Segundo Nietzsche, "O corpo é uma grande razão, uma multiplicidade com um só sentido"( Zaratustra, Dos desprezadores do corpo).Aquilo que chamamos eu é apenas o efeito provisório da organização de forças do corpo, pois "o pensamento consciente é o mais fraco e o mais tardio" ( Gaia Ciência,§354) Nietzsche dissolve a ideia de substância fixa, eterna, imutável ,o corpo não é algo que é, mas algo que acontece, um processo em devir. Através do dionisíaco, "rompe-se o princípio de individuação."(Nascimento da Tragédia, §1), aparecendo o corpo como uma estabilidade momentânea em fluxo ,como uma dança de forças em contínuo devir.Portanto,o corpo deve ser compreendido não como substância, mas como uma "configuração provisória de forças ", sempre em transformação. O "eu" é um simplkes efeito momentâneo desse jogo dinâmico, a identidade não se funda na permanência , mas no devir. Pensar o corpo como "processo" implica ,principalmente, assumir a vida como uma criação contínua de si mesma,onde nós nunca somos, mas nos tornamos.É nesse sentido que Nietzsche afirma , transformando um dito de Píndaro "Tornar-se o que se é"(Ecce Homo, §9), quer dizer,dar forma às nossas vidas organizando as forças que nos constituem, sem a tentativa de fundamento em uma essência fixa.
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