Recentemente, uma polêmica entre Roger Waters e Ozzy Osbourne, após o baixista do Pink Floyd haver minimizado a relevância artística de Ozzy. O episódio reacendeu um debate recorrente no Rock: a diferença entre sucesso de massa e profundidade crítica ,cuja distinção vai além de preferências pessoais e toca critérios estéticos e, principalmente, intelectuais. Ozzy representa o sucesso de massa: sua música atua no impacto imediato, na emoção e numa catarse coletiva, privilegiando identificações e o espetáculo. Roger Waters, por outro lado, utiliza a música como instrumento de crítica social e política, exigindo reflexão e produzindo desconforto, sem considerar se irá agradar ou não! A polêmica entre ambos nasce quando se confunde popularidade com profundidade. Essa oposição é formulada de modo exemplar por Nietzsche, ao afirmar que "longe da praça e da fama acontece tudo o que é grande" (Zaratustra, Das Moscas). A "praça" simboliza o espaço do aplauso, do ruído e da consagração imediata, lugar onde o sucesso de massa se afirma. O que é grande, contudo, nasce fora dela, na solidão do pensamento que não busca agradar. Waters escolhe essa distância crítica. Ozzy, com seu carisma e mérito artístico próprio, permanece no centro do espetáculo com muito mais popularidade e não com profundidade intelectual!
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