Somos educados a desejar sempre o que nos falta, não a valorizar o que já temos. A sociedade elogia a ambição, o movimento constante e a busca por metas, mas "suspeita" de quem está satisfeito. O contentamento é visto como acomodação. Nietzsche critica essa lógica da falta. Para ele, a alegria não nasce da carência, mas do "aumento de força da vida". Quando o desejo se reduz a uma constante busca por algo que ainda não existe ,a vida deixa de se afirmar no presente e passa a se justificar ,apenas, pelo futuro. Spinoza expressa a mesma ideia, antes de Nietzsche, ao definir a alegria como passagem de uma perfeição menor para uma maior :"Por alegria entenderei, pois, uma paixão com a qual a mente passa a uma maior perfeição" (Spinoza, Ética III, XI).Quando somos "treinados" a desejar apenas o que ainda não temos, aprendemos a correr sem nunca parar; a vida vira uma busca "infinita", em que o desejo conflita com à falta em vez de afirmar o que já é. Reconhecer a suficiência do presente não significa parar de viver, mas viver com mais potência. Por isso, Spinoza propõe um outro ponto de vista: olhar a vida sob a égide da eternidade, isto é, não a partir da falta momentânea, mas da potência do que é: "Sentimos, porém, e sabemos por experiência, que somos eternos(...) na medida em que concebemos as coisas com uma a espécie de eternidade"(Spinoza, Ética V , XXIII).
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