Kant é amplamente conhecido como uma das figuras fundamentais de um movimento intelectual chamado Iluminismo. Esse movimento encorajou as pessoas a abraçar o pensamento crítico, a racionalidade e o individualismo, em vez de simplesmente obedecer a tradições e figuras de autoridade. Embora seja frequentemente visto como um movimento que ocorreu nos séculos XVII e XVIII, ele também pode ser visto como um projeto em andamento que continua até hoje. Nesse extenso livro Kant indaga: Qual é a natureza do espaço e do tempo? O mundo é governado pela lei da causa e do efeito – e se assim for, por quê? Estas são apenas duas das perguntas que Kant levanta na Crítica da Razão Pura. Para a época suas respostas foram provocativas e revolucionárias. Infelizmente, trata-se de um longo texto com mais de 800 páginas, escrito em uma linguagem técnica, sendo considerado um dos textos mais impenetráveis, até então, escritos. O próprio Kant descreveu-o como "árido, obscuro, oposto a todas as noções do senso comum" .Mesmo os mais profundos estudiosos de Kant não têm certeza de como entender os argumentos incrivelmente complicados da Crítica da Razão Pura, e eles apresentaram muitas interpretações entre elas estão a de Deleuze, Lebrun, Ferry e Otfried Höffee.À luz desses fatos, para sermos maximamente objetivos e concisos, só podemos apresentar uma interpretação de algumas das principais ideias de Kant, haja vista que há muitos detalhes técnicos. Felizmente, a maioria desses detalhes são de interesse apenas para os especialistas de seu pensamento. Para entendermos o básico para aprendermos a pensar com Kant, a essência de suas ideias pode nos fornecer esclarecimento mais do que suficiente para entendermos, pelo menos um pouco o seu pensamento, tais como: a natureza surpreendente do espaço e do tempo; a verdade por trás da lei da causalidade, que é o mundo numênico, e uma lição sobre o quê a razão pode aprender sobre suas próprias limitações. Kant, foi despertado do "sono dogmático" quanto leu David Hume, e nos alertou para que possamos, antes de construir um sistema metafísico, avaliar a origem e a natureza dos conteúdos de nossas mentes, para constatar uma possível validade deles. A Metafísica é a parte da filosofia que tenta elevar nosso conhecimento do mundo para os reinos mais elevados da investigação humana. Usando os conceitos abstratos e princípios lógicos da razão, tenta ir além da evidência empírica das ciências naturais e compreender a natureza final da realidade, e isso é, justamente, que Kant irá tentar verificar a possibilidade da Metafísica ser uma ciência. Consideremos o tempo, por exemplo. Ele tem um começo? Ou se estende de volta à eternidade? O universo sempre existiu¿ ou ele teve um começo¿ Deus existe ¿ Estes são exemplos de questões metafísicas. Desde os tempos da Grécia antiga, muitos filósofos tentaram construir vários sistemas metafísicos. Mais antes da Crítica da Razão Pura, a maioria deles tentou fazê-lo sem antes perguntar sobre as origens e a natureza dos conteúdos mentais de nossas mentes. Eles apenas pegaram os conceitos e princípios lógicos que tinham à mão e começaram a construir conhecimentos que para Kant são antinômicos, porque esses conteúdos não são realmente adequados para a tarefa de construir um sistema metafísico. Antes de Kant, foi possível responder a essas questões em um corpo coerente de pensamento, e construir um sistema metafísico. Desse modo, para evitar o perigo do dogmatismo metafísico, os filósofos devem conduzir uma crítica à razão pura, com a finalidade de evitar uma abordagem não filosófica que na verdade, para sermos coerentes, seria o oposto da filosofia crítica que Kant propõe, que é o criticismo, quer dizer, fazer uma crítica a todas as possibilidades de conhecimento, submetendo nossas crenças ao escrutínio crítico da razão. Digamos que você acredita que tem livre arbítrio. Por que acredita nisso? Talvez seja porque você acha que as pessoas precisam ter livre arbítrio para serem moralmente responsáveis. Tudo bem, mas por que você acredita nisso? Quanto mais descobrimos as premissas subjacentes de nossas crenças e os desafiamos para ver se resistem ao escrutínio crítico da razão, mais estamos fazendo filosofia, segundo Kant. Em contraste, quanto mais tomamos nossas premissas como garantidas, mais estamos nos engajando no dogmatismo que é considerado por Kant como sendo o arqui-inimigo da filosofia. Existe uma tendência natural do ser humano, para irmos direto para a construção de um sistema metafísico sem primeiro examinar os materiais mentais que vamos construí-lo, estamos tomando como certo a premissa de que nossos conteúdos estão aptos para tal. Agindo desse modo estamos sendo dogmáticos sobre nossa capacidade de fazer metafísica. Para evitar o dogmatismo, precisamos examinar criticamente nossa habilidade de conhecer as coisas a priori. Nós, realmente podemos? Levando em consideração que não podem vir de nossos sentidos, porque esses só podem nos fornecer conhecimento empírico sobre o mundo físico, e não um conhecimento metafísico, que vai além dos domínios empíricos da ciência. Assim, para evitar o dogmatismo, devemos submeter nossa capacidade por pura razão ao escrutínio crítico. Somos capazes ter conhecimento metafísico? Se sim, como e até que ponto? Podemos chamar esse tipo de projeto crítico de crítica. E poderíamos, portanto, dizer que precisamos nos envolver em uma crítica da razão pura. Para filosofarmos, o dogmatismo é uma das piores acusações imagináveis que podem ocorrer. O problema é que o dogmatismo pode empoderar outro inimigo da filosofia: o ceticismo. E este não apenas coloca em risco a filosofia, mas todo o conhecimento humano em geral. É fácil se sentir cético sobre metafísica. Afinal, não parece progredir como outras disciplinas fazem. Com as ciências empíricas, podemos ver uma clara evolução dos gregos antigos aos tempos modernos. Enquanto isso, os filósofos ainda discutem sobre muitas das mesmas coisas que Platão e Aristóteles discutiram há milhares de anos. Em retrospectiva, é fácil ver por que tem havido tanto espaço para desentendimentos. Sem ter se envolvido em uma crítica à razão pura, os filósofos eram livres para avançar dogmaticamente sobre qualquer argumento que quisessem fazer. E isso teve como resultado uma batalha interminável de reivindicações contraditórias. Para Kant, a metafísica é o domínio da razão pura, porque todas as outras disciplinas de conhecimento dependem das evidências empíricas fornecidas pelos sentidos. Se for alcançável, o conhecimento metafísico só poderia ser acessado através da razão pura. Tanto a religião quanto a ciência dependem de conceitos metafísicos, tornando o ceticismo um perigo para ambos Na Europa do século XVIII, quando Kant estava escrevendo, também parecia um perigo, mas por razões diferentes. A ciência estava em ascensão, e o crescente ceticismo sobre a metafísica também significava crescente ceticismo sobre a religião. Mas esse ceticismo cortou para os dois lados, e estava começando a minar a base da ciência também. Tanto a religião quanto a ciência dependem de conceitos metafísicos, tornando o ceticismo um perigo para ambos. Vamos começar com a religião. Muitas crenças religiosas dependem de ideias metafísicas, coisas como Deus e a alma, que deveriam existir em algum tipo de reino imaterial, além do físico – ou, em outras palavras, metafísico – do ser. Por definição, esse reino está além do alcance dos sentidos. Nunca veremos Deus em um telescópio, uma alma em um microscópio, ou qualquer outra entidade metafísica por qualquer outro meio de observação empírica. Mas se a razão não pode saber nada sobre eles também, todas essas crenças estariam infundadas e inutéis. No que diz respeito ao conhecimento, isso parece nos deixar apenas com os fatos frios e duros da ciência e as leis que estabelecem sobre o mundo físico – sobretudo, a lei da causalidade. Esta lei está no centro da ciência. Ele dita que para cada evento, deve haver outro evento que faça acontecer. Todos os fenômenos são, portanto, apenas uma questão de causa e efeito, e a tarefa da ciência é descobrir os detalhes dos vários mecanismos causais da natureza. Gravidade, conservação da matéria etc. – todas essas leis particulares da ciência pressupõem a lei geral da causalidade própria noção de causalidade é em si um conceito metafísico. É uma ideia sobre um aspecto da realidade que nunca podemos observar diretamente. No entanto, assumimos que ele desempenha um papel essencial na estruturação de como o universo funciona. Aqui, no entanto, o filósofo escocês David Hume fez um ponto que influenciou muito o pensamento de Kant. É assim: se nos concentrarmos apenas nas evidências fornecidas por nossos sentidos, tudo o que vemos são várias coisas que acontecem em conjunto entre si. Por exemplo, você aperta um botão então liga uma lâmpada. Se você observar isso acontecendo muitas vezes, você pode dizer que uma coisa tende a seguir outra, o que estabelece um padrão descrevendo esses eventos. Mas isso não é o mesmo que dizer uma coisa deve seguir outra, que estabelece uma lei que rege esses eventos. Você pode assumir que o padrão continuará a ser verdadeiro e agir como uma lei. Mas baseado apenas nas evidências dos sentidos, essa é uma suposição injustificada. Se a razão não pode nos fornecer um conhecimento a priori, então ele não pode garantir nosso conhecimento da matemática também. Desde a ideia de Deus até a noção de causalidade, todos os conceitos metafísicos da religião e da ciência estão agora em cheque. Mas isso não é tudo. O mesmo argumento básico que se aplica aos conceitos metafísicos também se aplica a algo chamado conhecimento a priori. O conhecimento matemático para ser verdadeiro deve ser a priori. Se dissermos que sabemos algo a priori, é uma maneira latina de dizer que sabemos que é verdade independentemente da nossa experiência. Por exemplo, considere a equação 7 + 5 = 12. Este simples pedaço de aritmética é um exemplo de conhecimento a priori. Em outras palavras, a equação é necessariamente e universalmente verdadeira. Mas como vimos com a causalidade, a experiência nunca nos fornece conhecimento de que uma coisa deve seguir outra. Só nos mostra exemplos de uma coisa que tende a seguir outra. A partir dessas tendências, só podemos deduzir apenas padrões, e não leis. Como regra geral, então, podemos dizer que se sabemos que algo é necessariamente e universalmente verdadeiro, nosso conhecimento não pode derivar da experiência. Por definição, isso significa que deve ser a priori. E se não vem da experiência, então isso nos deixa com duas opções: ou vem da nossa capacidade de raciocinar que Kant chama Entendimento, nesse caso pode ser seguro. Ou é apenas uma invenção da nossa imaginação, nesse caso não seria conhecimento algum, devido a impossibilidade de constatação empírica. Mas como o conhecimento poderia vir da razão? Essa é a questão que Kant coloca. Conhecimento a priori é diferente de conhecimento inato; a priori é o conhecimento que a mente produz através de seus próprios mecanismos internos. Vamos voltar a equação que Kant usa como exemplo: 7 + 5 = 12. Em algum momento de nossas vidas, nos ensinaram esta equação, e desenvolvemos nosso conhecimento de matemática ao longo de muitos anos de educação, quer dizer, adquirimos nosso conhecimento no contexto de algum tipo de experiência, como estar na escola. Neste e em todos os outros casos, podemos, portanto, dizer que nossa experiência precede cronologicamente nosso conhecimento. Mas isso não significa necessariamente que nosso conhecimento surge da experiência em um sentido causal. Para ver o porquê, pense na consciência como o resultado de forças se encontrando de duas direções. De um lado, temos os dados de sentido que recebemos de nossos órgãos o sentido – sons, cheiros, imagens e coisas assim. Por outro lado, temos os mecanismos internos através dos quais nossa mente processa esses dados – produzindo nossas percepções, conceitos, julgamentos etc. Faça os dois lados interagirem, e você tem o que Kant chama de consciência. A nossa mente pode ser dividida em três faculdades principais – sensibilidade, entendimento e razão. Como o próprio nome sugere, a sensibilidade é nossa capacidade de ter sensações – coisas como sabor, olfato, visão, textura etc. Digamos que você está olhando para uma casa. Sua imagem visual consiste em várias sensações de cor e forma. Essas sensações, por sua vez, são o resultado de seus sentidos serem afetados por objetos externos. No entanto, sensações isoladas das coisas não são úteis em si mesmas, precisamos ser capazes de transformar esses dados brutos em informações significativas que possamos agir. E isso nos leva à nossa próxima faculdade mental: o Entendimento. Esta é a capacidade de nossas mentes de formar conceitos a partir dos dados dos sentidos, que nos permitem fazer julgamentos sobre o mundo. Por exemplo, através de várias experiências, você pode eventualmente formar diversos conceitos sobre objetos empíricos. Você pode então combinar esses conceitos para formar um julgamento, que afirma uma relação lógica entre duas ou mais coisas. Por exemplo, "se um cão está balançando a cauda, ele está feliz." Este julgamento afirma uma relação lógica entre os conceitos em questão. Finalmente, se você vincular vários julgamentos proposicionais juntos, você tem um silogismo lógico – uma cadeia de raciocínio. Aqui é onde a faculdade da razão entra em cena. Para continuar com o exemplo anterior, você poderia argumentar na seguinte linha: "Se um cão está balançando a cauda, ele está feliz. Este cachorro está balançando a cauda. Portanto, é feliz. Para organizar dados de sentido em informações significativas, a mente precisa de formas predefinidas de estruturá-los. Em si mesmos, nossos dados de sentido são apenas uma confusão caótica de cores, formas, sons, cheiros, texturas, e assim por diante. Mas nós nunca experimentamos dessa forma; quando nos tornamos conscientes deles, eles já estão organizados para nós. E há uma razão para isso: nossas mentes já as estruturaram. No entanto, isso requer que a mente tenha certos modelos ou procedimentos predefinidos para colocar esses dados em ordem. Essas relações espaciais pegam o conteúdo sensorial de sua experiência e dão-lhe uma forma. Em outras palavras, eles descrevem a estrutura desse conteúdo – a forma como os diversos componentes dele são organizados em relação uns aos outros. Se as janelas estivessem em cima do telhado, bem, você teria uma casa muito estranha – e a forma do conteúdo sensorial da sua experiência seria bem diferente. Agora, todas essas posições espaciais e relacionamentos pressupõem uma coisa óbvia: o próprio espaço. Para estar acima, abaixo, ao lado, atrás, na frente, ou qualquer outra coisa em relação umas às outras, as coisas precisam ser colocadas juntas em uma estrutura compartilhada de espaço. E assim, para ser capaz de perceber qualquer objeto como estando em qualquer posição espacial ou relação, a mente já deve ter uma estrutura de espaço para colocá-lo, antes de encontrar o objeto, portanto, Tempo e espaço são formas puras de sensibilidade, que fornecem à mente modelos para organizar dados dos sentidos. O espaço é o que permite que essas sensações sejam simultaneamente parte do mesmo campo de visão. Dado o quão fundamental é o espaço para a capacidade de nossas mentes de organizar nossos dados de sentido, podemos chamá-lo de uma forma pura de sensibilidade. Essa é uma maneira abreviada de dizer que, como uma estrutura para organizar nossas sensações, o espaço existe na mente em uma base "pura", a priori. Em outras palavras, a mente já tem isso pronto, antes da experiência. É como um modelo pré-programado que a mente pode usar para estruturar seus dados. Ao lado do espaço, há apenas uma outra forma pura de sensibilidade: o tempo, relações temporais são aspectos essenciais da forma como sua experiência de realidade é estruturada. Mas para que suas sensações tenham várias relações temporais entre si, precisa haver um contínuo de tempo em que eles possam ocorrer. O tempo é, portanto, o quadro geral que os torna possíveis. E para aplicar essa estrutura às suas sensações, sua mente precisa tê-la pronta, antes da experiência. Como o espaço, o tempo é, portanto, outra forma pura de sensibilidade. É um aspecto fundamental da estrutura de nossa experiência sensorial. Tudo o que experimentamos acontece dentro do espaço e do tempo, e assim os pressupõe. Portanto, não apenas precedem a experiência; eles tornam nossa experiência possível. Nossas mentes também contêm modelos para compreensão e raciocínio sobre o mundo. Ao olhar para os elementos formais do conteúdo sensorial de nossas mentes, fomos capazes de identificar o espaço e o tempo como as formas puras de sensibilidade. Mas a sensibilidade é apenas um componente da mente; e quanto ao entendimento e razão? Essas são as faculdades mentais que nos permitem organizar ainda mais nossos dados de sentido em conceitos, julgamentos e silogismos lógicos. Se nos concentrarmos em seus elementos formais, seremos capazes de identificar as formas puras do entendimento e da razão também. Vamos começar com um exemplo de um julgamento: "se algo for deixado à luz do sol, ele acabará se aquecendo" Agora, se ignorarmos o conteúdo deste julgamento e apenas focarmos em sua estrutura formal, acabamos com algo que poderíamos simbolizar da seguinte forma: "se X, então YE Em um nível formal, não importa o que colocamos nesta fórmula; sejam átomos ou unicórnios, a mesma relação lógica básica se aplica a todos eles. "Se X, então Y" fornece à sua mente um modelo básico formal a seguir que nossas mentes, conectam as coisas. Em linguagem mais sofisticada, podemos chamar isso de uma função lógica de compreensão. "Se X, então Y" é chamado de função hipotética, uma vez que afirma uma hipótese sobre X. Aqui está outro exemplo: "X é Y ou Z." Isso é chamado de função disjuntiva, uma vez que afirma uma disjunção – uma ou outra possibilidade entre X ser Y ou Z. Com essas funções lógicas na mão, podemos então formar silogismos lógicos. Estes também têm formas subjacentes, que podemos chamar de princípios de raciocínio. Por exemplo, considere o seguinte silogismo: "Um animal está vivo ou morto. Este animal não está vivo. Portanto, está morto. Isso toma a forma de: "X é Y ou Z. X não é Y. Portanto, é Z."Essas funções lógicas e princípios de raciocínio são algumas das maneiras mais básicas pelas quais a mente pode unir ideias. E por serem tão básicos, a mente deve vir pré-equipada com eles. Caso contrário, como poderia começar a conectar ideias? Teria que começar a conectá-los antes que tivesse qualquer maneira de conectá-los, o que é impossível. Para começar, ele precisa de algum tipo de modelos predefinidos a seguir. A mente pode usar seus modelos para adquirir conhecimentos e conceitos a priori. Kant identifica 12 funções lógicas e três princípios de razão no total. Como é possível um conhecimento a priori? Vamos começar com espaço e tempo. Analisando essas formas puras de sensibilidade, podemos obter um conhecimento de matemática. Por exemplo, considere geometria. O que é uma figura geométrica, como um círculo? É basicamente uma forma de um possível objeto no espaço. Ele expressa uma propriedade desse espaço – ou seja, o que acontece quando você pega uma linha e move-a em torno de um ponto fixo. Estudando o espaço cuidadosamente, aprenderemos as verdades da geometria, mas não é preciso confiar na experiência para fazer isso, porque o espaço é uma forma pura da sensibilidade que existe dentro de nossas mentes, antes da experiência. Ao estudá-la, nossas mentes estão, essencialmente, estudando a si mesmas – adquirindo conhecimento sobre uma das formas como estrutura sua experiência do mundo. Esse conhecimento é, portanto, a priori. Agora, vamos mudar as engrenagens para a faculdade do entendimento e voltar para uma de nossas formas de julgamento: a função lógica hipotética "se X, então Y." Aqui está outra maneira de dizer isso: se uma coisa acontece, outra coisa deve acontecer, isto é, o conceito de causalidade. Pensando em suas próprias funções lógicas, nossas mentes podem formar muitos dos conceitos tradicionais de metafísica. Podemos chamar esses conceitos de categorias de entendimento, e há 12 deles no total, correspondendo às 12 funções lógicas. Além da causalidade, incluem os conceitos de unidade, pluralidade, existência e possibilidade. Como tal, são conceitos a priori puros. Não precisamos de experiência para formá-los. As categorias do entendimento refletem apenas nossa experiência da realidade dos fenômenos, mas não da realidade em si, que Kant chamou de númeno. Não só não precisamos de experiência para formar os conceitos que compõem as categorias do entendimento; esses conceitos ajudam a tornar nossa experiência possível em primeiro lugar. Isso porque a experiência consciente não é apenas um monte de sensações no tempo e no espaço. É uma combinação dessas sensações e dos pensamentos que temos sobre elas. Esses pensamentos, por sua vez, são uma questão de fazer conexões entre as várias sensações e conceitos em nossas mentes. Por exemplo, você não vê apenas um objeto redondo; você vê isso como uma bola de boliche. Sua mente faz uma conexão entre a imagem – objeto redondo e o conceito – bola de boliche.As categorias do entendimento são a forma mais fundamental de fazer tais conexões. Não poderíamos fazer nenhuma conexão e, portanto, não poderíamos ter qualquer experiência sem elas. Imagine que você está olhando para uma bola de boliche deitada em um travesseiro, criando uma depressão debaixo dela. Usando a categoria de causalidade, sua mente conecta esses dois fenômenos em termos de uma relação causal: a bola de boliche causa a depressão. Mas note as palavras que estamos usando aqui: sua mente conecta as duas coisas juntas. Em outras palavras, causalidade é algo que sua mente constrói; é algo que sua mente insere em sua experiência de realidade. É a maneira de sua mente entender o mundo. As coisas não fazem sentido até que as coloque em algum tipo de ordem causal e isso significa que há uma razão óbvia para sua mente ver a causalidade em todos os lugares, está sempre interpretando as coisas dessa maneira. Na verdade, deve interpretá-los dessa forma; é uma das maneiras básicas em que foi programado para entender o mundo. O fato de que a mente deve interpretar as coisas dessa forma explica por que a causalidade nos parece uma lei. É uma lei – uma lei da forma como nossas mentes vivenciam a realidade. Para vivenciar a realidade, a mente deve ser capaz de conectar as coisas de várias maneiras – integrando-as em uma experiência unificada e coerente. Ligar as coisas em termos de causa e efeito é uma das maneiras básicas de fazer isso. Podemos, assim, dizer com certeza que a realidade, realmente, segundo Kant, mostra uma lei de causalidade, apenas na medida em que a experimentamos. Quanto à realidade em si, não podemos construir conhecimento, não podemos saber nada sobre a realidade em si – mesmo existindo no espaço e no tempo. Em outras palavras, mesmo que exista realidade externa no espaço tridimensional, nossas mentes ainda teriam que colocar suas sensações em uma estrutura espacial tridimensional para percebê-las como tal. E para fazer isso, eles precisariam ter essa estrutura pronta antes que qualquer sensação fosse filtrada através dela. Se nossas mentes tivessem uma estrutura diferente, elas seriam filtradas de forma diferente, e, portanto, as perceberíamos de forma diferente também. A razão não deve se aventurar na especulação metafísica sobre a natureza da realidade em si. Onde quer que olhemos, sempre veremos as coisas em termos das estruturas do tempo, do espaço e da causalidade que nossas mentes já impuseram aos nossos dados dos nossos sentidos. Graças às formas de sensibilidade e às categorias do entendimento, podemos saber muito sobre o mundo à medida que o experimentamos. Por exemplo, as verdades da geometria realmente descrevem a natureza do espaço naquele mundo. A lei da causalidade realmente descreve a forma como os eventos se desenrolam naquele mundo. E a mesma coisa vale para todas as sub variedades dessa lei, como as leis de movimento. Eles também descrevem como as coisas acontecem nesse mundo. Mas as palavras-chave aqui são "nesse mundo". Até onde sabemos, essas verdades e leis só se aplicam ao mundo à medida que o experimentamos – o mundo dos fenômenos, como Kant o chama. Quanto à realidade em si mesma – o mundo numênico, nunca podemos ter conhecimento. Afinal, só podemos conhecer a realidade na medida em que a experimentamos. E quando experimentamos isso, nossas mentes já moldaram os materiais mentais de nossa sensibilidade e compreensão de tantas maneiras fundamentais que não estamos mais em posição de dizer nada sobre a realidade em si mesma. Mas esses materiais são tudo o que a razão tem para trabalhar. E isso deixa a razão incapaz de saber a natureza última da realidade em si. Pode nos ajudar a pensar sobre o mundo físico dos fenômenos, mas só pode especular sobre a natureza metafísica do mundo numênico. Se tentarmos ir além desses limites e tentar conhecermos o mundo como é em si mesmo, só podemos gerar argumentos antinômicos; onde não podemos obter conhecimento objetivo, apenas conjecturas. A mente humana desempenha um papel ativo na formação de sua própria experiência e compreensão da realidade. Para desempenhar esse papel, ele precisa de modelos para estruturar dados, conceitos e julgamentos de sentido em uma imagem coerente do mundo. Como esses modelos são internos para a mente, e porque nunca podemos perceber ou entender a realidade sem eles, não podemos saber se refletem a natureza da realidade como ela existe em si mesma, independentemente de nossas mentes. Isso deixa em aberto a possibilidade de que a realidade em si é muito diferente da nossa experiência dela. Também faz das teorias metafísicas dessa realidade uma questão de pura especulação. Devemos, portanto, manter a compreensão cientificamente do reino empírico, deixando o reino metafísico para a religião.
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NIETZSCHE E O DEVER
Nas três dissertações da
Genealogia da Moral, Nietzsche executou uma crítica genealógica da oposição
" bem/mal, bom/ruim", "da culpa e dá má consciência", e na terceira, "dos
ideais ascéticos", faltando uma genealogia de um conceito muito importante da
ética moderna, o conceito de dever, que apenas nos fragmentos póstumos foi
colocado segundo a citação:
" O problema "tu deves”:
uma inclinação, que não sabe se fundamentar, de modo semelhante ao que acontece
com o impulso sexual, não deve cair sob a condenação dos impulsos; ao
contrário, ela deve ser seu medidor de valor e seu juiz!"(F.P.1885-1887, p.232,
Forense,2013).
Seguindo o fio condutor de seu
mestre Schopenhauer, que já havia criticado o conceito de dever em Kant em seu
livro "Sobre o fundamento da moral", Nietzsche ratifica sua crítica,
identificando a origem teológica e o desmascara igualando-o ao Decálogo, porque
o conceito de dever não é livre, quer dizer, ele é heterônomo, disfarçado por
Kant em autonomia da vontade. Para Nietzsche o "tu deves" deve ser designado
a partir de nós mesmos, para assim, criarmos o nosso destino.
INFORMAÇÕES DISTORCIDAS
Diante das distorções da imensa
quantidade de informações, é melhor suspendermos o juízo, e investigar quais
delas são, realmente importantes, para as nossas vidas. Vejamos duas citações
referentes a importância do conhecimento para a vida: "Não se possui o que
não se compreende" (J.W. Goethe, Máximas e Reflexões, II,3). (...) "O ato de
entender é vida" (Aristóteles, Metafísica, XII,7).
CAMINHOS NOVOS SOBRE A NOSSA ORIGEM
Se a cultura humana surgiu na
África há cerca de 50 mil anos com a formação do gênero humano, expandindo-se
depois para a Ásia e a Europa como foi exposto em uma pesquisa de antropólogos
e paleontólogos a partir da descoberta de fósseis, como também de vários
instrumentos rústicos, pinturas em cavernas etc. Tudo ao contrário da história
com o despertar da cultura, que indicava a Europa como sendo o berço das
primeiras expressões artísticas. Como fica a veracidade de nossa história Cultural?
Caminhos novos e abertos para mais investigações!
PREJUÍZO DO PENSAMENTO A PRIORI
Estamos fazendo preconcepções o
tempo todo, pensando de forma equivocada, sempre desejando saber das coisas a
priori, sem a ajuda da experiência. Isso nos leva a fazer pré-julgamentos. Esse
modo a priori de pensar está prejudicando nossas relações com o mundo, porque estamos
pensando erradamente e, na maioria das vezes, não nos damos conta.
BEM-AVENTURADOS
Temos amor,
sorte e felicidade.
Os ventos do Norte
sopram em nossa direção
O tempo está do nosso lado.
A beleza e o vigor
andam conosco.
A vida está ansiosa
pelo nosso encontro.
A primavera chegou!
As flores estão nos aguardando
para nos adornar e comemorarmos...
Nosso momento descomunal.
SILENTES MENSAGENS
No silêncio de nossas mensagens
Uma voz dentro de nós
não quer calar.
Andas por teu jardim
E algo, eu sei que nos falta
É aquele final de tarde que nos
sorri docilmente em
nossas memórias.
Desperta e segue o ritmo!
O que agora ocorre
antes já aconteceu!
A sincronicidade reina
Invisível e silente!
Nossos destinos se cruzam
E a cada momento estamos mais
próximos para a sagrada
comunhão!
DIFERENÇA E HIERARQUIA
A vida tem múltiplos sentidos e
caminhos a serem percorridos e ultrapassados. Um dos mais importantes é
perceber que o engrandecimento humano há de ser executado, através de uma
crescente tomada de consciência da diferença entre tudo que existe, somente
assim, poderá ser estabelecida uma hierarquia transvalorativa, usando um termo
de Nietzsche.
ENTRE DIAS E NOITES
Resta apenas nos prepararmos
Até dormirmos, juntos,
aquecendo nossos
corpos e corações,
no frio e nas noites
que se repetirão.
Todas as noites, silenciosamente,
minha voz caminha em tua direção.
E na impossibilidade da palavra,
fica o não dito.
Até o nosso Encontro,
os dias nos seguirão
rumo ao momento em que
as horas retornarão ao começo,
na distância que sobrevive
na Solidão.
Recomecemos como se fosse a
última vez!
Pois não há mais tempo.
E é o fim do tempo, o momento
de recomeçarmos!
EXPERIÊNCIA HUMANA EM REDE
Hodiernamente, no mundo digital,
a experiência humana não ocorre sobre o que acontece com a maioria levando em
consideração a qualidade de vida, mas sobre o que acontece com cada um de nós,
o tempo todo. Em vez de utilizar uma abordagem qualitativa do geral ao
particular, faz-se uma abordagem quantitativa utilizando diversos casos particulares,
onde tem havido um grande interesse com o pensamento e com o comportamento das
massas, que é observada com objetivos lucrativos, através de manipulações para
o consumo. Diante disso, precisamos prestar mais atenção em nossas relações com
o mundo digital, haja vista que nenhum banco de dados poderá ser capaz de nos
proporcionar qualidade de vida e nos trazer sabedoria. Todo esse jogo global e
digital é um jogo de esperteza que torna as pessoas roboticamente estúpidas, na
maioria das vezes.
BANALIZAÇÃO DA ARTE
Segundo Bourdieu, a arte em vez de unificar a sociedade humana devido ao seu imenso poder de comunicação, divide-a, porque de um lado há amadores privilegiados da "grande arte" e do outro, as massas cegas que seguem os ditames das classes dominantes , que se impõem através das mídias a tirania do gosto visando apenas o lucro e havendo como consequência uma banalização da arte.
RENOVAÇÃO/SUPERAÇÃO
A cada dia
a vida nos renova.
A amizade, o amor,
ressurge de modo inusitado,
Superando tentativas vis...
A atração nos renova
para novos encontros.
Livres estaremos
para novos anseios.
Sem empecilhos,
brotaremos renovados
Para mais uma comunhão.
Celebrando novos momentos
descomunais.
ACORDAR PARA A DIFERENÇA E MULTIPLICIDADE
Vamos acordar! Acordar para ver
as coisas de modo diversificado, múltiplo, onde a diferença exerça uma força
que transvalore e vá além do que está sendo percebido! Todas as coisas estão
cobertas pelo Véu de Maya, quer dizer, as coisas são de certo modo máscaras. As
religiões ortodoxas são máscaras, o grande problema é que a grande maioria das
pessoas não quer ou não podem perceber esse aspecto e ficam presas, deixando de
adquirirem uma nova maneira de pensar, não somente referente aos dogmas
impostos pelas diversas religiões, como também, a todas as outras coisas que
visaram dominar o pensamento humano, impondo limites, regras etc.
DESEJO DE AMAR
Desejamos amar para não nos
perdermos na subjetividade, no oceano do conhecimento e na aridez da vida.
Desejamos amar para objetivarmos uma das forças mais poderosas da existência.
EDUCAÇÃO OBSOLETA
A nossa Educação tradicional puramente teórica, muito
formal, está totalmente obsoleta e ultrapassada porque raramente inclui
instruções sobre como aprender novos modos de aprendizado, como melhorar
efetivamente a memória, como aumentar a criatividade etc.
CORPO E RAZÃO – CONTRASENSO
A filosofia ocidental
tradicional, tem sido a " história de uma má compreensão sobre o
corpo", por haver colocado: alma, mente, espírito, razão etc. em oposição
ao corpo, excluindo toda nossa sensibilidade, de modo que pudéssemos ser capazes
de pensar sem a sua influência. Desde Platão, existe a concepção do corpo como
"prisão da alma". Para Nietzsche, o corpo é um grande todo onde atuam
forças, onde não existe uma luta entre o corpo e algo "fora" dele,
quer seja, intelecto, alma, razão etc. A luta existe no interior do próprio
corpo, pois, não há nada fora dele. "O corpo é uma grande razão, uma
multiplicidade com um único sentido, uma guerra e uma paz, um rebanho e um
pastor" (Zaratustra, dos desprezadores do corpo). A razão, o espírito, é
apenas um instrumento, uma "pequena razão fundada através da
linguagem". " Instrumento de teu corpo é, também, a tua pequena razão,
meu irmão, à qual chamas "espírito, pequeno instrumento e brinquedo da tua
grande razão"(Zaratustra, dos desprezadores do corpo) Podemos
concluir que com o desprezo pelo corpo houve uma demasiada valorização do espírito
e um desprezo pela vida: " E, por isso, agora, vos assanhais contra a vida
e a terra. Há uma inconsciente inveja no vesgo olhar do vosso
desprezo"(Idem, Ibid.).
HISTÓRIA AUTÊNTICA
É muito mais importante conhecer
a nossa história pessoal do que a história que os livros contam. Um dos motivos
é que a história dos livros é contada pelos vencedores, na maioria das vezes
uma falsa história! Enquanto a nossa própria história é autêntica, no entanto,
precisamos de um outro para haver o seu conhecimento, porque o autoconhecimento
por si, é praticamente impossível!
ALERTA CONTRA O NIHILISMO !
Nietzsche, nos alertou que, para haver uma valoração efetiva do mundo, deveríamos suprimir todo tipo de metafisica dualista, essencialista, finalista; opondo-se ao realismo metafísico, quer dizer, opondo-se a qualquer ideia de uma realidade independente de uma perspectiva humana, como também, a anuência de qualquer ponto de vista de um mundo ideal."É de uma importância cardinal o fato de se eliminar o mundo verdadeiro. Ele é o grande veículo de dúvida e de diminuição valorativa do mundo que nós somos: ele foi até aqui o nosso mais perigoso atendado à vida ". (Nietzsche,Frag. Póstumos,1887-89)
FARISAÍSMO POLÍTICO
Um bom meio de superar a classe
política, é mostrar sua total incompetência em lidar com a Coisa Pública (Rés
Publica), mostrar que são nocivos à saúde da nossa nação e que suas obras são
obras de Fariseus! Vamos lutar pelo do Fim do Farisaísmo Político! Segundo
Nietzsche, a política deve depender da educação, da cultura, e não o contrário!
E, principalmente, da política politiqueira!
FUNDAMENTO
Etim. Gr.: Aitia=Razão de uma coisa.
Lt.: Fundamentum, de fundare = Fundar
Causa no sentido de razão de ser.
"Fundamento é a essência posta como totalidade" Hegel
"Nada é necessário cujo oposto seja possível" (Leibniz,
Discurso Metafísica §13)
Explica a necessidade das coisas, dos entes, porque a coisa
não pode ser diferente do que é.
O Princípio de Causalidade diferencia-se do de Razão
Suficiente porque ele é necessário, enquanto o de Causalidade é o fundamento de
todas as verdades contingentes, aplicando-se aos existentes, possíveis ou
factuais.
O Princípio de Razão Suficiente é o princípio em virtude do
qual nós julgamos que nenhum fato poderá ser considerado verdadeiro, ou
existente, nenhum juízo verdadeiro, a não ser que haja uma razão suficiente
para que seja assim e não de outro modo, embora essas razões não possam na
maior parte das vezes ser do nosso conhecimento. Tem que haver uma razão
suficiente para as verdades contingentes ou verdades de fato, isto é, para a
sequência das coisas que estão dispersas pelo universo dos seres criados, nos
quais a resolução em razões particulares poderia ir a detalhes sem fim. (Leibniz,
Monadologia – p.31,32,33,36).
Schopenhauer divide o Princípio de Razão Suficiente em
quatro fórmulas:
1ª) Princípio de Razão Suficiente do Devir-Mudança.
2º) Princípio de Razão Suficiente do Conhecer.
3º) Princípio de Razão Suficiente do Ser - Relações
Matemáticas.
4º) Princípio de Razão Suficiente do Agir - Motivações.
PRINCÍPIO DE RAZÃO SUFICIENTE (CAUSALIDADE)
1) Tudo que existe tem sua razão de ser.
2) Tudo tem sua razão suficiente.
3) Em consequência tudo é explicável.
4) Tudo é inteligível.
Daqui segue a denominação – Princípio Universal de
Inteligibilidade
(Princípios da Natureza e da Graça) Leibniz
UM NOVO MODO DE AMAR
Diga-me que seu amor
veio para ficar.
Aquele é o nosso caminho
Apenas confiei e acreditei.
Ela sabe, eu confio.
Uma mulher experiente não
tem tempo a perder.
Uma mulher experiente
nos completa.
Isso é tudo.
Parece o começo, mas
é o meio e
o fim também!
Vidas seguindo à distância.
Juntos estamos mudando a forma
de amar.
Afinal, um pouco de distância
faz bem, muito bem!
MORADAS
Moro aqui, ali e acolá.
Moro em todo lugar.
Sei que posso morar,
Em qualquer lugar!
Vagação...
Ilação de sua pureza.
Contemplação de seu olhar,
Distante e Ausente
No vazio de meu coração.
Instante que espero
sem ação.
MOMENTO PARA MUDANÇAS!
Agora, chegou o momento de unir forças.
Ouvir: Avisos,
alertas e chamados.
Tempo de novas
visões, construções e ações.
A transvaloração nos
convida
Para que o futuro
esteja em nossas mãos!
E não o FIM do
futuro.
PLEONEXIA
Quem não está indignado depois de
tomar conhecimento da falta de generosidade, equidade, amor e outras
virtudes que podem libertar a "vontade da terra", da ganância desmesurada,
da arrogância do controle da natureza, da loucura pelo poder, que colocam em
risco o destino de vários países e de suas necessidades? Estamos tristes em saber que
nosso futuro está acorrentado dentro dos grilhões da avareza, daqueles que se
consideram donos do mundo!
CIÊNCIA SEM IDEOLOGIA
Vejamos uma citação de um livro
muito importante, principalmente, para o momento que estamos passando, onde
está havendo um cientificismo, quer dizer, a tendência de somente considerar a ciência
como o único modelo de verdade, onde "fora da ciência não há salvação",
sendo considerado por A. Comte-Sponville "a ciência como religião", quer
dizer, "erigir a ciência em dogma, e o dogma em imperativo" (Cf.)
Dicionário Filosófico, p.102, Ed. Martins Fontes,2003).
"O teórico que afirma que
a ciência é tudo o que há — e que o que não estiver nos livros de ciência não
tem valor — é um ideólogo com uma doutrina própria, distorcida e peculiar. Para
ele, a ciência não é mais um setor da iniciativa cognitiva, mas uma visão de
mundo que inclui tudo. Essa não é uma doutrina de ciência, e sim, de
cientificismo. Adotar essa instância não é celebrar a ciência, e sim, distorcê-la". (Nicholas Rescher, in The Limits of Science).
AMANHÃ: UM DIA A MAIS OU A MENOS?
Imediatamente após nascermos, já começamos a morrer. Portanto, biologicamente, amanhã será um dia a menos. No entanto, os seres humanos têm, na existência, uma outra possibilidade para superar e transcender os dias a menos, através do uso criativo de sua subjetividade. Segundo Heidegger, “a essência do homem está na sua existência”, quer dizer, no seu ser-no-mundo, onde a existência não é mais sinônimo de ser, mas de subjetividade e, portanto, de construção contínua para superar os dias de vazio existencial perdidos nas "banalidades do cotidiano".
CONSTRUINDO, TOMANDO POSSE DE NOSSAS VIDAS , MELHORANDO-A.
Construindo uma rotina diária,
sob uma nova perspectiva de vida, com um potencial de transformar tudo para melhor através de uma solidão criativa, com
a mente focada; iremos, muito provavelmente, frequentar a elite do pensamento, fugindo
da mediocridade para alcançar " grandeza" ,quer dizer, promover nossa
criatividade, nossa energia
, e
produtividade. Grandes gênios ao longo da história entenderam que o retraimento que vem de levantar-se
cedo de manhã ou de estar em um ambiente em total silêncio, tem um efeito
multiplicador. Biologicamente, todos nós temos uma capacidade mental limitada
e, ao longo do dia, nossa atenção é acionada a muitas coisas: notícias, mídias sociais. etc. O problema é
que isso pode se tornar um hábito ruim e tirar nosso foco, fazendo com que não
possamos nos concentrar em praticamente quase
nada, mudando constantemente
nosso foco de uma coisa para outra, a ponto de não darmos atenção suficiente as coisas necessárias.
Segundo Heidegger, perdemo-nos nas “banalidades contingenciais do
cotidiano”. Mas se levantarmos logo cedo ou ficarmos em um
ambiente silencioso, teremos uma oportunidade de ouro para nos concentrarmos
sem que nosso cérebro se distraia. Esse foco é ainda mais aprimorado pelo
conceito de hipofrontalidade transitória, o
que significa, em poucas palavras, que de manhã logo cedo, estamos bem posicionados para alcançar um estado de “Flow”,ou seja de um fluxo criativo em nossas mentes, captando as
“ideias que estão no ar”. Estudos mostram que o córtex pré-frontal, quer dizer,
aquela parte do cérebro que lida com o pensamento racional, desliga-se
temporariamente. Assim, nossas tendências
a analisar estresse e preocupação com as coisas é minimizada. Ao mesmo tempo, a paz do amanhecer e do
silêncio, também, estimulam a produção dos neurotransmissores dopamina e serotonina e como resultado, entramos
naturalmente em um estado de “Flow", quer dizer, um estado totalmente energizado,
focado e criativo. "Flow" é
uma mentalidade de elite que os melhores artistas, cientistas, habitam em seus melhores
momentos. Então, iremos descobrir que se nós nos levantarmos logo cedo,
estaremos mais focados e mais
produtivos ao longo do dia. A grande maioria das pessoas não está disposta a se
submeter a um silêncio total. Então, se o fizermos, obtemos uma enorme vantagem,
não para apenas alcançar grandes coisas, mas
se tornar um
verdadeiro “Historymaker”,quer
dizer, uma pessoa cujas
conquistas mudam o mundo.
Os grandes gênios não são definidos apenas pelo seu talento natural, mas pela
medida em que tiram proveito de um constante trabalho sobre si mesmo para
manter o foco, autodisciplina e
perseverança. Livrar-se das distrações é fundamental. A grande maioria das pessoas perdem horas com tecnologia viciante, vazia
e mídias sociais. Enquanto os “Historymakers” capitalizam seus talentos, evitam distrações, e assumem
o autocontrole. Isso significa segundo Schopenhauer, praticar um tipo de
ascese, quer dizer, um exercício espiritual, concentrando-se e
selecionando projetos focado na
qualidade ao invés da quantidade, tirando tudo o que nos distrai para termos um
foco implacável, no que nos é mais importante. Para tal, temos que nos
desligar do mundo, e de tudo o que está
nos afastando de atividades que
realmente nos agregam valor. Tentemos ganhar, no mínimo, duas horas livre das
distrações todos os dias para se
concentrar no que é importante. No final de cada ano estaremos à frente quase
setecentas horas! Assim, são nas primeiras horas do dia e também no silêncio total que os
“Historymakers” são construídos. Se queremos dominar nossas vidas, comecemos
por possuir a nós mesmos, sempre que pudermos todas as manhãs. A ausência de
distração nas manhãs, nos permitirá construir nossa criatividade, e protejamos
nossa serenidade em uma era de complexidade cibernética.
AMIZADE - A IMPORTÂNCIA DA QUALIDADE
Aristóteles, em sua maturidade intelectual,
escreveu: " Amigos, não há amigos!", não devemos levar ipis
litteris isso, contudo, a verdadeira amizade é uma coisa quase impossível de se
encontrar, e se nós a encontrarmos, ela se concretizará entre os "iguais".
Os Antigos consideravam a amizade superior ao amor, eles sabiam que só poderia
existir amor se houvesse amizade, números não dizem nada; inclusive,
Schopenhauer escreveu que: "Ao contrário do que o senso comum pensa, o valor de
uma pessoa não consiste no número de amigos que ela possui, e sim na qualidade".
Afirmando, desse modo, que quem tem poucos amigos, muitas vezes tem mais valor
do que aqueles que têm muitos. É a sabedoria seletiva e aristocrática que deve
se impor, cada vez mais, em um mundo vulgar ,plebeizado e imbecilizado.
DE VOLTA PRA CASA (UM NOVO RITMO)
Quando você sentir que
tudo está desmoronando.
Quando sentir que está sozinha
e todos seus amigos
lhe traíram.
É chegada a hora de acordar
Eu te levarei de volta
Eu te levarei para um ponto mais alto!
Agora ,você pensa que
o que está passando é tudo,
e não há mais nada.
Então, venha comigo de volta à estrada.
Que eu te levarei para um ponto mais alto.
Pegue minha mão.
E farei com se sinta livre e segura.
Eu te levarei de volta pra casa.
Garanto que há algo nos esperando.
Quando abrir a porta,
encontrará um novo ritmo.
Um ritmo pra viver,
um ritmo de esperança.
De volta pra casa,
um novo ritmo nos espera.
ESCUTE À DISTÂNCIA
Quero me lembrar
a palavra que desejo
lhe dizer
Agora é o tempo
que está porvir
Então, não esqueças
a alegria de viver!
Não há distância entre nós
A música nos convida aproximação
além de nós, o puro: Rock'n'roll.
O mundo caminha em nós,
além do alcance
E de repente, lembro-me
da palavra amor à distância
Em alguma parte,
ela fala dentro de você,
à distância.
CONFRONTAÇÃO ENTRE O DISCURSO DO MÉTODO E AS MEDITAÇÕES METAFÍSICAS
Nas Meditações Metafísicas, o fundamento da dúvida metódica tomará muito maior destaque onde verificar-se-á a formulação radicalizada por intermédio do Gênio maligno ou do Deus enganador, ao ponto da dúvida metódica tornasse dúvida cética. Na validade de uma dúvida metódica impelida até esse ponto, a interpretação cartesiana é um pouco discordante. Todavia, se se pode reportá-la à interpretação que demos à formulação do Discurso sobre o método, consideramos que seja um procedimento muito valioso. Ao contrário se a dúvida tornasse uma autêntica dúvida positiva e não apenas uma negativa Universal, ela necessariamente conduziria ao ceticismo constituindo, portanto , um procedimento sem validez.
Descartes fundiu e confundiu o
fato de no gnosiológico com fato
ontológico, modificando o Cogito e substituindo-o por uma proposição verdadeira
“ eu sou o ato da minha consciência”. Nas meditações metafísicas, ele
evitará repetir esse paralogismo, onde
desenvolverá um tratamento à parte para demonstrar a teoria do dualismo entre
espírito e matéria.
De todo modo, o dualismo entre
espírito e matéria, Isto é, entre a Res cogitans e a Rés Extensa é insubstituível não apenas do ponto de vista
ontológico onde alma e corpo, formam uma
unidade substancial; como também, do ponto de vista psicológico, pois a alma
não conhece diretamente a si mesmo sem o uso
do corpo, que Descartes tentou abstrair ao extremo para se livrar de
qualquer conhecimento que não seja diretamente do eu pensante para o mundo físico
através de uma intuição puramente intelectual.
CONSEQUÊNCIAS DA DECADÊNCIA A PARTIR DO SÉCULO XX
Nietzsche anteviu uma grande crise para o século XX e XXI, " Conheço a minha sina. Um dia, meu nome será ligado à lembrança de algo tremendo -- de uma crise como jamais houve sobre a Terra"(Ecce Homo, Por que sou um destino, §1, p. 109,Cia das Letras).São inúmeras as consequências do declínio, entre as quais podemos citar as principais: Ausência do senso de pecado (falta) levando ao crescimento da irresponsabilidade devido a infantil crença no progresso; afloramento de várias ditaduras devido ao fraco crescimento moral não proporcionado pelo Iluminismo; popularidade dos meios de comunicação de massa com a finalidade de "lavar a mente" dos incautos; o excessivo culto aos esportes que leva ao entusiasmo infantil alienado por competições; surgimento de seitas religiosas nunca antes vistas, levando as pessoas ao fanatismo; etc.etc. Hodiernamente, como nunca, paira um perigo sem paralelos na história, onde cada vez mais formas de repressão sobre a sociedade são utilizadas, com a intenção de fazê-la pensar como "animais de rebanho", suprimindo as diferenças criadoras de novos valores. Enfim, a meta é a restrição progressiva, onde todos nós somos considerados apenas números.
FORÇAS ATIVAS/POSITIVAS
Com a força do amor, do
esquecimento , da alegria e da paz ,poderemos recuperar o tempo perdido, apesar
de todas as perdas.
ETERNIDADE DO SER
Desejamos a eternidade do Ser
O universo se repetirá eternamente
Sob formas múltiplas.
Chega de Utopias!
Em lugar nenhum,
O falso deus da terra de
ÙTOPÓS
Deverá reinar,
Execrá-lo!
Para dar lugar
A eterna afirmação de nossas vidas.
AUTORIDADE VERSUS AUTORITARISMO
Uma das propostas da filosofia é tentar acabar com todo o autoritarismo porque ele está ligado ,totalmente, ao pensamento dogmático. Autoridade é totalmente o oposto porque a autoridade pode ser contestada ,refletida, criticada, onde não há necessidade de uma obediência cega, acrítica. A autoridade está relacionada com a potência de agir e, portanto ,pode ser considerada uma atividade livre. O autoritarismo é a obediência pela obediência , onde não há reflexão, debate, pensamento crítico atuante. Vejamos uma citação de Nietzsche da real autoridade da filosofia " - filosofia, tal como até agora entendi e vivi, é a vida voluntária no gelo e nos cumes - a busca de tudo o que é estranho e questionável no existir, de tudo o que a moral até agora baniu. Uma longa experiência ,trazida por tais andanças pelo proibido, ensinou-me a considerar de modo bem diferente do desejável as razões pelas quais até agora se moralizou e se idealizou" e " Aqui não fala um fanático, aqui não se "prega", aqui não se exige crença." (Nietzsche, Ecce Homo ,Prólogo§3).
O MITO INDIVIDUAL – Homenagem a Lacan
Espectro dissociado e alienado,
Vive a ilusão da Unidade.
Percorre a vida obnubilado.
Descentralizado, vive as quimeras
do mito individual.
Até que irrompa em seu ser,
a luz da Linguagem.
Estruturada pelos Mathemas...
Perdidos no inefável,
Mundo da dialética metafísica.
MUITO ALÉM DO LUCRO !
Os que possuem o espírito livre tem um propósito que ultrapassa seus atos, quando agem não buscam o ganho pessoal. Quem age apenas onde há oportunidade para o lucro são pessoas comuns. Os espíritos livres não agem pelo lucro, mas pelo próprio espírito de liberdade que já possuem. Assim , fazem a diferença onde, aparentemente, não há diferença.
FIM DO FUTURO?
Forças da mudança,
Invadiram vigorosamente.
Sobrepujando comportamentos
e crenças
e nosso planeta em sua órbita.
De religiosos a seculares,
De rurais a urbanos,
De industriais a tecnológicos.
Novos modos de vida robóticos
Sacudiram culturas e costumes.
Ascensões e quedas,
Levaram-nos a uma encruzilhada.
Desespero,extinção,aniquilamento.
Fim do futuro?
Parece que nada, realmente,
aprendemos com a história!
COMO DEVERIA SER O HOMEM ? UMA IMPOSSIBILIDADE OBJETIVA
Podemos nos perguntar se apenas um conjunto de modos deve ser desejado para todos nós seres humanos. Será que devemos dizer que uma tal pessoa deve agir , como se todas as outras fossem bastante semelhantes a ela? Vamos ver um texto de Nietzsche onde ele aborda essa questão:
"Consideremos ainda por fim que ingenuidade patética é em
geral dizer que o "homem deveria ser de tal modo! “A efetividade nos
mostra uma riqueza encantadora de tipos, a exuberância de um jogo e de uma
mudança de formas profusos. E um reles serviçal de moralista qualquer diz: “não!
O homem deveria ser diferente!"... Ele sabe até mesmo como ele deveria
ser, este fanfarrão e este beato, ele pinta um autorretrato na parede e diz
" Ecce homo!"( "Eis o homem!")... Mas mesmo quando o moralista se volta
simplesmente para o indivíduo e lhe diz:" Tu deverias ser de tal e de tal
modo!", ele não deixa de se tornar risível. O indivíduo, visto pela frente
ou por detrás, é um pedaço de destino, uma lei a mais, uma necessidade a mais
para tudo o que advém e será."(Nietzsche, Crepúsculo dos Ídolos-Moral como
Antinatureza)
O argumento está correto, porque na efetividade existe pessoas que levam diferentes formas de vida, têm tipos de personalidades diferentes umas das outras , ocupam papéis sociais diferentes, como também , as qualidades de caráter são muito diferentes; enfim o mundo em sua efetividade é um mundo de diferenças, nada há igual a nada. Nem uma folha é igual a outra, imaginem nós seres humanos ?
SUTIL MANIPULAÇÃO TELEVISIVA
A medida que a programação televisiva vai se tornando mais realista, a ela é imposta
sub-repticiamente um modo que a torna cada vez, paradoxalmente, mais ficcional, nos
sugerindo um tipo de emulação com a
própria realidade exterior, misturando
ficção e realidade e desse modo, abrindo caminhos para diversos tipos de
escapismos nas mentes dos espectadores.
Consequentemente, há uma despontencialização de nossa visão crítica que
nos impossibilita de compreender e participar efetivamente do mundo.
AMANDO À DISTÂNCIA, UM NOVO MODO DE AMAR!
Ela segredou-me que seu
amor veio pra ficar.
Ela sabe , eu confio.
Uma mulher decidida não
tem tempo a perder.
Uma mulher decidida nos completa.
Isso é tudo.
Parece o começo, mas é o meio e
o fim também.
Juntos estamos mudando
a forma de amar.
Vidas seguindo à distância.
Afinal, um pouquinho de ausência
faz bem, muito bem!
Ela sabe, eu confio.
DISCURSO SOBRE O MÉTODO DE DESCARTES
Descartes, propõe rejeitar de direito "tudo aquilo que pudesse imaginar a menor dúvida" com a intenção e formular algo que seja, totalmente, concebível como indubitável. Desse modo, rejeita de imediato o conhecimento sensível. No entanto, duvidando de tudo quis propor uma afirmação categórica onde "as mais extravagantes suposições dos cépticos não seriam capazes de abalar", que é a do pensar e existir ao mesmo tempo." (..) como o primeiro princípio da filosofia que procurava". Mesmo não havendo mundo ou corpo algum não poderia "supor que ele não existia" e, que esse existir implica em uma substância cuja essência é o pensar para assim, " poder tomar por regra geral que as coisas que concebemos mui clara e distintamente são todas verdadeiras". Embora afirme quais são as coisas que nós concebemos sem nenhuma dúvida, temos que levar em consideração que o nosso SER não é totalmente perfeito, assim, deve haver, segundo ele "um SER que fosse de todo perfeito", pois, o "menos perfeito depende totalmente do ser perfeito", em que recebera tudo o que possui e, também, para ser concebido, tinha que abstrair as coisas sensíveis e elevar o espírito. Ele rejeita o adágio da escolástica que diz: "nada há no intelecto que não tenha estado nos sentidos", propondo a ideia do cogito, a priori de qualquer experiência, pois para ele "nada há no intelecto que não tinha passado pelos sentidos, exceto o intelecto , que já estava a priori.
CONCEITO E OBJETIVO DO MÉTODO DE DESCARTES
1)INTRODUÇÃO: A abordagem sobre o método foi proeminente na modernidade,deacordocomGhiraldelli,P:2010.p.68) "a modernidade se caracterizou por uma preocupação com o método", onde o filósofo e matemático francês, René Descartes ,foi um dos principais iniciadores. No início do século XVII, já havia publicado seu Discurso do Método, alertando para a extrema necessidade de "regras para a condução do espírito", quer dizer, para um pensamento com rigor, seguindo um método . Segundo Laville (1999,p.11) a definição de método de Descartes permanece atual, "válida até os dias de hoje"; Descartes define método como sendo regras, vejamos a citação:
"Ora,
por método entendo as regras fáceis e
corretas graças
às quais todos os que as observam com exatidão
nunca
suporiam verdade o que é falso, e
chegariam,
sem se cansar com esforços
inúteis, mas
aumentando progressivamente sua ciência,
ao
conhecimento verdadeiro de tudo o que podem alcançar"
(Descartes,Obras Escolhidas,2010.p.414)
2)O MÉTODO CARTESIANO: De acordo com Descartes, é impossível filosofar sem método, tendo em vista que a construção de um conhecimento verdadeiro se faz sempre com método; ele coloca esse aspecto em extrema evidência nas suas obras que tinham como objetivo aperfeiçoar cada vez mais o uso do espírito humano através da razão, as regras do método que ele propõe são totalmente formais, não se fundando em princípios materiais, tendo como meta delinear, formalmente, o modo como o espírito pensa de uma maneira eficaz, distinguindo o verdadeiro do falso, quer dizer, “jamais supor verdadeiro o que é falso, e chegar ao conhecimento de todas as coisas” (Descartes,Obras Escolhidas,Ed. Perspectiva,2010p.414).
Na regra V da Regulae
ele nos diz em que consiste o método,vejamos a citação:
" Todo o método consiste na ordem e na disposição das coisas para as quais é preciso voltar o olhar do espírito para
descobrir alguma verdade"(DESCARTES,Obras Escolhidas,Ed.Perspectiva, 2010.p.420).
Com o uso do método, Descartes rejeita todas as certezas
dogmáticas e do senso comum, ele pretende descobrir e fundamentar, um método "para bem conduzir a própria razão e procurar a verdade
nas ciências" como indica o subtítulo do seu Discurso do
Método, para tal, interroga-se primeiramente sobre a diversidade de todas as
nossas opiniões ; constatando que elas não podem ser confundidas com a verdade,
defendendo que elas devem ser submetidas à razão. Segundo ele, todas as coisas
que foram apreendidas e adquiridas ao
longo dos tempos deverão ser submetidas à crítica, quer dizer, ao pensamento
reflexivo, que examina os seus pressupostos, através de um método
que proporciona uma direção do pensamento, para somente
depois, poder ser objeto de conhecimento verdadeiro, tendo com o objetivo ,
evitar qualquer juízo parcial. Ele procura fundamentar, através de um método,
um modo de apreender a realidade através de conceitos claros e distintos,
rejeitando todas as certezas dogmáticas e para tal, usa a dúvida como forma de
compreender o mundo, tendo como
objetivo:
" jamais
acolher alguma coisa como verdadeira
que eu não
conhecesse evidentemente como tal; isto é, de evitar cuidadosamente a
precipitação
e a prevenção, e de nada incluir em meus juízos que não se
apresentasse
tão clara e distintamente ao meu espírito, que eu não tivesse
nenhuma
ocasião de pô-lo em dúvida." (DESCARTES,Obrasescolhidas,Ed.Perspectiva,2010,p.75/76).
Esse procedimento é conhecido como "dúvida cartesiana", e
tem como finalidade, desconfiar da verdade aparente de todas as coisas ,
procurando uma forma de não tomar por verdadeiro o que é
falso ,criticando as certezas adquiridas de sua época e
assim, se posicionar
contra o princípio da autoridade nas ciências, de acordo com
(PHILONENKO: s/d.p.76):"O
fato histórico é que Descartes, do mesmo modo que Galileu, revolucionou
a ciência, ligando audácia à prudência mais extrema. Não nos enganámos nisso.".
Para Descartes, primeiramente, deveremos determinar e classificar aquilo que,
para o espírito cognoscente, será elementar e evidente como ponto de partida de
qualquer investigação, e não aquilo que , independentemente do espírito ,
poderá ser subdividido em categorias, como é o caso da lógica aristotélica. "Dizemos,pois,em primeiro lugar, que cada coisa deve ser considerada de modo
diferente quando dela falamos relativamente ao nosso conhecimento e quando dela
falamos relativamente à sua própria existência"(DESCARTES,Obras Escolhidas,Ed. Perspectiva,2010.p.448).Em seu
escrito conhecido por: Objeções e Respostas , Descartes, muitas vezes, menciona
que uma investigação científica deve proceder de modo analítico, e não forma
sintética, vejamos a
citação:
"A análise
mostra o verdadeiro caminho pelo
qual uma
coisa foi metodicamente descoberta e revela como os efeitos dependem
das causas (...) A síntese, ao contrário, por um caminho todo diverso, e como que
examinando as causas por seus efeitos
demonstra na verdade claramente o que está
contido em suas conclusões... e ... não ensina o método pelo qual a coisa foi descoberta".(DESCARTES,Obras escolhidas,Ed. Perspectiva 2010.p.235.236).
3)CONCLUSÃO: Para Descartes, a vantagem do método analítico
consiste em iniciar as investigações com um rigor matemático, condizente com
espírito da época, onde Descartes, tinha como objetivo, estabelecer uma ciência
cuja certeza igualasse a da matemática, quer dizer, uma Mathesis Universalis,
que substituísse a incerta ciência medieval. Segundo ele, todas as ciências
deverão adotar esse método rigoroso e evidente para o espírito, estabelecendo
um saber seguro,haja vista que este terá uma base indubitável .Ao contrário do método
sintético que, de início parte de pressupostos
que mais tarde poderá se comprovar como duvidoso ou até mesmo como
falso. "(...) rejeitamos todos os conhecimentos apenas prováveis e decidimos ser preciso dar nosso assentimento apenas
àqueles perfeitamente conhecidos e dos
quais não podemos duvidar".(DESCARTES,Obrasescolhidas,Ed.Perspectiva,2010.p.407). Assim , percebemos
que como procedimento metodológico ele irá propor a tese de que para
estabelecer uma base segura para o saber , deveremos buscar algo que seja
percebido metodicamente de forma indubitável e
racional. Será nas Meditações Metafísicas, que ele irá demonstrar esse
fundamento considerado como um princípio metodológico indubitável, que será
chamada de Cogito; de acordo com:(COTTINGHAM:1995.p.37/38),"o Cogito
deverá ser considerado como a primeira e mais segura descoberta de quem
filosofa com rigor, sendo o primeiro e mais seguro passo no caminho para o
conhecimento verdadeiro de todas as coisas
que o espírito poderá conhecer". A confiança que poderemos encontrar na
base de toda essa operação metodológica é a de que a certeza é algo que
poderemos gerar por nós mesmos, ao ordenarmos nossos pensamentos de maneira
correta, "com clareza e distinção", onde o próprio fato da clareza reflexiva,
tende a aprimorar nossa posição com relação a busca de um conhecimento
verdadeiro, aumentando progressivamente, o nosso saber.
NOVA REVIRAVOLTA
Vendo o tempo voar,
Meditando no caminho.
Eu sei o porquê
Estou sem você...
Apenas a distância
nos separa.
Por enquanto faço
mudanças,
Alterações em nossa
nova morada.
Um novo design.
Uma nova morada.
Para fazer o melhor
que possamos.
Outra reviravolta
Afinal,
Somos inesquecíveis!
PEQUENO ESCLARECIMENTO SOBRE O PENSAMENTO DE NIETZSCHE
A filosofia de Nietzsche é perspectivista porque o conhecimento para ele é apenas uma interpretação, que tem como fundamento a Vida .Ele sempre usa metáforas , símbolos e outros artifícios linguísticos ; diante disso, nunca segundo ele, podemos fazer o uso de conceitos, haja vista a pretensão de universalidade e delimitação dos conceitos. A sintonia com a Vida representa para ele o modo como devemos filosofar, não separando vida e pensamento, o filósofo para ele é um experimentador. O árido academicismo representa um sintoma de que a vida declinou, quer dizer , colapsou e se separou dela, tornando-se decadente.
CUIDADO EXISTENCIAL
Cuidar da felicidade
existencial
Cuidando de si.
Regendo nossa existência:
Amando-se.
Para Amar e cuidar dos nossos.
Sempre alerta!
Trazendo no coração
A qualidade no comando das ações.
A seletividade
Sempre presente
Na arte de viver.
ARISTOCRATISMO ESPIRITUAL
Vejamos em poucas palavras o que
Nietzsche entende o que é ser um Aristocrata do espírito:
" O que pode ser pago não
tem valor nenhum. Eis o credo que eu estampo na cara dos espíritos
mercantis."(Nietzsche,Frag. Póstumos,1887-89)
NIETZSCHE E A "ERUDIÇÃO"
Como já sabemos, Nietzsche foi um
erudito. No entanto, ele criticou a erudição desde o começo, já com O
Nascimento da Tragédia, que segundo ele foi sua "primeira transvaloração dos
valores" (Cf. Crepúsculo dos Ídolos ,O que devo aos antigos,5). A erudição
que ele critica em suas obras é a pura erudição sem uma aplicação prática, o saber
por saber; esse tipo de erudição é considerado por ele, negativamente,
porque representa a ciência na modernidade, cujo representante maior é o
especialista , ironicamente descrito como sendo o homem da sanguessuga "O mestre
e conhecedor do cérebro de uma sanguessuga."(Zaratustra, A sanguessuga).Segundo
Nietzsche, hierarquicamente falando, os eruditos pertencem "à classe média
espiritual", porque não conseguem ter uma " visão dos problemas e
interrogações realmente grandes"(Cf. Gaia Ciência,§373). É o “pequeno anão e
plebeu presunçoso, o ágil e diligente trabalhador braçal-intelectual a serviço
das “ideias”, as “ideias modernas"! (Cf. Além do Bem e do Mal,§58).Diante disso, Nietzsche confere
a ciência moderna um vil utilitarismo, que tem como representantes grande parte
dos eruditos do tipo medíocre , uma “mediocridade, cada vez mais utilizável
no sentido econômico”(Cf.2ª consideração intempestiva,7) . Enfim são
aqueles eruditos "que olham embasbacados os pensamentos que outros pensaram"(Cf.Zaratustra,dos
doutos) ou seja , são aqueles que conhecem demais a cultura passada, mas não agem
adequadamente no presente , não criando novos valores.
VIDA
Eterno Movimento.
Luta.
Renovação.
Superação.
Vida é Meta
Afirmação, Negação.
Caminhos novos.
Sentidos novos.
Vida é criação:
Fogo do gênio
Prometeico.
ARTE E VIDA
Sócrates e Platão, ao desvalorizarem a aparência, são para Nietzsche inimigos da arte , anti-gregos, e por consequência:" inimigos" da Vida. Nietzsche ao recusar a Metafísica fundada na crença em um além-mundo verdadeiro, afirma a Vida, incondicionalmente, na sua força de sua ilusão. O filósofo, portanto, torna-se artista, onde sua experiência tem semelhança com os gregos áticos , a quem Nietzsche chama-os de trágicos onde não havia a diferença entre aparência e ser:
"Deveríamos respeitar
mais o pudor com que a natureza se escondeu por trás de enigmas e de coloridas
incertezas. Talvez a verdade seja uma mulher que tem razões para não deixar ver
suas razões?"(NIETZSCHE. Gaia Ciência. Prólogo:§-4).
Sendo verdade, a Vida,
possivelmente uma "mulher", em sua dissimulação ela se esconde e diz
que não há "Verdade" atrás da aparência. A própria aparência não é o
contrário da Verdade e sim sua adequada expressão. Para Nietzsche, não há
Verdade nem real, em sentido absoluto, categórico, nomológico . O mundo é uma
construção nossa, onde a Arte tem a função de engrandecer a vida e estabelecer
um pleno estatuto ontológico, por ser ela mesma, ilusão, jogo, aparência
criadas pelo homem que se torna artista, criador dotado de pés leves e alados,
tal como Hermes, o mensageiro de Zeus.