: "Tu Sabes que não és imortal, sabes que não és um deus", todavia, o seu significado mudou, e, a partir século V a.C., o filósofo Sócrates é considerado pelo oráculo acima, o homem mais sábio da época, pois provavelmente interpretou essa máxima, num sentido da sua própria: "A vida não examinada não merece ser vivida”. Nietzsche, escreveu: " Na origem de nossas buscas, o que o oráculo proclama é: "Conhece-te a ti próprio", para ele, os símbolos apontavam para a libertação do "Eu". Freud, por sua vez, influenciado por Nietzsche, disse que a máxima significava a procura de um eu mais profundo, visando-se "libertar" da força castradora do Superego. No final do século XX, a máxima passou a ser interpretada como: "Tu sabes de onde vens, porque o passado não pode ser destruído e é historicamente conhecido”. A antiga máxima helênica, tem diferentes significados em diferentes épocas, sendo eterna, está aberta para novas interpretações. Ela é de máxima importância na vida de todos nós.

 

CONVITE

A essência convida à existência.

Existindo, a essência brota em si mesma.

Manifestando-se em cada ato de ser.

 Até que a existência convida a essência,

E no encontro que precipita o momento,

Traz o prazer da palavra.

Que se transforma em manifestação,

Para o encontro do outro em si mesmo.

Na fusão do si mesmo com o outro,

Elevação, êxtase, transcendência, superação!

ABERTURA EXISTENCIAL

Tudo em volta,

abre-se em cores.

A essência se aniquila

diante da existência.

O real torna-se mais claro

através da ação.

 

Libertar o Ego,

libertando-se do mundo.

Preocupando-nos,

à distância.

 

Contemplação,

apreciação,

Ação,

transvaloração,

Superação.

A MASSA HUMANA COMO OBJETO - VIL UTILITARISMO

Atado as "banalidades do cotidiano" a grande massa humana ignorante segue sem rumo, acorrentada através dos tempos pelos valores da tradição, forma uma "caoticidade" estéril ao ponto de o homem se tornar objeto, número. Como consequência, há uma crescente supressão das individualidades criadoras de novos valores e uma hipervalorização dos valores "utilitaristas" para fins de mercado, nivelando a sociedade por baixo.

RUMO AO DESCONHECIDO

Percorrer novas estradas.

Nunca com a

mente fatigada.

Em um mundo mentido

Resta nos levar ao

banquete prometido!

Fracos contatos parcos

Muitos para o além

Desperdiçados.

 

Em vão,

Nutrimos esperança

da Eternidade.

No devir: Incertezas.

Momento trágico: Total afirmação

dos Instantes. 

PODER E POTÊNCIA: UMA DISTINÇÃO NECESSÁRIA

Esses dois termos possuem e derivam, respectivamente, do Latim: Potestas e Pontentia, sendo indispensável haver uma diferença entre eles. Spinoza, no prefácio de sua obra: Ética, na parte V, Da potência do intelecto ou da liberdade humana, faz uma sutil distinção, defendendo a tese de uma "potência da mente ou razão "(E, V, Prefácio, p.345, Ed. Perspectiva), ao invés de um poder (potestas) que se pretenderia absoluto e arbitrário. Segundo Gilles Deleuze, " um dos pontos fundamentais da Ética consiste em negar a Deus qualquer poder (potestas) análogo ao do tirano ou mesmo ao de um príncipe esclarecido". " Ele não tem poder (potestas)mas apenas uma potência(potentia) idêntica a sua essência" (Cf. em: Spinoza e os signos, p. 116, Ed. Rés). Para bem compreender Nietzsche em nossa língua quando (Macth) é traduzido por "poder" ao invés de "potência", deve ficar claro que "poder" não implica em ter poder ou domínio sobre os outros e, também, porque para Nietzsche "Vontade de Poder", não é um percurso exterior e, sim, a intensificação de um "poder", identificado através de interpretações a partir de um processo orgânico que pressupõe um perpétuo interpretar.

LIBERDADE - O Si Mesmo e o Outro

Quando as coisas que fazemos, pensamos etc.  são condicionados pelo poder do outro, podemos dizer que não somos livres. Entretanto, quando o que pensamos e fazemos   nos transforma, fluindo completamente a partir de nós, podemos afirmar que somos livres. O Si Mesmo é a nossa autoexpressão e autodeterminação, sendo considerados a essência de nossa liberdade. Quando o Si Mesmo está sob sujeição, não há ação e sim paixão e passividade. O si mesmo é fonte de movimento, de ação que gera mudança, de transformação para agirmos com autonomia. Podemos fazer uma análise e constatar que a política em nosso país, do modo pelo qual é executada, há uma tendência para fazer com que as pessoas se tornem dependentes e percam cada dia mais a liberdade.