Estar "acordado", é agir com autonomia: pensar por conta própria, sustentar a diferença e afirmar nossas singularidades.Segundo Nietzsche, "Tornar-se o que se é" (Ecce Homo,Pról, §1). Estar em estado de "sono", ao contrário, é viver de modo heterônomo, segundo valores impostos, repetindo o que a moral do rebanho exige. "Moralidade é o instinto de rebanho no indivíduo" (Gaia Ciência, §116).Quando seguimos esse "instinto de rebanho", deixamos de agir por nós mesmos e nos ajustamos à expectativa dos "outros".E quem são esses "outros"? Para Nietzsche, são todas as forças que diminuem nossa potência de agir e pensar:"O indivíduo sempre teve de lutar para sair do rebanho" (Aurora, §9). Quanto menor o nível de consciência e de vigilância, mais nossas ações se tornam automáticas, conduzidas por hábitos, tradições e impulsos obscurecidos. Como Nietzsche afirma: "A consciência é a última e mais tardia evolução do orgânico, e por isso também o que há nele de mais inacabado e frágil " (Gaia Ciência, §354).Por isso, quanto mais baixa nossa consciência, mais cegos se tornam nossos sentimentos, valores e escolhas. Quanto mais desperta, mais capazes somos de autonomia, criação , afirmação e "autossuperação".
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NIETZSCHE E A FELICIDADE
O BARULHO ENSURDECE A POESIA
A PIOR TESTEMUNHA
Para Nietzsche, a guerra é o último recurso a ser usado por que "o sangue é o pior testemunha da verdade: o sangue envenena o mais puro ensinamento."(Zaratustra,Parte II,Dos sacerdotes).Assim , quem tem espírito de criador, mantém distância das revoluções que clamam por sangue; aquilo que é elevado não nasce da agitação . "Tudo o que é grande se afasta da praça pública."(Zaratustra, Parte I, Do novo ídolo)Assim, os fortes não se entregam ao delírio revolucionário. Eles criam, só recorrendo à guerra quando todas as possibilidades de criação de sentidos foram impedidas. Ele enfatiza que, o que é grande não nasce do sangue, nem da praça, mas da solidão poderosa do espírito.
EXCESSO: QUANDO A INFORMAÇÃO DESINFORMA
AUTOSSUPERAÇÃO FEMININA
Enquanto a mulher buscar no outro a sombra do pai, amará mais a lembrança, o passado, do que o presente. A felicidade somente pode começar quando ela desfaz essa velha imagem interior, para poder ver além, e não o outro como substituto de um afeto não superado. Nietzsche nos ensinou que : "Nossos pensamentos são as sombras de nossos sentimentos - sempre mais obscuros, mais vazios, mais simples do que estes." (Gaia Ciência, §179). Assim, somente ao superar o sentimento, a imagem antiga, o pensamento pode enfim, ver o novo, para haver uma "autossuperação".
ALÉM DA "ESQUERDA" E DA "DIREITA"
Segundo Nietzsche, as tradicionais distinções entre "esquerda e direita" são apenas dois modos de adorar o "novo ídolo": o Estado. Ele nos advertiu que "o Estado é o mais frio de todos os monstros frios" e que ele mente ao dizer: "Eu, o Estado, sou o povo" (Zaratustra, "Do novo ídolo").Por isso, o antagonismo político moderno permanece preso à "moral de animal de rebanho"onde, cada lado acusa o outro, mas ambos bebem no mesmo poço de ressentimentos contra a vida "dos criadores de novos valores". Assim, como poderia haver uma verdadeira elevação humana quando todos querem ser guiados ou conduzir dentro de um mesmo espaço saturado? Ele queria de outro modo "Detesto seguir , assim como detesto conduzir"(Gaia Ciência). A política moderna vive precisamente desse duplo desejo: comandar e ser comandado. No entanto, "A grande política" aquela que ele anteviu, não nasce da "esquerda" nem da "direita", mas da superação que tais direções se definem. Pois "Toda elevação do tipo "homem", foi obra de uma sociedade aristocrática" (BM, §257) e, não da administração do nivelamento por baixo, proposto por elas.A disputa entre "esquerda" e "direita" continua a ser uma dança circular que esqueceu o essencial: não é a direção do caminho que importa, mas os tipos humanos que poderão surgir. Trata-se portanto, como bem disse Deleuze: "de uma tipologia qualitativa ,trata-se de baixeza e de nobreza. Os nossos senhores são escravos que triunfam num devir-escravo universal".
FELICIDADE SEGUNDO SPINOZA: A ALEGRIA QUE HABITA EM NÓS
É muito comum achar que a felicidade consistiria em atingir a satisfação da maioria dos nossos desejos. Isso é impossível! Sendo a essência do homem desejo, como bem demonstrou Spinoza no seu livro Ética: "O Desejo é a própria essência do homem enquanto concebida como determinada a fazer qualquer coisa por uma dada afecção"(Ética, III, Prop. LIX,Def.I)Assim, ficamos impossibilitados de atingir a felicidade plena, tendo em vista que nossos desejos não têm fim. Spinoza reforça essa ideia ao mostrar que "cada coisa, enquanto é em si, se esforça para perseverar em seu ser"(Ética, III, Prop.VI). Esse esforço (Conatus) é contínuo , o que faz com que nunca cheguemos a um ponto onde nossos desejos estejam plenamente satisfeitos.A felicidade pertence ao estado contingencial do mundo da vida, sendo essencialmente subjetiva e relativa, e tem a ver com o tempo, no sentido da aceitação da temporalidade, sendo um estado da vida cotidiana. Ela não pode ser buscada como algo externo, pois Spinoza deixa claro que a alegria verdadeira deriva do aumento da potência de agir e não de causas exteriores (Ética, Parte V,).Portanto, nada que se encontre "fora" de nós pode nos trazer felicidade. Ela se encontra em nós mesmos; nós a criamos "dentro" de nós. Por que esperá-la amanhã ou em algum tempo futuro? Vivendo aqui e agora, aceitando a tragicidade do mundo da vida, aquilo que Spinoza chama de compreender a "necessidade das coisas" ,cuidando do que tem verdadeiramente importância para nós e para aqueles que estão conosco; o objetivo é fazer a felicidade estar presente em nós, vivendo em nós! Assim, poderemos desfrutar e compartilhá-la com alegria, alegria que, como diria Spinoza, é o "próprio aumento da nossa potência de agir" e, portanto, nossa força maior.
A ILUSÃO DE UMA CAUSA ÚNICA
Nietzsche percebeu que a busca por uma causa única revela mais sobre o desejo humano de reduzir o mundo a uma forma simples do que sobre a estrutura real dos acontecimentos. Essa tendência de isolar um princípio absoluto ,deriva de antigas crenças na existência de "unidades puras, núcleos indivisíveis de sentido". Segundo ele, " A atomística da alma que permite a crença em algo que seja indestrutível, eterno, indivisível ,como uma mônada , um átomo. Essa crença precisa ser eliminada da ciência." (B.M, §12). Nenhum acontecimento se reduz a um único princípio . O mundo é um cruzamento de "condições, tensões e circunstâncias" que acontece antes mesmo que possamos percebê-las. Ele nos adverte para se livrar de tal ilusão pois, "O mundo visto de dentro (...) seria vontade de potência e nada mais " (B.M, §36). A "Vontade" não é uma causa simples, mas entrelaçamento múltiplo de "impulsos, tendências e forças" sem um centro único. Mesmo assim, ainda persiste uma tendência de interpretar cada evento como expressão de um motivo singular. Essa inclinação não descreve o real, mas o desejo " humano,demasiado humano" de simplificar as coisas. Em contraste, Nietzsche observa que " Não existe fatos, apenas interpretações" (F.P., 1886–87, 7[60]). Contudo, isso não torna tudo arbitrário, mas mostra que toda explicação seleciona apenas uma parte da multiplicidade dos eventos. Ele nos ensina a pensar "perspectivamente" para reconhecer a pluralidade. A explicação mais profunda não isola uma única origem, mas reconhece a influência de várias condições. A crença numa causa única é uma ilusão a mais para o ser humano, e não uma realidade. Enfim, para ele, cada instante é sustentado por múltiplas forças, sendo que apenas uma delas, por "conveniência ou hábito", recebe o nome de " Causa ", como se fosse única.
QUANDO O AMOR TRANSBORDA!
Muitas vezes acreditamos no amor que pronunciava nossos nomes,mas compreendemos, com o tempo,que há afetos que não buscam encontro,mas um certo tipo de posse. Muitas vezes, demos mais do que tínhamos: tempo, segurança, futuro e, depois encontramos o silêncio, não como vazio, mas como um limite "natural" para o outro." O homem é para a mulher um meio: o fim é sempre o filho."(Nietzsche/Zaratustra).Isso, porque as mulheres seguem seus enigmas; os homens, seus caminhos, para o filho poder florescer: "Tudo na mulher é um enigma, e tudo tem uma solução, chama-se: gerar filhos"(Nietzsche/Zaratustra).Nos demos como quem afirmávamos a vida ,e o dom não voltou. Mas aprendemos que o dom autêntico, não exige retorno porque sempre fica a lição enigmática: quem ama para ter permanece. Quem ama para dar já habita outro horizonte. Pois a verdadeira medida do amor não está no reconhecimento, mas na liberdade de oferecer ,sem arrependimentos, porque afinal, temos que "amar a eternidade através dos instantes" para dar autenticidade e um peso ontológico as nossas vidas.
LAVAGEM CEREBRAL
A lavagem cerebral nos acompanha em quase todos os lugares: política, religião, mídia, ONGs, moda,etc., moldando ,silenciosamente, o pensamento e determinando o que é aceitável desejar ou acreditar. Nietzsche nos advertiu: "Quem sabe que é profundo busca a clareza; quem deseja parecer profundo para a multidão procura ser obscuro." (G. C., §173).Ele também nos alertou sobre a ilusão da liberdade política:" Quem diverge das públicas opiniões impostas e fica à margem, tem sempre o rebanho inteiro contra si." (G.C., §174) .Pensar criticamente exige reconhecer essas influências sub-reptícias e,buscar a independência intelectual, evitando confundir escolha com liberdade ou aparência com profundidade.
MISTÉRIO MAIOR QUE NÓS
São muitos, os eventos em nossas vidas que terminam sem um porquê. A razão pergunta, mas a Vida não responde, pois, como disse Nietzsche,"a vida não argumento." Quando nossa razão não consegue explicar, inventamos céu, destino, mistério, que são apenas nomes para aquilo que nos escapa.No entanto, Nietzsche nos chama para outra justificação: "Minha fórmula para a grandeza no homem é amor fati: nada querer diferente, seja para trás,seja para frente,seja para toda a eternidade.Não apenas suportar o necessário,menos ainda ocultá-lo."(E. H., "Por que sou tão ..., §10). O que termina nos devolve a nós mesmos para "tornarmos o que somos."(E.H., pról, §3). Sendo o fim, maior que nós,porque não conseguimos explicar racionalmente ,torna-se a continuação da Vida.
AONDE FORES
Leva contigo Luz
ilumine a Noite
com o sol da manhã Prateada,
faz dela um ouro Silencioso,
como a Lua Cheia
no espelho das Águas,
onde a Eternidade se comtempla
e a Temporalidade se dissolve.
OCULTAÇÃO
Religiões,
meros disfarces,
ocultando a face
mais profunda
da Vida.
Emaranham
a silente morada,
venalizadas
pelas próprias crenças!
Transformam-se
em empresas lucrativas
de transporte
para a Eternidade.
Confiscam-nos,
venalizando a fé
no Além.
Mas Portal
e Arco-Íris
surgem
para a efetivação
de uma nova Visão:
Transvaloração.
Superação.
Renovação.
SUPERAÇÃO DO SEXO COMO MENTIRA:JIM MORRISON E NIETZSCHE
Em várias entrevistas e anotações reunidas em (The Lords and the New Creatures e Wilderness),James Douglas Morrison revela que o sexo, na sociedade moderna, se tornou uma forma de mentira, uma encenação, uma tentativa de preencher o vazio existencial, mas sem autenticidade.Em uma passagem de Wilderness, ele escreve algo nesse sentido:" O sexo está repleto de mentiras. O corpo tenta falar a verdade, mas é geralmente reprimido. O motivo do sexo é a busca de algo verdadeiro, mas o que se encontra é apenas mais uma máscara".(Morrison, Wilderness: The Lost Writings).Sua crítica é profundamente existencial e poética,o sexo deveria ser uma porta de revelação e de êxtase,no entanto, nas relações humanas contemporâneas, torna-se repetição, disfarce, papel social,um reflexo do mesmo conformismo e falsidade que ele via na arte e na vida contemporânea.Morrison,leitor de Nietzsche, intuiu que somente na embriaguez dionisíaca, quando o corpo rompe seus limites e o eu se dissolve na vida, o ser humano toca novamente o real.Nas palavras de Nietzsche:"A embriaguez da excitação sexual,a mais antiga e primordial forma de embriaguez; nela se expressa o impulso à vida e à superabundância da força vital"(Nietzsche, C.I.,IX,§8).Assim, o corpo pode deixar de mentir, e voltar a ser o que Morrison buscava: a "verdade" que ele pode revelar.
RELIGIÕES INSTITUCIONALIZADAS
As religiões institucionalizadas não celebram a vida, elas a negam. Inventaram um "além-mundo" para desprezar este, "pois os cristãos julgaram o mundo mau e feio... e inventaram um além-mundo" (C.I. "A 'razão' na filosofia", §6) Em vez de afirmarem os instintos e a terra, "tornaram suspeitos os instintos da vida" (A.C, §24), fazendo da fé um refúgio contra o mundo real. A "fé" diz Nietzsche, "significa não querer saber o que é verdadeiro" (A.C., §52); é a obediência mascarada de virtude, a renúncia disfarçada de salvação. Por isso, as religiões criam rebanhos, não criadores. "O cristianismo é uma moral de rebanho". Ensina o "instinto do rebanho contra o instinto dos fortes" (G.M., I,§13).Assim, o homem religioso não se torna livre, mas igual a todos os outros: "A moral do rebanho diz: Sejam iguais uns aos outros! "Sejam medíocres!" (B.M., §199).Contra esse nivelamento, Nietzsche exalta o espírito que ousa afirmar a vida: "O que é desejável são homens que se justifiquem diante da vida, que digam sim à vida" (G.C., §276). A Celebração da Vida é o verdadeiro culto. Tudo o mais é fuga, ressentimento e decadência.