Quando se elimina do feminino seu poder afirmativo, ele deixa de ser compreendido como expressão da vida e passa a operar como instrumento, teórico, normativo. A mulher deixa de figurar como força criadora para tornar-se modelo moral de renúncia, obediência e negação do corpo. Essa operação inscreve-se no que Nietzsche denomina ideal ascético, cuja meta última é "querer o nada" (GM, III, §28). A espiritualização do feminino separa-o da terra, do devir e da corporalidade, reiterando aquilo que o filósofo identifica como "hostilidade contra a terra" (Zaratustra, Prólogo, §3). Desse modo, o feminino instrumentalizado revela-se funcional à moral cristã que, segundo Nietzsche, "Nega a vida efetiva em prol de um além-mundo fictício" (AC,§15) sendo, portanto, incompatível com uma filosofia afirmativa da vida.
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