Todos nós somos capazes de fazer mudanças em nossas vidas independentemente
de nossas circunstâncias atuais; temos potencial para mudar nossa realidade,
mas precisamos do interesse em definir uma intenção de nos conectar com nossa
intuição. Quando olhamos para dentro, temos que reconhecer o sentimento de
baixa autoestima que pode estar nos impedindo de seguir o caminho ascendente para
transformação. Precisamos incorporar pequenos atos de autocuidado em nossas
rotinas diárias para quebrar as barreiras que nos impedem de crescer e, como escreveu Baudelaire: "Ter vontade todos os dias de ser o maior dos homens!"
2026 YEARS OF THE INAUTHENTIC CALENDAR! WELCOME TO THE HIGHWAY OF THINKING IN MULTIPLE WAYS.AN OUTSIDER ! UP TO THE TOP!
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MUDANÇAS ASCENDENTES
FAZENDO UMA “LEITURA” EM NÓS MESMOS
Em última análise, nossa melhor maneira de fazermos uma “leitura” em nós,
é buscando marcadores reveladores de baixa autoestima, quer dizer, perceber o
modo como nós nos tratamos, nos revela esse problema. Ao mesmo tempo, é
importante não nos julgarmos com base em incidentes isolados. Todos nós
refluímos e fluímos através de altos e baixos, mas é o padrão repetido de
comportamento que realmente revela a nossa autoestima.
TRANSCENDÊNCIA E IMANÊNCIA
Essas categorias filosóficas não
devem ser vistas como estritamente dicotômicas e excludentes, pois a própria
imanência seria impensável sem uma transcendência da consciência que vai além
da imanência. O que seria de uma lâmpada sem eletricidade? Da mesma forma,
nosso pensamento é transcendente e imanente. Assim como Spinoza entende
substância como “Natureza naturante e Natureza naturada”.
NOSSA NECESSIDADE ABSOLUTA
Kierkegaard, nos ensinou que
temos que fazer escolhas, quer queiramos ou não. As escolhas são nossas tomadas
de decisões ocorrendo o tempo todo. Assim, devemos ficar alertas, para não
fazermos escolhas ruins.
SER BEM-EDUCADO VERSUS TER BOM SENSO
A grande maioria das pessoas
pensam que ser bem-educado é ter diplomas acadêmicos e ser, assim, um mestre,
um doutor. Se assim fosse, não haveria tantas insensatezes entre os doutos.
Heráclito, nos fragmentos §57 e §40, respectivamente, mostra esse fato:
“Hesíodo que se julgava mestre e ensinou a muitos, foi incapaz de perceber que
dia e noite são uma e a mesma coisa.” “Muita erudição não confere bom senso —
de outra forma o teria conferido a Hesíodo e Pitágoras, bem como a Xenófanes e
Hecateu.”. Para Heráclito, estar acordado, é tentar conhecer: “o
pensamento(logos) que ordena tudo em toda parte” onde: “Tudo é um, e um é
tudo”. (Frag. §41), como também, para ele, a sabedoria é perceber que: "o
pensamento é uma virtude superior. A sabedoria consiste em dizer coisas
verdadeiras e em proceder de acordo com a natureza, ouvindo a sua voz"(Frag.
112), pois, “A possibilidade de autognose e da demonstração da sabedoria foi
concedida a todos os homens.” (Frag. 116).
FRAGMENTAÇÃO DO CONHECIMENTO
Um dos principais problemas do
conhecimento é sua fragmentação. Essa fragmentação foi abordada por Nietzsche
com muita ironia e sarcasmo, na quarta parte do Zaratustra, no capítulo A
sanguessuga, onde ele zombou da fragmentação do conhecimento porque criou
especialistas que se orgulham de ter um conhecimento denso de uma
particularidade. No texto, Zaratustra encontra um homem que se diz "o
consciencioso do espírito", que estuda uma sanguessuga, e lhe pergunta:
"Então és, talvez, o pesquisador da sanguessuga?" Ele responde: "Ó Zaratustra, isso seria
uma tarefa enorme; como poderia eu atrever-me a tanto? sou mestre e conhecedor
do cérebro da sanguessuga; — é esse o meu mundo!". Podemos concluir que
para Nietzsche, a divisão do conhecimento prejudicou sua tentativa
objetividade, dificultando, desse modo, o acesso ao conhecimento como um todo.
O SOCIALISMO COMO FORMA DE DECADÊNCIA E DE NIILISMO PASSIVO
Já faz muito tempo que sabemos
muito bem da total descrença na política, porque nossa sociedade mostra-se em
estado de dissolução através de: um alto nível de corrupção, uma libertinagem
nos costumes, um estado de anestesia intencional para todos os incautos (a
grande maioria), alta taxa de tributos, falta de segurança, saúde e educação,
enfim, o caos urbano, social e a anarquia. De acordo com Nietzsche essa é uma
forma extrema de Niilismo Passivo, onde impera a plena decadência, segundo a
citação:
" Niilismo como declínio e
retrocesso do poder do espírito: o niilismo passivo: o fato de a síntese dos
valores e metas (nos quais se baseia toda cultura forte) se dissolver, de tal
modo que os valores particulares declaram guerra uns aos outros: decomposição. O
fato de tudo aquilo que refresca, cura, tranquiliza, anestesia, ganhar o
primeiro plano sob disfarces diversos, religiosos, morais, políticos ou
estéticos, etc." (NIETZSCHE, Frag. Póstumos, 1885 – 8)
O ANTISOCIALISMO DE NIETZSCHE
Podemos afirmar categoricamente
que Nietzsche, percebeu a ilusão do Socialismo com a sua falsa concepção da
igualdade de todos como sendo um sinal de apequenamento do homem "A
degeneração global do homem, descendo ao que os boçais socialistas veem hoje
como o seu "homem do futuro"..."essa degeneração e diminuição do
homem, até tornar-se o perfeito animal de rebanho" (Cf. ABM§203). Ele foi
muito além de Marx, porque enquanto esse falava em termos da utopia de uma
sociedade sem classes, Nietzsche tinha uma visão mais ampla e realista, porque
falava de civilização, onde essa seria o lugar que daria base para poder haver
uma cultura elevada que não dependeria da política; também, o socialismo
segundo ele, ilude, inflama os trabalhadores e a sociedade com esperanças
ilusórias "Se, por outro lado, sempre têm nos ouvidos as flautas dos
aliciadores socialistas, que querem inflamá-los com doidas esperanças " (Aurora§206). Na Gaia Ciência §40 denuncia que o surgimento do socialismo tem
uma procedência reles, vulgar "vulgaridade dos industriais de mãos
vermelhas e gordas" que tem na cobiça, na "utilidade estreita e
mesquinha" seus objetivos de chegar ao poder. Hodiernamente, cada vez
mais, estamos percebendo mais nitidamente as nefastas consequências da dependência
de praticamente tudo da política que comprime o livre mercado, estrangulando a
economia.
EPICURO - OUTSIDER, PSICÓLOGO /TERAPEUTA
Epicuro, o maior Outsider de seu
tempo depois de Diógenes, concentrou seus ensinamentos na vida real e rejeitou
tudo que fosse transcendente: deuses, religiões, morte. Para ele, nós devemos
buscar o prazer e evitar o desprazer, todavia, não no sentido estrito e
desmesurado; devemos buscar os prazeres que façam de nós seres autônomos, nos
libertando ao máximo das contingências das coisas que não estão ao nosso
alcance para serem resolvidas, aqui e agora. De seus escritos, restaram poucos
fragmentos, entretanto, existem muitas informações de seus ensinamentos nos
livros de seus adeptos, onde estudiosos e pesquisadores retiraram sete regras
principais: 1) Atividade: tudo está em movimento, portanto, não fiquemos
parados.2) Concentração: faz-se necessário manter-se aqui e agora. 3)Amizade:
cultivemos bons relacionamentos.4) Realismo nas expectativas: seguir o caminho
do meio.5) Bons pensamentos: não devemos fazer comparações. 6)Moderação dos
desejos: Lidar de modo mais suave com as adversidades.7) Trabalho:
desenvolvimento das diversas capacidades que são diferentes em todos.
MUDANÇA DE DIREÇÃO, UMA PODEROSA INTERVENÇÃO
Para nos transformarmos em que queremos ser, devemos primeiramente superarmos
as barreiras que há entre nós e a sociedade. Isso requer nossa disposição de ir
além de nós mesmos, nos superando, impedindo que o passado contagie nosso
futuro, porque efetivamente só existe o tempo presente. Sempre seguir em
frente, não importa a dificuldade e a dor. Sejamos seletivos com quem nos
relacionamos. Não fiquemos com pessoas que nos nivelam. Elas devem colaborar no
caminho ascendente e caminhar conosco em direção aos nossos objetivos.
TRANSFORMANDO NOSSA DINÂMICA NOS RELACIONAMENTOS
Quem já não teve um confronto com seu parceiro(a) e percebeu que não
estava chegando a lugar nenhum? Houve falhas na comunicação, provavelmente,
porque estavam usando as palavras erradas. Talvez nossa linguagem não estivesse
direcionando com precisão a conversa para uma resolução; talvez não estivessem
abertos para entender os argumentos um do outro; talvez estivessem criticando e
se recusando a ouvir um ao outro. As palavras têm múltiplos sentidos que causa
desentendimentos, portanto, deve haver uma compreensão efetiva para mantermos
um bom relacionamento. Se não há comunicação efetiva, não há relacionamento.
Assim, temos que mudar a nossa energia de hostil para amigável para fazer toda
a diferença e perceber que a verdadeira amizade se transforma em um amor que é
um comprometimento recíproco.
SEM MEDIAÇÃO
A força, a potência de Deus não é moeda de troca a ser agarrada e retirada; é sim, um
modo pelo qual nossos "corações" podem ter um contato direto com a divindade.
Giordano Bruno foi execrado pela inquisição por afirmar que mantinha um contato
direto com Deus. Naquela época isso era uma heresia, porque ninguém poderia ter
acesso a Deus sem a mediação de Jesus, onde essa mediação era executada,
exclusivamente, pela igreja católica. Segundo Giordano Bruno, temos um poder ou
meio de operar que consistem em acionar o poder pessoal de Deus sobre a
natureza através da Teurgia. Assim, segundo ele, nós podemos nos aproximar
diretamente de Deus, e direcionar a sua luz para nos iluminar, sem mediação.
MUDANÇA PARA CRESCIMENTO
É preciso determinação para podermos começar a colocarmos nossas vidas em ordem. Através várias técnicas e ferramentas como: meditação, definição de metas, gerenciamento de tempo, planejamento, podemos transformar nossas vidas.
A FALÁCIA DO SISTEMA
Já faz algum tempo que ouvimos
como resposta a várias situações: "o problema é com o sistema", "deu erro no
sistema". "o sistema está inoperante". Acusar essas situações de
erro, servem como resposta negativa para tudo. Parece que esquecem que são
pessoas (técnicos) que fazem o sistema, então," O problema é com o sistema" é uma tentativa de escamotear os verdadeiros problemas que existem, e ainda nos
chamar de imbecis, por aceitarmos passivamente a esse falso argumento.
OBSCURECIMENTO DO QUE, REALMENTE, ESTÁ ACONTECENDO
A desmesura de informações gera um
caos no pensamento crítico das pessoas, conduzindo-as a ficar alienadas do que
está, realmente, acontecendo no mundo, tornando-as meros expectadores. Seguindo
a crítica de Nietzsche a modernidade, Heidegger aborda esse tema em um de suas
palestras, vejamos o texto: "Vivemos numa época estranha, singular,
inquietante. Quanto mais a quantidade de informações aumenta de modo
desenfreado, tanto mais decididamente se ampliam o ofuscamento e a cegueira
diante dos fenômenos. Mais ainda, quanto mais desmedida a informação, tanto menor
torna-se cada vez mais cego e transforma-se num calcular sem visão, cuja única
chance é contar com o efeito e, possivelmente, com a sensação".
(Heidegger,Seminários, p. 109, Ed. Vozes, 2006. Sabemos que essa desmesura no
tocante as informações foi uma das consequências da fragmentação das ciências
ocorrida no início do Séc. XIX com o Positivismo, onde foi excluída a
Metafísica , quer dizer, qualquer investigação centrada na essência das coisas,
impossibilitando ,desse modo, ao pensamento ir não mais além do que relações e
leis, tornando o homem perdido no mundo dos Entes, esquecendo o Ser.
FILOSOFAR, SEGUNDO EPICTETO
Segundo o filósofo Estoico
Epicteto, para começarmos a filosofar temos que ter "a clara percepção de nosso
princípio orientador" que é o exercício crítico da nossa razão, onde passamos a
questionar as nossas crenças, emoções e todas as coisas que são tidas como
verdadeiras. Vemos que segundo ele, qualquer pessoa que desperte e passe a usar
o princípio proposto acima, pode começar a filosofar. (Epicteto, Discursos)
BOURDIEU: A EDUCAÇÃO E A ESTRUTURA DO HABITUS
Estudiosos do pensamento de Bourdieu
têm no conceito de Habitus (do latim: "maneira de ser"), sendo o
ponto fulcral de seu pensamento sociológico, entendendo o Habitus como uma
estrutura mental que estrutura e é estruturado, na qual os agentes adquirem
suas múltiplas posições e comportamentos de maneira dinâmica, permanentemente
corporificados em processos de mudanças adquiridas e tornadas "naturais". Para
Bourdieu, a socialização é a incorporação dos Habitus de classe, havendo uma
maior interação entre as classes que se tornam grupos que dividem o mesmo
Habitus. Existem Habitus primários, ligados diretamente ao instinto de
conservação dos agentes e Habitus secundários que estão inseridos nos diversos
campos entre os quais, o campo relacionado à educação. Os campos são estruturas
sociais, fundados no Habitus, em um sistema de configurações unificado, ou
seja, é um espaço social específico (escola, cultura, política, educação etc).
Cada Campo tem um Habitus próprio, o da Educação, para Bourdieu, está ligado,
tanto ao Habitus primário, quando ao secundário. Nos Habitus primários estariam
os hábitos instintuais, nos secundários, como no caso da educação, estariam
ligados aos laços estruturados e reproduzidos pelos Habitus no campo da
educação. Para ele, a educação tradicional vigente, ao invés de reduzir as
desigualdades sociais, contribui para reproduzi-las. Desse modo, urge
investigar os processos que levaram a estruturar esse paradoxal resultado. Sua
investigação chegou à conclusão que a educação foi estruturada através de um
longo processo de "violência simbólica", quer dizer, forjada por uma
determinação arbitrária das estruturas de poder sociais dominantes, que
infligem de modo dissimulado seu poder ao sistema educacional(Campo da
Educação), reproduzindo suas estruturas, impondo-as a toda sociedade, através
do sistema de ensino, adquirindo, assim, um Habitus, que, portanto é
incorporado aos docentes, que reproduzem as semelhantes estruturas de dominação
que originaram os valores dominantes, repassando-os de uma forma
institucionalizada através dos diversos processos de seleção tradicionais, que
nas bases tradicionais, seriam processos de desigualdade e exclusão social.
Enfim, para Pierre Bourdieu, a ação do sociólogo seria a de colocar em
evidência as múltiplas estruturas de dominação reproduzidas, e efetuar uma
contra-violência simbólica, estruturando através de novos Habitus, uma educação
que teria como meta a formação do "Agente social", cuja ação pedagógica seria
variada e múltipla, desvelando as estruturas de dominação desconhecidas por aqueles
que sofrem debaixo as pressões do sistema educacional tradicional. Ao
demonstrar a existência de um domínio simbólico, o sociólogo deve incitar para
que não aceitemos com naturalidade as divisões sociais. Os excluídos da
sociedade, para ele, devem tentar adquirir aquilo de que foram privados:
educação, cultura, lazer, informação etc. Cabe aos Agentes sociais que possuem
o conhecimento e as articulações dos "jogos de poder" fornecer os meios
teóricos e práticos para agir sobre as estruturas sociais e, portanto, a
possibilidade de reconstruir a história inscrita em nossos corpos sob a forma
de novos hábitos, tendo em vista que, o que está posto deve ser mudado, para
não haver uma reificação.
REFERÊNCIAS:1) Dicionário de
Sociologia, Zahar, A. G. Johnson.
2) Dicionário dos Filósofos, M. Fontes, D. Huisman.
3)50 Grandes Educadores Modernos, Contexto, J.A. Palmer.
4) Primeiras lições sobre a Sociologia de Bourdieu, Vozes,
P. Bonnewitz.
5) O poder simbólico, Bertrand Brasil, Bourdieu.
6)Dicionário de Filosofia, Ferrater Mora, Loyola.
SISTEMA EDUCACIONAL ULTRAPASSADO
Nossa Educação tradicional, muito
formal, está obsoleta e, raramente, inclui instruções sobre como aprender novos
modos de aprendizado, como melhorar efetivamente a memória, como aumentar a
criatividade, como estimular o interesse para os estudos. Para haver uma
efetiva melhora, uma solução possível, seria adotar nas escolas a Teoria das
Inteligências Múltiplas de Howard Gardner, que as classificou em sete tipos:
Linguística, Musical, Lógico-matemática, Espacial, Corporal-cinestésica,
Interpessoal, Intrapessoal. Desde que lançou seu primeiro livro ele já
acrescentou a lista supracitada uma oitava inteligência, que ele denominou de
inteligência naturalista, que consiste em ter talento para a culinária e
agricultura, como, também, uma habilidade em resolver problemas ecológicos.
Outra solução bem menos dispendiosa seria a implantação do Xadrez
(Jogo-Arte-Ciência) como ferramenta educacional, para implementar o raciocínio,
a criatividade, a atenção, a memória, e outras habilidades que o enxadrismo
proporciona.
A PRÁTICA ENXADRÍSTICA
Considera-se o xadrez, o segundo
esporte mais praticado no mundo depois do futebol, desempenhando um papel
essencial no desenvolvimento de várias habilidades, entre elas: controle da
atenção, estímulo à imaginação criativa e pensamento lógico, equilíbrio entre
razão e emoção e capacidade de cálculo. Em geral, o enxadrismo apresenta uma
clara superioridade em força de vontade, tenacidade, memória e concentração
naqueles que o praticam. Ele estimula o desenvolvimento intelectual de crianças
e jovens, enquanto em adultos e idosos o xadrez ajuda a manter o desempenho
mental por mais tempo, previne o envelhecimento cerebral e otimiza a psique na
velhice. É o mais completo de todos os jogos, conhecido como o
Jogo-Arte-Ciência. Jogo porque existe a luta, arte porque existe a beleza das
combinações e ciência porque existem regras e leis que só devem ser quebradas
em raras ocasiões, após uma análise profunda. De acordo com Kasparov, o xadrez
imita a vida e, portanto, contribui significativamente para a tomada de
decisões e no jogo fundamental que é o jogo da vida.
IMPOSIÇÃO DA TÉCNICA SOBRE O HOMEM
Heidegger percebeu a total
dependência do homem através da técnica, segundo a citação: “O homem sofre o
controle, a demanda e a injunção de uma potência que se manifesta na técnica e
que ele próprio não domina”. (Heidegger, Respostas a questões sobre a história
e a política), apud, O sentido da filosofia, Marcel Conche, p.61, Ed. Martins
Fontes.
DO MESMO BANDO
Quem tiver ouvidos para ouvir que ouça. É fácil entender! Essas raposas são do mesmo bando, apenas fingem pertencer a bandos diferentes.
SISTEMA CORROMPIDO
Segundo Pierre de Bourdieu, uma das principais causas dos sistemas políticos serem corruptos é porque são comprados pelo mercado. A dívida pública é a representação da corrupção.
LÓGICA DA MÚTUA COLABORAÇÃO
No momento em que começamos a não colaborar com as pessoas do nosso lado, também começamos a não colaborar conosco.
FALHA NA RACIONALIDADE DO MATERIALISMO
"Nada vem do nada" é um
princípio fundamental do pensamento grego, que tem sua contrapartida neste
outro princípio: "Nada é destruído". Então, como algo pode se tornar
nada? O materialismo erra na pretensão de ser racionalista!
FLEXIBILIZAR A PLEONEXIA
Podemos formar uma aliança ao
longo do tempo, ser flexíveis para valorizar melhor o que temos. A pleonexia
nos impede de aproveitar plenamente nossas vidas.
FLEXIBILIDADE EXISTENCIAL
Permaneçamos flexíveis
Quebremos a moldura à nossa volta
Continuemos buscando e fluindo
Leves como uma Gaivota
Sentindo a energia pulsando
Quebrando a rotina!
Que a existência seja nosso Templo
Templo vivo, mutante
Abandonemos: Crenças e rótulos
Templos mortos!
Com nossas mentes
sempre abertas
confiemos em nossos
caminhos
Abrindo-nos para a
existência
Permaneçamos
flexíveis e abertos
Eternamente no mundo
da Vida
DECIDAMOS, ENTÃO!
Factualmente, a todo momento
temos o poder de nos reavaliar para tentarmos nos reconstruir, a fim de nos
superarmos e estarmos abertos para o novo. Ou nós nos engajamos nesse eterno
movimento de devir, tornando-nos coparticipantes da vida em comunhão ou nos
tornaremos fantoches de forças alheias a nossa vontade e nos perderemos na
inautenticidade.
ANTES QUE SEJA TARDE
Uma silente guerra já começou
Armas silenciosas
Instauram uma servidão inusitada
Adentrando cada vez mais nossos
lares
Guerras biológicas, sem lógica
Exceto a do Capital
A NOM
estabelece suas próprias regras
Aniquilando-nos cada vez mais
Temos e devemos fazer algo
Parar o círculo desse jogo
pútrido de Poder
Antes que seja tarde
Esse Poder deve ser
Aniquilado
INIMIGO E MESTRE
O HOMEM NÃO POSSUI UM ESTATUTO ONTOLÓGICO SUPERIOR AO DOS ANIMAIS
Sob a influência de Schopenhauer,
Nietzsche não consegue imaginar que o homem tenha um estatuto ontológico
superior ao dos animais. Os seres humanos também são considerados “animais não
fixados”. Os animais cumprem seu “destino” como animais. O homem como "animal
indefinido" tem a missão de moldar o destino de sua vida. A sugestão de
Nietzsche é que o homem deve fazer conscientemente o que os animais fazem
inconscientemente.
LIMITES DA LINGUAGEM
Há no mundo muitos meios de comunicação, no entanto, existe uma constante falta de compreensão, devido à insuficiência que é inerente a linguagem para expressar adequadamente as coisas.
INTERIORIDADE CRIADORA
O mundo “exterior” deve ser “abandonado”, porque através dele há um enfraquecimento de nossas capacidades criadoras. Desse modo, temos como consequência, um aniquilamento de nossa interioridade, que é a nossa maior morada.
DESDE 500 A.C., O JOGO DESONRADO NA POLÍTICA CONTINUA O MESMO
Como já sabemos, a invenção da
moeda remonta a Grécia antiga, houve através dela a destituição da nobreza de
sangue, aniquilando com o prestígio dos governantes que possuíam terras
(Aristocracia Rural), colaborando para uma pseudo sociedade igualitária. O eminente
filósofo Heráclito de Éfeso, foi um dos que se insurgiram contra o poder da
moeda, onde, já naquela época: adiavam
as ações da lei, acobertavam crimes,garantiam imunidades, ,influenciavam os
governantes,e muitas outras falcatruas . As assembleias populares que eram
segundo ele, dirigidas por demagogos, o afetavam porque os argumentos foram
sobrepujados pelo novo "império da moeda”, chegando ao ponto dele amaldiçoá-los
em um de seus fragmentos de sua obra, precisamente no frag. 125 , vejamos:
" Que suas riquezas nunca lhes falte, homens de Éfeso, assim suas maldades
poderão ser totalmente exibidas" .
ESPERANÇA CRIATIVA
Chega de antagonismos vis
MOMENTO PARA MUDANÇAS!
Agora, chegou o momento de unir forças.
Ouvir: Avisos, alertas e chamados.
Tempo de novas criações, construções e ações.
A transvaloração nos convida...
Para que o futuro esteja em nossas mãos.
E não o FIM do futuro.
Então, caminhemos
Para o Alto, para o Alto!
EVITAR EQUÍVOCOS SOBRE A "MORTE DE DEUS"
Para Nietzsche, não era pelo fato
de Deus haver deixado de ser crível, mas devido a maneira fluente com que a
ciência se encaixou no mesmo espaço fundamental e segundo ele, ninguém percebeu
a sutileza desse acontecimento da Modernidade, exceto Heine e Hegel. De maneira
alguma Nietzsche é um niilista passivo, para ele, a morte de Deus foi o maior
evento cultural dos tempos modernos, que permite aos “Espíritos Livres” criarem
valores. “Deus está morto” deve ser compreendido, também, como não existindo um
único princípio que explique a gênese do universo. Embora tenha deixado
ambiguidades sobre a transvaloração, o que permitiu diversas interpretações de
sua obra, ele não argumentou a favor da “Morte de Deus”, o que de fato ocorre é
um relato, conforme Gaia Ciência §125, §343 e no prólogo do Zaratustra.
AMBIGUIDADES DA MODERNIDADE
Se por um lado no mundo moderno
encontramos um espaço que nos promete grandes possiblidades de alegria,
autonomia, aventuras, crescimento e transformações, ao mesmo tempo, ocorrem
ameaças de se destruir tudo o que construímos; os ambientes e as nossas experiências
cruzam todas as fronteiras étnicas, geográficas, sociais, religiosas. É certo
afirmar que há uma certa união, todavia, essa união é paradoxal, porque existe
nessa união uma desunião, devido as constantes renovações, mudanças, guerras,
gerando ambiguidade e angústia. No poema, A Segunda Vinda, Yeats mostra essa
fragmentação: “Tudo esboroa; o centro não se sustém. A pura anarquia avança
sobre o mundo.”(Poemas, Cia das Letras.p.92.).
Para Baudelaire: “A modernidade é
o transitório, o efêmero, o contingente, é a metade da arte, sendo a outra
metade o eterno e o imutável”(A Modernidade, Ed. Nova Aguilar, p.859). Podemos
concluir que a vida moderna é pela ambivalência, pelo fugidio, pelo efêmero, e
ser moderno é tomar parte de um mundo onde, como disse Marx, “tudo que é sólido
se desmancha no ar”. A transitoriedade moderna, não apenas envolve uma ruptura
com as épocas anteriores, ela também, envolve rupturas e fragmentações internas
tornando-se um conflito crônico que se intensificou de maneira aguda, ao ponto
de abarcar toda a extensão da existência, se estendendo até a contemporaneidade
e isso, sem dúvida, nos impele à criação de novas formas onde um problema é
suprimido por outro novo, e um conflito por outro, havendo a incorporação do
elemento trágico como luta em um sentido absoluto, abrangendo as oposições
entre luta e paz de modo relativo, em um movimento que nunca para.
CONSCIÊNCIA GLOBAL PLANETÁRIA
Podemos conceituar consciência
planetária um sentimento que conduz ao conhecimento vital da interdependência e
da unidade essencial da humanidade, como também, a adoção consciente da ética e
de seus comportamentos que implicam em um imperativo básico da sobrevivência e
melhoramento da vida humana na Terra. Um indivíduo dotado de consciência
planetária reconhece o seu papel no processo evolutivo e age responsavelmente à
luz desta percepção, essa orientação que visa melhorar as condições da vida tem
de começar a partir de cada um de nós; somente então, é que poderemos ser
responsáveis e agentes eficazes na mudança e transformação da nossa sociedade
como um todo. A mudança deverá ocorrer a nível individual com a tomada
crescente da consciência global planetária e se expandir progressivamente e
ascendentemente.
ULTRAMETABOLISMO - A CHAVE PARA PERDA DE PESO SAUDÁVEL
Faz-se necessário perceber que,
se nós acumulamos um excesso de calorias durante muitos anos, não será possível
restabelecer as coisas em um curto espaço de tempo. Pessoas que esperam
fórmulas miraculosas são presas fáceis para os vendedores de suplementos ou até
mesmo de regimes “revolucionários”. Nenhum suplemento fará o trabalho de perder
peso por nós, nosso melhor arsenal contra os quilos a mais, além de bons
conhecimentos sobre nutrição, é a nossa força de vontade em perseverar em nossa
meta de se alimentar, corretamente, ao longo de nossas vidas. É necessário,
também, saber que, apenas, em um primeiro momento, todos os regimes são
eficazes para perder peso. Todavia, nós não devemos confundir perda de peso com
perda de gordura. Nem todas as perdas de peso são induzidas por uma redução das
reservas de gordura. Temos que saber que uma restrição calórica reduzirá o
nosso peso de modo mecânico, através do esvaziamento progressivo do aparelho
digestório e, porque a retenção de água se tornará menor por causa da diminuição
das nossas reservas de glicogênio, que retém água em nossos músculos, tendo
como consequência um catabolismo, onde há perda de músculos ao invés de perda
de gordura. Recentes pesquisas mostraram que menos de um terço das gorduras
mobilizadas são efetivamente oxidadas; portanto, o fator limitante está na
oxidação das gorduras que voltam para o nosso tecido adiposo. Para haver uma
efetiva utilização da gordura corporal é necessário aumentar a nossa capacidade
oxidativa, acelerando nosso metabolismo para haver uma diminuição do apetite,
porque a dificuldade para queimar gordura está associada a uma diminuição
metabólica, através de um maior armazenamento de gorduras o que acarreta um
aumento do nosso apetite. Para tal é necessário fazer três refeições ao
longo do dia; fazendo isso, nosso corpo irá queimar mais
gordura com a prática diária ou regular de uma atividade física aeróbica
aumentando progressivamente a nossa capacidade oxidativa dos músculos, também,
é necessário acelerar nosso metabolismo através de uma alimentação rica em
proteínas de excelente valor biológico, gorduras saudáveis, carboidratos de
lenta absorção de açúcar, fibras e hidratação adequada. Podemos usar, também,
um termogênico para auxiliar na aceleração metabólica. O processo de aquisição
e manutenção de um Ultrametabolismo corporal, ocorrerá a partir de uns noventa
dias e irá requerer nossa perseverança em manter tanto a atividade quanto uma
alimentação adequada.
PARADOXO DA FILOSOFIA
A filosofia traz consigo uma incerteza imortal porque ela se
sucede ao longo de milhares de anos, e sua história nunca termina!
DAR AUTENTICIDADE A NOSSAS VIDAS
Nietzsche em um Fragmento Póstumo
nos ensina como devemos dar um peso ontológico ao mundo e por conseguinte a
nossa vida, “Imprimir ao devir caráter de ser, eis a mais alta forma da vontade
de potência”. Na Terceira consideração extemporânea, ele afirma que para tal,
devemos assumir por nossa conta a responsabilidade diante de nossa existência,
“Temos de assumir diante de nós mesmos a responsabilidade por nossa existência,
por conseguinte, queremos agir como verdadeiros timoneiros desta vida e não
permitir que nossa existência pareça uma contingência privada de pensamento.”
Nietzsche in: Schopenhauer Educador.
A TAREFA DOS FILÓSOFOS
Na Genealogia da moral, Nietzsche
escreveu de modo enfático em que consiste a tarefa dos filósofos através de
todas as ciências, "Todas as ciências devem preparar ao filósofo a sua tarefa,
que consiste em resolver o problema dos valores, em determinar a hierarquia dos
valores."(GM, 17, nota, p.66, Vozes de bolso).
ÉMILE DURKHEIM E O SUICÍDIO
Émile Durkheim se fundamentou em
muitos dados estatísticos para fazer um estudo sociológico do suicídio, mostrando
a relação entre anomia, ou seja, a ausência de normas e o índice de suicídio
como forte indicador deste, principalmente, em uma sociedade ou em grupo social
na era industrial. Por anomia ele compreendia o desregramento (hybris) moral da
sociedade, pois os indivíduos não sabiam que normas ou regras seguir. Para ele,
o índice de suicídio em determinada sociedade é inversamente proporcional ao
grau de integração, quer dizer, das relações dos indivíduos nas estruturas
familiares, religiosas e políticas dessa sociedade. As crises sociais carregam
em si grande risco de anomias e, portanto, têm grande risco de haver altos
índices de suicídio, muito embora, progridam financeira e economicamente.
Durkheim ficou bastante
impressionado com os altos índices de suicídio ocorridos na época industrial,
concluindo que nas sociedades tradicionais, onde a estabilidade era muito mais
coesa, havia uma certa imunidade com relação ao suicídio.
Enfim, Durkheim concluiu que o
suicídio é um fato social normal, no entanto, o alto índice de sua taxa é que o
torna patológico. Desse modo, o fato social normal é aquele que favorece a
integração social e o fato social patológico é excepcional, pondo em risco a
integração social. Para ele, havia quatro tipos básicos de suicídio: o egoístico,
o altruístico, anômico e o fatalista. Os dois primeiros eram consequências,
respectivamente, da subintegração e da superintegração entre o indivíduo e a
sociedade. O anômico deve-se a um desregramento moral, e o fatalista a um
hiper-regulação moral da sociedade, oprimindo o indivíduo.
1) Sociologia - A. Giddens, Ed. Artmed, R.G. do Sul,4ª ed.,2005.
2) Enciclopédia Luso-Brasileira de Filosofia, Lisboa/Paulo, s/d
3) Dicionário de Sociologia, JZE, R.de janeiro,1997.
PACIÊNCIA E SERENIDADE
Eis duas virtudes essenciais a
todo instante, principalmente, no nosso mundo hodierno onde predomina valores
de “animais de rebanho”, valores imediatistas para fins de mercado. O
pensamento que faz cálculos, é o pensamento tal como foi concebido o conceito
de Razão (RATIO) pela nossa cultura ocidental, é a antiga forma que os
filósofos contemporâneos chamam de Razão Instrumental. Essa forma de pensamento
é dominante em nossa cultura, ele nunca “para”; daí a vantagem da cultura
oriental que valoriza a meditação, que traz a paciência e a serenidade. O
pensamento que calcula, de forma nenhuma é um pensamento reflexivo, meditativo,
criador. O pensamento precisa transpor as barreiras do mero cálculo, para
atingir outro nível de pensamento, ou seja, o pensamento que medita e reflete
sobre o valor das coisas que nos afeta. Para, assim, direcionarmos nossas
vidas, criando sempre valores novos.
LIBERDADE GREGA TRÁGICA
Os gregos da época trágica, pensavam que a liberdade humana
se manifestaria na luta (Agón) para superar as regras imutáveis da natureza
(Physis), que foram fixadas pelos deuses.
A CRÍTICA DE NIETZSCHE A NOÇÃO DE FUNDAMENTO
No que diz respeito a Nietzsche, a crítica à metafísica se deixa perceber através do conceito da “morte de Deus” e seus desdobramentos.
No aforismo 108 da Gaia Ciência,
Nietzsche nos adverte que os homens têm que não apenas saber que Deus está
morto, quer dizer, que o fim da maneira metafísica de pensar baseado na
oposição entre aparência e realidade, verdade e falsidade, bem e mal etc.,
sejam desconsiderados, tendo em vista que com o esfacelamento da racionalidade
medieval e com a ascensão da racionalidade científica moderna, temos como
consequência a ausência de um fundamento ou horizonte organizador de nossa
cultura, gerando um total esvaziamento dos valores que até então vigoravam no
seio do pensamento. Também, vencer a sombra dessa morte que é o ponto máximo do
niilismo ativo, sem o qual não poderia ocorrer a “transvaloração de todos os
valores”, quer dizer, sem a morte de Deus, a ideia de uma instância
transcendente e ideal continuará agindo em nossa forma de pensar, levando-nos a
nos submeter, ao criar valores, a essa “sombra da morte de Deus”, ou seja, a
essa esfera ilusória.
No aforismo 109 da Gaia Ciência,
Nietzsche critica o caráter antropomórfico do conhecimento no que se refere à
interpretação moral do mundo a partir da racionalidade filosófica ocidental,
que compreendia o mundo ora como uma máquina (Descartes), ora como um ser vivo
(Romantismo), ora como Autoconservação (Espinosa) etc., tendo em vista que tais
abordagens levam a uma limitação através da antropomorfização, gerando
dogmatismos no conhecimento. A nova tarefa segundo Nietzsche seria livrar os
seres humanos de um conhecimento puramente ideal e dogmático e convidar a
filosofia a se desvencilhar completamente da sombra da morte de Deus
“Desdivinizando a natureza” e “Começar a naturalizar os seres humanos”.
Todavia, ele nos adverte para não haver um dogmatismo com relação ao conceito
de natureza, para não cair num círculo vicioso, e antropomorfiza-la novamente;
e para isso quando ele escreveu: “De nova maneira descoberta e redimida” mostra
muito bem a abertura para novas possibilidades no conhecimento, para encontrar
a partir de sua naturalização um outro ponto de vista para redimir o Homem do
peso de toda tradição filosófica ocidental que acreditava em um conhecimento
objetivo, ou seja, que a verdade poderia ser descoberta e não criada, como
também em um único princípio.
No aforismo 110 da Gaia Ciência,
Nietzsche mostra que para a conservação da espécie foi necessário que houvesse
entre os homens convenções, sem as quais a vida teria se tornado muito mais
difícil, ou até mesmo impossível. A verdade, não é procurada sendo um bem em
si, mas, pelo que há de vantajosa para a conservação da espécie, neste sentido,
a verdade seria uma “ficção útil”; para tal, foi preciso acreditar “que existem
coisas iguais”, “que o nosso querer é livre”, etc.
No aforismo 111 da Gaia Ciência,
Nietzsche percebe que o pensamento lógico surgiu do ilógico, e que a partir
disso à questão do fundamento do conhecimento torna-se um problema, no sentido
de que a base do lógico é ilógica, tendo em vista que não há nada igual a nada,
idêntico; ele nos adverte que essas noções lógicas como, por exemplo, o
conceito de identidade, surgiu para os homens agirem no mundo de maneira
prática, e não para conhecer as coisas em si mesmas. Desta forma, para
Nietzsche o conhecimento tem um contexto natural, social e convencional, e a
objetividade deve ser considerada uma função prática da subjetividade.
No aforismo 112 da Gaia Ciência,
o princípio de causalidade recebe uma abordagem influenciada por David Hume;
Nietzsche, coloca a sustentabilidade da causalidade em questão, a partir da
consideração de que as percepções habituais dos fenômenos não trazem em si
quaisquer garantias quanto à previsão de que eles voltarão a se repetir. O
cerne da crítica reside em que não há uma estrutura causal subjacente à
realidade, mas apenas a constatação, reforçada pelo costume, de uma sequência
espaço-temporal que não tem nada de necessário, e daí a tarefa inútil da
ambição filosófica de explicar de modo definitivo, o funcionamento do mundo,
pois apenas:
“Um intelecto que visse causa e
efeito como continuum, e não, à nossa maneira, como arbitrário esfacelamento e
divisão, que enxergasse o fluxo do acontecer — rejeitaria a noção de causa e
efeito e negaria qualquer condicional idade” (Nietzsche F.W. A Gaia Ciência-Ed.
Cia das Letras).
Assim, fica claro que para ele
não há um determinismo entre causa e efeito, desta forma, a questão do
fundamento torna-se problemática, porque é contingente e antinômica. No aforismo
344 da Gaia Ciência, Nietzsche observa que no fundamento da ciência não há
nenhuma garantia de uma verdade primeira, não há fundamento seguro para se
afirmar que a verdade seja melhor que a inverdade, segundo ele, é de uma
concepção prática que surge a convicção inconteste da necessidade de verdade
que vem como base da ciência, desta forma, ela também ocasiona um dualismo
implícito, uma cisão entre dois mundos, onde de um lado temos a verdade e do
outro a falsidade mantendo-se na dualidade platônica, negando o mundo das
aparências. A ciência seria para Nietzsche uma sombra da morte de Deus, uma
nova devoção que recoloca a divisão da realidade, pois, segundo Nietzsche, há
uma relação entre a racionalidade filosófica socrático-platônica e a
racionalidade moderna, que com sua “vontade de verdade” funda a ciência, que é
apenas “uma crença forte”. Não há ciência sem a hipótese metafísica de que a
verdade é superior à falsidade.
Na seção do Crepúsculo dos
ídolos: A “razão” na filosofia, Nietzsche faz uma crítica radical ao conceito
tradicional de razão, percebendo que toda a filosofia clássica desvalorizou a
sensibilidade como uma ilusão enganadora, e que a razão concebida como inata,
como um a priori, negando todos os seus aspectos instintivos e sensíveis; desta
forma ele deduz que “A razão” é a causa de nós falsearmos o testemunho dos
sentidos” (Nietzsche F.W. C.I. Pg.36-Ed. Guimarães) por querer afirmar a
verdade universal dos conceitos lógicos como unidade, “coisidade”, substância,
etc., ou seja, por tentar igualar o que não pode ser igualado. A história da
razão foi, desta maneira, uma luta contra os instintos, contra a sensibilidade,
não percebendo que para determinar a “verdade” ela precisa dos instintos e da
sensibilidade, e o sentido da “verdade” em Nietzsche se concebe pela superação
da racionalidade clássica que escapou das crenças, mas não na crença da verdade
em si.
Enfim, para Nietzsche não basta
que o acontecimento maior da modernidade que foi a “morte de Deus”, seja
suficiente para superar o niilismo (sua decorrência); é preciso acabar de uma
vez com todas como a Moral, com a Moral entendida como oposição entre sensível
e inteligível, com a Moral não natural, para instaurar seu projeto de
“transvaloração de todos os valores”. Desta forma, a grande tarefa do
pensamento nietzschiano consistirá em procurar estabelecer valores não
fundamentados em ratificações transcendentes, puramente inteligíveis. O que ele
pretende instaurar é uma luta contra todos os valores atualmente aceitos sem
questionamento, o que não se faz pela simples reformulação deles, mas sim pela
transmutação de todos os valores estabelecidos. É dentro desta perspectiva que
ele parte para a verdadeira crítica, através da introdução na filosofia dos
conceitos de sentido e valor, empreendendo no dizer de Deleuze: “a verdadeira
crítica que não foi efetuada por Kant”.
DEVAGAR: NOVOS CAMINHOS
Andando devagar, contemplando os
diversos eventos que ocorrem conosco com entusiasmo, calma e meditação, tem o
poder de aniquilar com nossos problemas, abrindo novos caminhos. Nossa voz
interior conversa conosco e diz: "quase tudo é possível para quem é magnânimo e
perseverante, ande devagar e poderás chegar onde desejas, vencendo e superando os
obstáculos".
EXPERIÊNCIA COMO CRÍTICA DA HISTÓRIA
A experiência, que em Kant era o
indispensável material para o formalismo da Razão, passará a ser concebida por
Hegel, como a própria evolução dialética da Razão, através da arte, da
religião, chegando na filosofia como reflexão crítica histórica.
VIDA INDEFINÍVEL
A vida não pode ser definida, a não ser que seja vivida pelo
ser que a envolve. Experiência mística!