Segundo Nietzsche, as tradicionais distinções entre "esquerda e direita" são apenas dois modos de adorar o "novo ídolo": o Estado. Ele nos advertiu que "o Estado é o mais frio de todos os monstros frios" e que ele mente ao dizer: "Eu, o Estado, sou o povo" (Zaratustra, "Do novo ídolo").Por isso, o antagonismo político moderno permanece preso à "moral de animal de rebanho"onde, cada lado acusa o outro, mas ambos bebem no mesmo poço de ressentimentos contra a vida "dos criadores de novos valores". Assim, como poderia haver uma verdadeira elevação humana quando todos querem ser guiados ou conduzir dentro de um mesmo espaço saturado? Ele queria de outro modo "Detesto seguir , assim como detesto conduzir"(Gaia Ciência). A política moderna vive precisamente desse duplo desejo: comandar e ser comandado. No entanto, "A grande política" aquela que ele anteviu, não nasce da "esquerda" nem da "direita", mas da superação que tais direções se definem. Pois "Toda elevação do tipo "homem", foi obra de uma sociedade aristocrática" (BM, §257) e, não da administração do nivelamento por baixo, proposto por elas.A disputa entre "esquerda" e "direita" continua a ser uma dança circular que esqueceu o essencial: não é a direção do caminho que importa, mas os tipos humanos que poderão surgir. Trata-se portanto, como bem disse Deleuze: "de uma tipologia qualitativa ,trata-se de baixeza e de nobreza. Os nossos senhores são escravos que triunfam num devir-escravo universal".
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