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FELICIDADE SEGUNDO SPINOZA: A ALEGRIA QUE HABITA EM NÓS

É muito comum achar que a felicidade consistiria em atingir a satisfação da maioria dos nossos desejos. Isso é impossível! Sendo a essência do homem desejo, como bem demonstrou Spinoza no seu livro Ética: "O Desejo é a própria essência do homem enquanto concebida como determinada a fazer qualquer coisa por uma dada afecção"(Ética, III, Prop. LIX,Def.I)Assim, ficamos impossibilitados de atingir a felicidade plena, tendo em vista que nossos desejos não têm fim. Spinoza reforça essa ideia ao mostrar que "cada coisa, enquanto é em si, se esforça para perseverar em seu ser"(Ética, III, Prop.VI). Esse esforço (Conatus) é contínuo , o que faz com que nunca cheguemos a um ponto onde nossos desejos estejam plenamente satisfeitos.A felicidade pertence ao estado contingencial do mundo da vida, sendo essencialmente subjetiva e relativa, e tem a ver com o tempo, no sentido da aceitação da temporalidade, sendo um estado da vida cotidiana. Ela não pode ser buscada como algo externo, pois Spinoza deixa claro que a alegria verdadeira deriva do aumento da potência de agir e não de causas exteriores (Ética, Parte V,).Portanto, nada que se encontre "fora" de nós pode nos trazer felicidade. Ela se encontra em nós mesmos; nós a criamos "dentro" de nós. Por que esperá-la amanhã ou em algum tempo futuro? Vivendo aqui e agora, aceitando a tragicidade do mundo da vida, aquilo que Spinoza chama de compreender a "necessidade das coisas" ,cuidando do que tem verdadeiramente importância para nós e para aqueles que estão conosco; o objetivo é fazer a felicidade estar presente em nós, vivendo em nós! Assim, poderemos desfrutar e compartilhá-la com alegria, alegria que, como diria Spinoza, é o "próprio aumento da nossa potência de agir" e, portanto, nossa força maior.

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