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A ILUSÃO DE UMA CAUSA ÚNICA

Nietzsche percebeu que a busca por uma causa única revela mais sobre o desejo humano de reduzir o mundo a uma forma simples do que sobre a estrutura real dos acontecimentos. Essa tendência de isolar um princípio absoluto ,deriva de antigas crenças na existência de "unidades puras, núcleos indivisíveis de sentido". Segundo ele, " A atomística  da alma  que permite a  crença em algo que seja indestrutível, eterno, indivisível ,como uma  mônada ,  um átomo. Essa crença precisa ser eliminada da ciência." (B.M, §12). Nenhum acontecimento se reduz a um único princípio . O mundo é um  cruzamento de "condições, tensões e circunstâncias" que acontece antes mesmo que possamos percebê-las. Ele nos adverte para se livrar de tal ilusão pois, "O mundo visto de dentro (...) seria vontade de potência e nada mais " (B.M, §36). A "Vontade" não é uma causa simples,  mas entrelaçamento múltiplo de "impulsos, tendências e forças" sem um centro único. Mesmo assim, ainda persiste uma tendência de interpretar cada evento como expressão de um motivo singular. Essa inclinação não descreve o real, mas o desejo " humano,demasiado humano" de simplificar as coisas. Em contraste, Nietzsche observa que " Não existe fatos, apenas interpretações" (F.P., 1886–87, 7[60]). Contudo, isso não torna tudo  arbitrário, mas mostra que toda explicação seleciona apenas uma parte da multiplicidade dos eventos. Ele nos ensina a pensar "perspectivamente" para reconhecer a pluralidade. A explicação mais profunda não isola uma única origem, mas reconhece a influência de várias condições. A crença numa causa única é uma ilusão a mais para o ser humano, e não uma  realidade. Enfim, para ele, cada instante é sustentado por múltiplas forças, sendo que apenas uma delas, por "conveniência ou hábito", recebe o nome de " Causa ", como se fosse única.

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