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GRANDES IDEIAS E DOMÍNIO CULTURAL
ARTE LIVRE
NIETZSCHE :CULTURA E MORAL
(...) sob que condições o homem inventou para si os Juízos de valor “BOM” e “MAU”. E que valor tem eles? Obstruíram ou promoveram até agora o crescimento do homem? São indício de miséria, empobrecimento, degeneração da vida? Ou , ao contrário, revela-se neles a plenitude, a força, a vontade da vida, sua coragem, sua certeza, seu futuro? (NIETZSCHE, F.W; GM; p. 9).
REFERÊNCIAS:
Genealogia da Moral, Além do bem e do mal, Zaratustra e Crepúsculo dos ídolos de: Nietzsche.(Ed. Cia das letras e Guimarães)
Nietzsche e a filosofia de: Gilles Deleuze. Ed. Rés)
NIETZSCHE E A GENEALOGIA DA MORAL
O ERRO:O BEM E O MAL, COMO ETERNOS.
A TRANSCENDÊNCIA DA EXISTÊNCIA
O ENSINO E A PRÁTICA ENXADRÍSTICA
As aulas de xadrez são de grande
importância na formação pedagógica, pois um de seus principais objetivos educacionais
é promover o equilíbrio entre a razão e as emoções visando uma elevação humana.
De acordo com a revista espanhola Jaque, na virada do século, por volta de
1925, extensas pesquisas dos psicólogos soviéticos Rudik, Dyakov e Petrovsky
concluíram que o xadrez disciplina a inteligência. Desde então, muitos
assumiram a responsabilidade de divulgar suas práticas e estudos. Os principais
objetivos do jogo de xadrez são: 1) garantir o equilíbrio entre razão e emoção, levando ao aperfeiçoamento ético e
moral humano 2) promover o desenvolvimento da criatividade e de várias
habilidades intelectuais 3) desenvolver hábitos de perseverança e vontade.4)
desenvolver mecanismos de atenção e concentração 5) treinar diferentes tipos de
memória 6) aprender a justificar opções alternativas em sequências lógicas 7)
desencadear e controlar os processos de imaginação e fantasia na criatividade
8) proporcionar uma melhor gestão do tempo. Na década de 1970, na Argentina,
primeiro país sul-americano a se destacar no ensino de xadrez nas escolas,
foram realizadas pesquisas científicas por meio de experiência comprovada, onde
aprender a jogar xadrez trouxe grande elevação e integração social em relação a
outras escolas, nas quais havia não foram encontrados trabalhos relacionados ao
estudo e prática do xadrez. Já aqui no Brasil, em muitas cidades, diferentes
escolas têm se engajado com sucesso nessa atividade, e tem havido avanços
qualitativamente efetivos no aperfeiçoamento intelectual dos alunos,
constatando os estudos dos psicólogos acima citados, confirmando que o
"jogo-arte-ciência ", torna as pessoas mais eficazes em muitos
aspectos educacionais e sociais do que aqueles que não o praticam. O que fica
em falta é a extrema escassez de verbas para implementar tal atividade
essencial na formação, tanto cultural como social.
HEGEL E O ESPÍRITO ABSOLUTO
O MAL, SEGUNDO PAUL RICOEUR
PARADOXO SOCIAL
NIETZSCHE E A GRANDE SAÚDE
DELIBERAÇÃO E JUSTIÇA
ATUALIDADE DO ILUMINISMO – AUTONOMIA
METODOLOGIAS
NIETZSCHE E A MORAL
PLATÃO E EROS
O PRAZER DA FILOSOFIA
DEUS NÃO ESTÁ MORTO , O DEUS MORAL , SIM!
CIÊNCIA MUTANTE
ENXADRISMO E EDUCAÇÃO
A INGENUIDADE DE UM CONTRATO SOCIAL
" Uma raça de conquistadores e senhores,que, organizada guerreiramente e com força para organizar, sem hesitação lança suas garras terríveis sobre uma população talvez imensamente superior em número, mas ainda informe e nômade. Desse modo começa a existir o "Estado" na terra: penso haver-se acabado aquele sentimentalismo que o fazia começar com um "contrato".(GM,II-17).
Para o genealogista Nietzsche,as forças sociais têm primazia,onde surgiu uma forma de poder mais "natural" , do que a convenção ingênua de um contrato social.Ele usa a ideia de um "contrato" como resposta pela força das normas sociais no contexto de concepções de justiça nas relações entre credor e devedor. A concepção contratualista clássica tem uma relação intrínseca com as formas políticas de governo modernas,diferenciando totalmente da concepção de Nietzsche.
A ILUSÃO DO CONTROLE DA NATUREZA
VIDA COMO OBRA DE ARTE
NOSSA GRANDEZA
OS ESFORÇOS SÃO MAIS IMPORTANTES OS RESULTADOS
CAUSA E EFEITO - contrasenso
IDENTIDADE VIVA
FÍSICA E SOCIEDADE
GARANTIA DE ASCENSÃO
ANTIGA GRÉCIA E RENASCENÇA - Semelhanças
NIETZSCHE E A RACIONALIDADE
O EXISTENCIALISMO É UM HUMANISMO
THOMAS KUHN E A NOÇÃO DE PARADIGMA
O PROBLEMA DO FUNDAMENTO EM HEIDEGGER
“Pelo contrário, os conceitos ontológicos originários devem obter-se antes de toda a definição científica dos conceitos fundamentais de maneira que, a partir deles, se possa primeiro avaliar de que modo restritivo e circunscrito em cada caso, e desde uma focagem determinada, os conceitos fundamentais das ciências atingem o ser, captável em termos puramente ontológicos” (Heidegger M. A essência do fundamento, Ed.70. Pg25).
Desta forma, o conceito ontológico é originário, devendo preceder a qualquer outro conceito. A Metafísica tradicional, vai além dos Entes como um todo, interpretando-os alternadamente: ora como Ideia, ora como Causa Primeira, ora como Substância, ora como Deus, etc. gerando uma representação antropomórfica do conhecimento filosófico, onde a Transcendência foi concebida estando “Fora” em um “Além”.
OPOSIÇÃO ENTRE REALISMO E ANTI-REALISMO NA FILOSOFIA DAS CIÊNCIAS
HUME E A CAUSALIDADE
NIETZSCHE E SPINOZA - Afinidades e divergências
COMO ESTABELECER A VERDADE ?
ANÁLISE MICROFÍSICA DO PODER
SPINOZA E O COMEÇO DO FILOSOFAR
CRÍTICA SUTIL AO MONARQUISMO ABSOLUTO
A "DESCOBERTA" DO INCONSCIENTE
SENTIDO HISTÓRICO
CONTRIBUIÇÃO À HISTÓRIA NATURAL DA MORAL
ECOLOGIA - A natureza como sujeito jurídico
SAÍDA DO LABIRINTO
Matando Minotauros
Dia após dia!
Sigamos o exemplo de Teseu
Seguindo o fio de Ariadne...
O fio da feminilidade!
Ariadne, Ariadne...
Tornemo-nos Uno com ti.
Assim, o Amor despertará
o Outro que há em nós.
Sairemos e nos abandonaremos:
Dionisos!
De volta, Apolo nos conduzirá
para a Luz Existencial.
Unidos ao Eterno Feminino
Encontraremos a saída
para o Labirinto do Eu.
IMATURIDADE FILOSÓFICA E VIVENCIAL
A EDUCAÇÃO E A ESTRUTURA DO HABITUS
Enfim, para Pierre Bourdieu, a ação do sociólogo seria a de colocar em evidência as múltiplas estruturas de dominação reproduzidas, e efetuar uma contra-violência simbólica, estruturando através de novos Habitus, uma educação que teria como meta a formação do “Agente social”, cuja ação pedagógica seria variada e múltipla, desvelando as estruturas de dominação desconhecidas por aqueles que sofrem debaixo as pressões do sistema educacional tradicional.
Ao demonstrar a existência de um domínio simbólico, o sociólogo deve incitar para que não aceitemos com naturalidade as divisões sociais. Os excluídos da sociedade, para ele, devem tentar adquirir aquilo de que foram privados: educação, cultura, lazer, informação, etc. Cabe aos Agentes sociais que possuem o conhecimento e as articulações dos “jogos de poder” fornecer os meios teóricos e práticos para agir sobre as estruturas sociais e, portanto, a possibilidade de reconstruir a história inscrita em nossos corpos sob a forma de novos hábitos, tendo em vista que o que está posto deve ser mudado, para não ser reificado.
REFERÊNCIAS:
1) Dicionário de Sociologia, Zahar, A. G. Johnson.
2) Dicionário dos Filósofos, M. Fontes, D. Huisman.
3)50 Grandes Educadores Modernos, Contexto, J.A. Palmer.
4) Primeiras lições sobre a Sociologia de Bourdieu, Vozes, P. Bonnewitz.
O MÉTODO DOS CLÁSSICOS - Marx,Durkheim e Weber
Grandes estudiosos do pensamento de Marx consideram , a dialética um método antinômico e "científico", pelo qual todos os processos históricos são interpretados a luz da economia política. O método Marxista Histórico Dialético surgiu, logo após, a crítica de Feuerbach ao idealismo absoluto hegeliano, que Marx aplicou no domínio da economia social e política.
O processo dialético desenvolvido por Hegel foi muito importante para o método criado por Marx, que o utilizou para formular seu próprio método dialético-histórico. De acordo com essa concepção, a evolução processual da sociedade, como também, as criações do espírito humano no campo da moral, direito, política, etc., são determinadas pelas relações econômicas de produção, de distribuição e circulação dos bens de subsistência. Embora Marx, não tenha deixado uma exposição sistemática do seu método dialético-materialista-histórico,nos textos como A Ideologia Alemã e na Introdução da Contribuição à crítica da economia política, podemos encontrar os elementos de base desse método que foi elaborado em oposição ao idealismo histórico de Hegel. Segundo Marx, a concepção metodológica que Hegel fez da história, é apenas uma representação abstrata da História, onde para ele, o espírito absoluto permanecia estranho a história real do homem, que seria justamente, o ato de sua criação, a história de sua formação e evolução no seio das condições materiais e econômicas que a possibilitam. A tese básica de origem do método dialético-histórico foi formulada por Marx na Contribuição à crítica da economia política, conforme o seguinte trecho:
“[...] na produção social da sua existência, os homens estabelecem relações determinadas, necessárias, independentes da sua vontade, relações de produção que correspondem a um determinado grau de desenvolvimento das forças produtivas materiais. O conjunto destas relações de produção constitui a estrutura econômica da sociedade, a base concreta sobre a qual correspondem determinadas formas de consciência social. O modo de produção da vida material condiciona o desenvolvimento da vida social, política, intelectual em geral. Não é a consciência dos homens que determina o seu ser; é o seu ser social que, inversamente, determina a sua consciência [...] Assim como não se julga um indivíduo pela ideia que ele faz de si próprio, não se poderá julgar tal época de transformação pela mesma consciência de si; é preciso, pelo contrário, explicar esta consciência pelas contradições da vida material, pelo conflito que existe entre as forças produtivas sociais e as relações de produção.” (Marx; Contribuição à Crítica, p.5,Ed. Martins Fontes)
Na ideologia alemã, podemos constatar que o método dialético-histórico de Marx é crítico, retomando a dimensão histórica da vida humana, enfatizada por Hegel, todavia, sendo rejeitada a concepção idealista, onde para Marx, a vida econômica constitui a base real da história e o suporte que serve de base para o método do materialismo-dialético-histórico, ressaltando que isso foi esquecido por todas as concepções filosófico-históricas, até então. Vejamos o texto:
“Assim, a moral, a religião, a metafísica e todo o restante da ideologia, bem como as formas de consciência a elas correspondentes , perdem logo toda a aparência de autonomia. Não têm história, não têm desenvolvimento; ao contrário, são os homens que, desenvolvendo sua produção material e suas relações materiais, transformam, com a realidade que lhes é própria, seu pensamento e também os produtos do seu pensamento. Não é a consciência que determina a vida, mas sim a vida que determina a consciência. Na primeira forma de considerar as coisas, partimos da consciência como sendo o indivíduo vivo; na segunda, que corresponde à vida real, partimos dos próprios indivíduos reais e vivos, e consideramos a consciência como sua consciência.” (Marx; Ideologia Alemã, p.19/20,Ed. Martins Fontes)
Nesta perspectiva, o conhecimento espiritual é um simples reflexo da matéria na consciência. Com base nas três leis: 1) lei da unidade e luta dos contrários, onde a unidade da realidade concreta é uma unidade de contradições. 2) lei da transformação da quantidade em qualidade, onde as mudanças quantitativas dão surgimento a mudanças qualitativas, consideradas revolucionárias e 3) lei da negação da negação, onde através do conflito dos contrários, imanente ao real, um contrário nega o outro e é, por sua vez, negado por outro nível através do desenvolvimento histórico que conserva alguma coisa de ambos os contrários. Enfim, o método materialista-dialético-histórico apresenta-se através de uma exaustiva explicação da realidade da qual é excluída não só a existência de Deus, como, também, de qualquer espírito absoluto. O método dialético-histórico- materialista é uma categoria filosófica para designar a realidade, que é contraditória em si mesma, mostrando uma luta dos opostos, que Marx erigiu,"erroneamente" em "método científico", pois, para ele, a dialética só é possível como método histórico.
“Conhecemos apenas uma ciência, a ciência da história. A história pode ser examinada sob dois aspectos. Pode ser dividida em história da natureza e história dos homens. Os dois aspectos, entretanto, são inseparáveis; enquanto existirem os homens, sua história e a da natureza se condicionarão reciprocamente.” (Marx; Ideologia, p.107-notas)
Constatamos que a crítica para Marx, via Feuerbach/Hegel, legou um método crítico que converte a dialética hegeliana em método "adequado",segundo Marx, para a percepção da história como um meio de transformação social através da compreensão de seu papel ao longo dos tempos.
ÉMILE DURKHEIM (1858-1917)
Para fundamentar suas pesquisas sociológicas com rigor científico, Durkheim usou o método comparativo através da analogia, “(...) a analogia é uma forma legítima da comparação e a comparação é o único meio prático de que dispomos para conseguir tornar as coisas inteligíveis.” (DURKHEIM; Sociologia e Filosofia, p.9.) Nas regras do método sociológico ele expõe que o método usado para a sociologia consiste inteiramente no estabelecimento de ligações causais:
“Nosso principal objetivo, com efeito, é estender à conduta humana o racionalismo científico, mostrando que, considerada no passado, ela é redutível a relações de causa e efeito que uma operação não menos racional pode transformar a seguir em regras de ação para o futuro.” (DURKHEIM; Regras, Prefácio, P.XIII)
Demonstrando, desta forma, que o método (caminho) a ser usado é o da experiência indireta, quer dizer, o método comparativo, através de comparações sistemáticas, esclarecendo as associações entre vários fenômenos entre si, como também, sua ocorrência habitual em uma determinada ordem de sucessão regular, aplicando-os aos fatos sociais: "Ora, nosso método não é, em parte, senão uma aplicação desse princípio aos fatos sociais" (Idem. IBID). Tratando os fatos sociais como “coisas” ele pretende determinar que a Sociologia tenha os requisitos de todas as ciências, isto é, ela possui um objeto de estudo próprio, inclusive, alertando aos sociólogos que renunciem ao dogmatismo de que os fatos sociais poderão ser diretamente inteligíveis para o pesquisador, pois, "tratá-los como coisas" é justamente isso, ou seja, concebê-los de um modo objetivo, passíveis de serem observados empiricamente.
No estudo do suicídio, Durkheim usou, também, o método comparativo para tentar descobrir quais as causas sociais do suicídio, usando e correlacionando estatisticamente as diversas taxas em diferentes grupos sociais com as características desses diversos grupos; o conceito de anomia foi aplicado a várias teorias, incentivando pesquisas correlacionadas. Enfim, o método usado por Durkheim demonstrou que a ciência pode ser aplicada de um modo prático para se compreender de uma maneira mais eficiente a sociedade, mostrando a realidade e a importância das forças sociais.
MAX WEBER (1864-1920)
Weber sofreu influencia de Immanuel Kant, o maior representante do criticismo,do perspectivismo Nietzschiano e do Historicismo de Wilhelm Dilthey.Houve, portanto, uma extrema necessidade de aplicar renovadores procedimentos metodológicos científicos, com o debate entre: determinismo, possibilismo e relativismo, levando em conta, a concepção de que a Sociologia não pode ser totalmente objetiva,dogmática, quer dizer , não lhe é permitida elaborar uma síntese definitiva do mundo, devido a sua incapacidade de prever com exatidão o futuro das diversas formações histórico-sociais, ficando essas, como uma possibilidade interpretativa, o que Weber chamou de “Sociologia Compreensiva”, através de “vários futuros possíveis”. Usando o método de abordar o objeto da investigação no caso as ações sociais, com a sua teoria dos “tipos ideais”, onde, por “tipo ideal” é concebido como sendo construções teóricas conceituais puras, permitindo compreender e interpretar os fenômenos sociais observáveis, remetendo-os aos conceitos “típicos ideais” referente a cada caso, ou seja, a qual tipo encontra-se relacionado os fatos humanos.
“A Sociologia constrói – o que já foi pressuposto várias vezes como óbvio – conceitos de tipos e procura regras gerais dos acontecimentos. Nisso contrapõe-se à História, que busca análise e imputação causal de ações, formações e personalidades individuais culturalmente importantes... a Sociologia, por sua vez, deve delinear tipos” puros” (“ideais”), os quais mostram em si a unidade consequente de uma adequação de sentido mais plena possível. ”(WEBER; Economia e Sociedade; P.12)
Weber pensava que a explicação causal era possível e necessária na Sociologia, mas apenas para encontrar a causalidade histórica que governavam as ações humanas, como por exemplo, as ligações causais que foram feitas por ele, na análise comparativa entre o protestantismo e o capitalismo. Para Weber, o método da Sociologia deve ser feito a partir da interpretação ou compreensão do sentido histórico, e assim, alcançar a validade: “Toda interpretação, assim como toda ciência em geral, pretende alcançar “evidência”. (WEBER; Economia e Sociedade, p.4, Ed. UNB)
Através das ações, relações e dominações sociais entre os indivíduos, atentando para não levar em consideração os “juízos de valor”, havendo, portanto, necessariamente uma neutralidade axiológica na produção da pesquisa social, que por sua vez, não poderá ser totalmente objetiva, tendo em vista, a não possibilidade de alcançar um sentido definitivo ou absoluto, assim:
"Não existe nenhuma análise científica puramente “objetiva” da vida cultural, ou – o que pode significar algo mais limitado, mas seguramente não essencialmente diverso, para nossos propósitos – dos “fenômenos sociais”, que seja independente de determinadas perspectivas especiais e parciais, graças às quais essas manifestações possam ser, explícita ou implicitamente, consciente ou inconscientemente, selecionadas, analisadas e organizadas na exposição, como objeto de pesquisa."(WEBER; Objetividade das Ciências Sociais, p.43)
A pesquisa social deverá ser “objetiva” no sentido de, com seu método, tentar perceber o objeto “tal como ele é”, e não como “gostaríamos que fosse”. Enfim, a ciência social como conhecimento do que é, e não do que deveria ser, é um conhecimento específico de uma determinada época, a aplicação do método, independentemente, de juízos de valor é que irá decidir se o resultado da pesquisa é conhecimento científico ou não.
OS CLÁSSICOS DA SOCIOLOGIA,SÉC XIX-Marx,Durkheim e Weber
Para Marx, toda história humana até os dias atuais se deu através da luta: “A história de toda sociedade até hoje é a história de luta de classes” (MARX; Manifesto, p.66). A luta de classes é o cerne do pensamento Marxiano, onde para ele, classe é uma realidade que está acima dos indivíduos através das relações de produção desenvolvidas historicamente, indo do abstrato ao concreto; ela é vista como um jogo dinâmico de definições e de classificações, nas quais remetem a um sistema de relações estruturado pela luta, como mostra seus textos sócios- políticos, entre os quais: As lutas de classe na França, O dezoito Brumário, etc.
A determinação das relações entre classes a partir dos meios de produção é vista por ele como um momento da história, posterior à dissolução da comunidade primitiva, que passou por vários estágios através da história. Sua abolição desembocaria automaticamente de volta para uma sociedade sem classes, havendo uma totalidade relacional que não pode ser reduzida a uma estrutura que suportaria todas as individualidades, nem tampouco a sua soma; sua coesão é, portanto, irredutível a uma unidade formal de uma simples coleção de indivíduos da sociedade. Desse modo, sob o ponto de vista sociológico acadêmico, seria impossível conceber no pensamento Marxiano uma “Sociologia”, a não ser uma Sociologia do conflito, da luta, ele é um anti-sociólogo por excelência. Embora os estudos sociológicos possam produzir informações práticas, sua soma não constitui um pensamento substancial, tendo em vista que informações sobre fatos, para Marx, não constituem um saber, haja vista que o pensamento não pode ser separado de uma ação política que ocorre, incessantemente, através da luta de classes. Podemos afirmar categoricamente que a visão de Marx tem da Sociologia é negativa, no sentido de que há ideologia no conceito de uma socialização pacífica entre os homens, ou seja, que a priori o homem seria um animal social, essa ideologia, pode representar mais uma máscara, atrasando e alienando a sociedade no caminho da emancipação que ocorrerá inexoravelmente, quando os homens tomarem “consciência de classe”, ou seja, consciência de que é uma “classe em si e para si”.
ÉMILE DURKHEIM (1858-1917)
Durkheim fundamentou a Sociologia como uma ciência autônoma, que tem como objeto específico de estudo os fatos sociais. Por fato social, ele compreendia como sendo fenômenos: políticos, sociais, culturais, etc. que exercem uma influência externa coercitiva sobre todos os indivíduos, sendo irredutível a vida biológica, tendo como fundamento a sociedade de uma determinada época. Para ele, essa sociedade possui uma realidade que está acima dos indivíduos.
“É fato social toda maneira de fazer, fixada ou não, suscetível de exercer sobre o indivíduo uma coerção exterior; ou ainda, toda maneira de fazer que é geral na extensão de uma sociedade dada e, ao mesmo tempo, possui uma existência própria, independente de suas manifestações individuais.” (DURKHEIM; Regras, p.13)
A partir do estatuto do fato social como objeto específico da Sociologia, ele os divide em duas grandes categorias “muito dessemelhantes sob certos aspectos” (Cf.R.p.49): Os fatos “normais” e os fatos “patológicos” tratam-se, desse modo, de uma tipologia social, onde ele classificou as formações sociais, das mais primitivas ou simples, cuja característica dos laços sociais era feitos através da solidariedade mecânica, até mais complexas, onde a solidariedade era orgânica, devido a uma maior divisão no trabalho.” Em suas
palavras:
“Chamaremos normais os fatos que apresentam as formas mais gerais e daremos aos outros o nome de mórbidos ou patológicos. Se concordarmos em chamar tipo médio o ser esquemático que constituiríamos ao reunir num mesmo todo, numa espécie de individualidade abstrata, os caracteres mais freqüentes na espécie com suas formas mais freqüentes, poderemos dizer que o tipo normal se confunde com o tipo médio e que todo desvio em relação a esse padrão da saúde é um fenômeno mórbido.” (Durkheim; Regras, p.58).
Para ele, a função primeira da sociologia, seria a taxonomia dos vários tipos de sociedade, essas sociedades seriam fundamentadas em seu grau de complexidade, desde as mais simples até as sociedades modernas muito mais complexas. A coesão social era da máxima importância na visão de Durkheim; nas sociedades industriais que desenvolveram uma complexa e dinâmica “divisão do trabalho” onde as ocupações são diferentes, havendo especializações múltiplas, ocorrendo, desse modo, uma interdependência entre os indivíduos que ele chamou de “solidariedade orgânica”, tendo em vista o fato dela se assemelhar a um organismo, com muitas partes diferentes, onde cada componente daria sua contribuição ao tecido social. Em sua visão, a sociedade formava uma estrutura em que as diferenças uniam e contribuíam para atender as necessidades sociais de seus indivíduos, havendo mais tolerância para as individualidades, pois, não existia mais uma cultura comum a todos os elementos, como nas antigas sociedades, onde a semelhança era um fator primordial para a solidariedade; dessa forma, havia, hodiernamente, o predomínio de uma justiça distributiva. Fazendo uma comparação entre os dois tipos de solidariedade, Durkheim nos mostrou que a cultura e a estrutura são peças fundamentais para manter a coesão social e criar um fundamento sólido para que haja uma sociedade não caótica.
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MAX WEBER (1864-1920)
Para Weber, não há uma teoria geral da sociedade, ele é um historicista, sua preocupação básica é estudar as diversas situações sociais, onde para ele a Sociologia tem como objeto de sua investigação a ação social, sendo compreendida por ele, conforme a citação abaixo:
“A “ação social”, portanto, é uma ação na qual o sentido sugerido pelo sujeito ou sujeitos refere-se ao comportamento de outros e se orienta nela no que diz respeito ao seu desenvolvimento “(WEBER; Metodologia, P.400)
Para ele, a ação social não tem um caráter objetivo, ele salienta a subjetividade do conceito de “ação social”, tendo em vista o significado a ela que é atribuído pelos diversos indivíduos, como também, a relevância dos outros na orientação de seus sentidos interpretativos. A Sociologia tem um papel científico, todavia, subjetivo e interpretativo sendo considerada conforme a citação abaixo:
“Deve entender por sociologia (no sentido aceito desta palavra que é aqui empregado das mais diversas maneiras possíveis) uma ciência que pretende entender pela interpretação a ação social para desta maneira explicá-la causalmente no seu desenvolvimento e nos seus efeitos.” (WEBER; Metodologia, p.400)
Para a Sociologia, ele criou uma metodologia fundamentada na interpretação e compreensão, onde os “juízos de valor” teriam que ser deixados de lado, para não comprometer a pesquisa, criou a noção de “Tipo Ideal”, considerado como um conceito referencial, em comparação aos quais se possam analisar os diversos fenômenos sociais, implicando em uma interpretação das atividades sociais segundo seu significado subjetivo tanto para os agentes quanto para o pesquisador.
Podemos evidenciar sua contribuição, no sentido de verificar uma contradição do determinismo de Marx que atribuía a ascensão do capitalismo unicamente a forças históricas e econômicas, pois, para Weber, a ética prática do protestantismo, mais precisamente do Calvinismo, com seu ascetismo exacerbado, favoreceu o crescimento do capitalismo estrangulando o consumo, aumentando deveras o capital.
“E confrontando agora aquele estrangulamento do consumo com essa desobstrução da ambição de lucro, o resultado externo é evidente: acumulação de capital mediante coerção ascética à poupança” (WEBER; Ética, p.157)
A crescente racionalização e burocratização que teve início com a modernidade colocou o ser humano em um conflito axiológico que não tem o fundamento em nenhuma estrutura moral, conduzindo a um “desencantamento do mundo” onde o homem se vê preso numa “jaula de ferro”. Foi esse o diagnóstico, em poucas palavras, que Weber deu da modernidade.
Ao se interessar pelas diversas visões de mundo e de valores, dando ao “Tipo ideal” uma função explicativa, sendo, dessa forma, defensor de uma visão multifacetada do mundo na explicação dos fenômenos sociológicos e, portanto, não dogmática; Weber conseguiu nos proporcionar uma melhor apreciação do mundo sócio-econômico-cultural.