Quando a crença em Deus não produz nenhuma diferença efetiva na conduta, a própria questão de sua existência torna-se secundária e supérflua. Crê-se nele e age-se de modo pérfido, descrê-se nele e age-se, também, do mesmo modo. Desse modo, a fé perde toda força de legitimação moral. Segundo Baudelaire, Deus pode reinar independentemente de sua existência empírica: "Deus é o único ser que, para reinar, não precisa existir". Nietzsche, radicaliza esse diagnóstico ao mostrar que o problema decisivo não é a existência ou não de Deus, mas a sobrevivência de sua moral. Mesmo após a morte de Deus, sua sombra continua a projetar-se sobre os homens: "Deus está morto; mas, tal como são os homens, durante séculos ainda haverá cavernas em que sua sombra será mostrada - Quanto a nós - nós teremos que vencer também a sua sombra " (Gaia Ciência §108). Assim, quando a crença não transforma a ação, crer ou não crer torna-se igualmente supérfluo; o que permanece é uma moral desvinculada tanto da fé quanto da vida.Assim, podemos concluir que quando alguém diz : "Eu acredito em Deus", tem o mesmo valor lógico de quem diz: "Eu não acredito" , quer dizer, é uma tautologia!
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